09/08/2021

 SESSENTA ANOS DEPOIS!!!


Fez no dia 4 de Fevereiro, sessenta anos que começou a luta armada em Angola (que depois se estenderia a Moçambique e à Guiné) e que depressa culminou no massacre dos brancos e dos pretos que estavam do seu lado. Os métodos mais atrozes foram utilizados por aqueles selvagens, como demonstraram as fotografias exibidas no Secretariado Nacional para a Informação (para maiores de 21 anos) e pelo nosso representante na ONU.
Salazar fez o que devia fazer, enviando tropas para reforçar o pequeno contingente que lá se encontrava, enquanto os brancos se defendiam com as armas que tinham, desde caçadeiras a pistolas. Muitos pretos inocentes foram mortos, mas era impossível saber de que lado estavam.
Parado no tempo, sem ligar ao desmoronamento dos antigos impérios e à independência, no ano anterior, do Congo Belga, fronteiriço a Angola, elevou o estatuto das Colónias Portuguesas ao nível de Províncias Ultramarinas e, como tal, a total integração no território português. Isto levou que a guerra, logo depois estendida a Moçambique e à Guiné, começasse a arrastar-se por anos, até ter sido substituído pelo cínico e hipócrita Marcelo Caetano. Pobre Salazar! Mal podia supor que as nossas Províncias de além-mar acabassem nas mãos dos comunistas, os seus piores inimigos.
Uma vez no poder, Marcelo Caetano tentou continuar o Salazarismo sem Salazar.
Assim, no primeiro discurso na Assembleia Nacional, começou por frisar que,  primeiro que tudo, era não descurar um só momento a defesa do Ultramar. Eu, que cerca de dois meses antes tinha chegado de Angola depois de dois anos naquela Província, ou Colónia, em cumprimento do serviço militar obrigatório, franzi o sobrolho ao ouvir e ver pela TV aquela afirmação. Afinal, e no que respeitava à guerra, ficava tudo na mesma; mas, o cinismo daquele homem, depressa calou aqueles que acreditaram numa “Primavera Marcelista”.
Assim, a “PIDE” passou a chamar-se “DGS” (Direcção Geral de Segurança); a Censura passou a ser designada por “Exame Prévio” e as Províncias Ultramarinas passaram a ter o estatuto de “Estados”, numa frágil mudança para tentar convencer o mundo que se tratava, efectivamente, de territórios autónomos. Para completar a “mudança” de regime até inventou esta deliciosa frase:  “evolução na continuidade”.
Mas, aquela guerra em três frentes não podia continuar. A juventude começava a desertar, a fugir para o estrangeiro ou a desistir de continuar a estudar. Volta e meia surgiam nos jornais, com um mínimo de destaque, os títulos fatídicos: mortos ao serviço da Pátria. Seguia-se um pequeno texto a informar que morreram em combate os soldados e primeiros-cabos os fulanos tais e tais. Apenas isto numa das páginas interiores dos jornais.
Porém, e ao contrário do seu antecessor, Marcelo Caetano soube tirar proveito da televisão onde, periodicamente, apresentava as suas famigeradas “conversas em família” para fazer propaganda da sua política. Mas, não era só entre a juventude, militarizada à força, que começava a reinar o descontentamento. Marcelo não sabia, ou fingia não saber, que os oficiais e sargentos, já cheios de dinheiro e também, façamos justiça, cansados com consecutivas comissões no Ultramar, começavam a conspirar contra aquela guerra sem fim à vista.
Se já havia capitães milicianos, como foi o caso do comandante da Companhia na qual estive integrado em Nova Caipemba, no norte de Angola, e que declarava a torto e a direito que era gerente de um banco em Faro e que se estava borrifando para a guerra (ainda hoje pergunto como foi possível passar dois anos numa autêntica bandalheira sem a PIDE ou os altos comandos militares saberem), já se comentava com ironia que viria o tempo dos generais milicianos.
Como graças a Salazar Portugal não sofreu os horrores da Segunda Guerra Mundial, e a guerra “fria” que logo começou entre os Estados Unidos e a União Soviética mantinha o mundo numa paz mais firmada pelas bombas atómicas do que pela diplomacia, seguir a carreira militar como profissão tinha muitos atractivos, quanto mais não fosse pelo facto de se ter promoções e ordenados vitalícios. Por isso, havia uma grande concorrência à Escola do Exército, depois pomposamente designada por Academia Militar, onde não havia mais nada que fazer do que obrigar os recrutas que cumpriam o serviço militar obrigatório a serem seus lacaios e passear os galões pelo Rossio para fazer saltar os olhos das órbitas das meninas casadoiras. Tudo bem até aqui.
Mas eis que surgiu a guerra em África, e os pedidos para entrar na aludida Academia caíram a pique. Não é de admirar porque as regalias que tal profissão oferecia mantinham-se na mesma, e as comissões que se recebiam em África atingiam mais do dobro do ordenado base. Mas, como diz o velho ditado, quem tem cu também tem medo.
Assim, a falta de oficiais e sargentos, que já se fazia sentir no final da década de sessenta do século passado, levou Marcelo Caetano a fazer a maior asneira da sua vida. Para estimular os capitães milicianos, decretou que, após um ano de preparação intensiva, estes entrassem nos quadros do exército ao lado dos profissionais. Ora estes últimos para chegarem a alferes tinham que fazer a recruta como simples cadetes, passarem a aspirantes a oficiais e depois a alferes. E, mais alguns anos depois, e após a passagem por tenentes, é que chegavam a capitães. Foi este o verdadeiro e principal motivo do golpe de estado do 25 de Abril de 1974, e não “libertar” Portugal do regime que há mais de quarenta anos o amordaçava. Caetano ainda voltou atrás revogando o decreto, mas já era tarde. A semente da revolta já estava lançada.
Entretanto, em 1973, a Guiné já proclamara unilateralmente a independência logo aceite pela maioria da comunidade internacional. Só por cá é que tudo ficou calado, tendo os Portugueses sabido da “bronca” pela imprensa estrangeira, logo desmentida pela propaganda do regime.
Mas, eis que rebenta mais uma bomba: o general António de Spínola acabara de publicar um livro intitulado “Portugal e o Futuro” que escapara ao “exame prévio” devido à alta patente do seu autor. Nele propunha-se uma federação constituída principalmente por Portugal, Angola e Moçambique. Quanto à Guiné abandonava-se pura e simplesmente, até porque já dispunha de mísseis fornecidos pelos Soviéticos. Além de não se poder lutar contra tal armamento e a contínua perda de vidas portuguesas, aquele território só interessava aos pretos, mosquitos e crocodilos. Spínola sabia-o bem, pois fora governador daquela Província Ultramarina.
A 16 de Março de 1974 inicia-se, nas Caldas da Rainha, uma marcha de tropas a caminho de Lisboa, mas esta primeira tentativa é repelida e os seus chefes presos. Dias depois, os altos comandos militares, vão a S. Bento afirmar a Marcelo Caetano que as Forças Armadas estão unidas e apoiam o Governo. Aqueles senhores passaram para a História como sendo a “Brigada do Reumático”. É óbvio que o general Spínola, entretanto demitido de comandante supremo das Forças Armadas por causa do seu livro, não compareceu. Ainda hoje pergunto como sendo Caetano um homem inteligente, embora hipócrita como todos os que lhe foram prestar juramento, acreditou naquilo que lhe disseram. Por outro lado, sabe-se que já apresentara a sua demissão ao presidente Américo Tomás, que recusou o pedido. Se fosse outro, provavelmente abandonaria o lugar e o presidente que nomeasse um substituto. Teria sido poupado aos vexames a que se sujeitou.
Mas, perguntarão os meus leitores, porque é que este tipo nos está a contar esta história toda? Tenham calma que já lá iremos. Entretanto vou ao frigorífico buscar mais uma cerveja. Mas, continuemos.
Finalmente, e como toda a gente sabe, na madrugada do dia 25 de Abril iniciou-se outro movimento que triunfou. Foi, então, nomeada uma “Junta de Salvação Nacional” constituída por sete militares de alta patente e presidida pelo general Spínola.
Na sua primeira proclamação ao País sobressaía que, para já, Portugal mantinha a sua posição de estado pluricontinental. Ora o que Spínola não sabia (ou fingia não saber) era que nas Forças Armadas militavam muitos comunistas, entre os quais o almirante Rosa Coutinho, um dos elementos da Junta  de Salvação Nacional. E foi o Partido Comunista Português, se bem que na clandestinidade durante a ditadura do Estado Novo, o único que estava suficientemente organizado para o assalto ao Poder que a liberdade agora conseguida lhe concedia. Foi um erro tremendo a sua legalização, bem como a autorização concedida ao seu chefe, o sinistro Álvaro Cunhal, para voltar  do estrangeiro onde se encontrava exilado.
Spínola não teve pulso para uma transição pacífica para uma democracia partidária Cercado pelas tropas revoltosas no quartel do Carmo, Marcelo Caetano chamou-o  para tomar conta do País afim de evitar que o poder caísse na rua e, pouco tempo depois foi proclamado Presidente da República. Mas, não foi só o PCP o responsável pela anarquia que em breve começou a espalhar-se pelo País. À sua esquerda, quais Jacobinos às ordens de Robespierre, formaram-se cerca de doze grupelhos partidários das políticas de Estaline e Mao-Tsé-Tung.
Como paradoxo às políticas daqueles tiranos, em breve surgiram as greves e todo o tipo de reivindicações que quase levaram Portugal à bancarrota. Não foi preciso muito tempo para que a nossa moeda, o escudo, fosse desvalorizada, perdendo o seu estatuto de moeda forte aceite pela maioria dos países. Também começaram as ocupações de propriedades, os assaltos e a formação de gangs de criminosos que ainda hoje persistem.
Uma vez perdida toda a capacidade de mandar e pôr ordem no caos que aumentava de dia para dia, Spínola resignou ao cargo de Presidente da República, tendo sido substituído pelo general Costa Gomes.
Mas, todos os acontecimentos, por mais horrorosos que sejam, têm sempre a sua parte cómica, nem que seja humor negro de fraco gosto. Assim, sucedeu ao Primeiro Ministro Palma Carlos (que se demitiu pouco depois de nomeado) uma figura digna de uma ópera cómica: o coronel (depois julgo que general) Vasco Gonçalves. Os seus discursos inflamados, com os cabelos despenteados e um papel já meio esfarrapado na mão, ainda hoje fazem-me rir. Comunista convicto, idealista, lunático, auto-convenceu-se que conseguiria impor o “paraíso” comunista no nosso País. O seu último discurso em Almada, cujo texto se encontra  na internet, só não faz rir porque faltam as imagens, a que assisti em directo pela televisão.
E, vem a propósito no âmbito da parte cómica de toda aquela situação, recordar que um grupo de pândegos anónimos que se intitulavam anarquistas, volta e meia escreviam frases nas paredes das quais, infelizmente, só recordo quatro. Em relação ao citado Vasco Gonçalves, passado à História como “Vasco louco”, escreveram no muro no Hospital Júlio de Matos em Lisboa (hospital para doentes mentais), as seguintes frases: “Vasquinho, volta para casa” e, algum tempo depois, “já que não vens ao menos toma os remédios”. As outras duas surgiram nos cemitérios e rezavam assim: “a terra a quem a trabalha; mortos fora dos cemitérios” e “mortos das valas comuns; ocupem os jazigos”. Sempre o bom humor do nosso povo.
Voltando ao lado sério, há que salientar que a situação caminhava para os extremos a que chegou a Revolução Francesa. Em Março 1975 um casal foi assassinado por rajadas de metralhadora quando recusou que a populaça apoiada por militares revistasse o seu carro. Havia barreiras de populares que mandavam parar os carros para verificar se tinham armas, motivo para serem logo acusados de fascistas se, por acaso tinham alguma. Isto também aconteceu comigo e a minha mãe foi insultada por populares por andar na rua com um já velho casaco de peles.
Na prisão de Caxias havia mais presos políticos do que no tempo de Salazar e Caetano. Um capitão chamado Otelo Saraiva de Carvalho, recentemente falecido e que fora o estratega do 25 de Abril, dava-se ao luxo de passar mandados de captura em branco, tendo ameaçado encher a praça de touros do Campo Pequeno com “fascistas” e fuzilá-los, tal como Pinochet fizera no Chile em relação aos comunistas.
É interessante ver como os extremos se tocam. Além disso, com outros comparsas, tentou transformar o golpe de estado numa revolução seguindo os princípios de Vasco Gonçalves.
Tendo obtido apenas cerca de quatorze por cento nas primeiras eleições, o PCP teve de se confrontar com a poderosa força das gentes nortenhas. Em Rio Maior surgiram placas nas estradas que conduziam ao Norte com a seguinte legenda: “aqui começa Portugal”. E não tardou que as sedes do PCP e dos outros grupelhos mais à esquerda fossem assaltadas pelo povo, que atirou tudo o que encontrou pelas janelas.
Finalmente, e depois da demissão forçada de Vasco Gonçalves, o almirante Pinheiro de Azevedo que lhe sucedeu, começou a pôr as coisas em ordem, tendo a utopia comunista findado com o golpe de 25 de Novembro de 1975, realizado pelo  comandante dos “Comandos” Jaime Neves secundado pelo general Ramalho Eanes no ano seguinte eleito Presidente da República. Portugal voltava assim a uma normalidade agora baseada numa democracia multipartidária que, infelizmente, começou a enriquecer políticos desonestos e outros que se aproveitaram da Constituição firmada em 1976 e ainda vigente.
Quanto ao Ultramar, esse foi pura e simplesmente entregue de mão beijada aos partidos comunistas que por lá surgiram e em detrimento de outros. Vasco Gonçalves chamou-lhe “descolonização exemplar” à tragédia das guerras civis que logo começaram, e à fuga da esmagadora maioria dos brancos. Tratava-se de impor um regime político absolutamente estranho ao ancestral tribalismo e pôr os pretos espertalhões, como os Santos e os van Dunen a escravizar os seus próprios povos.
Agora, finalmente, vamos ao assunto que motivou a redacção deste artigo.
Quando o Ex.mo Senhor Paulo Portas foi ministro da defesa (não sei porque é que os países têm este tipo de ministério, já que nenhum tem o ministério do ataque) num gesto de pura gentileza, lembrou-se de que ainda havia alguns sobreviventes da chamada Guerra Colonial, e decretou que fosse paga a cada um a choruda quantia de 150 euros por ano. Foi um gesto magnífico que aumentou consideravelmente as reformas dos contemplados.
Depois, no governo do Ex.mo Senhor Passos Coelho, alguém achou que era muito dinheiro, e tirou três euros àquela citada quantia, Tudo bem até aqui. No poupar é que está o ganho.
Mas, eis que SESSENTA ANOS DEPOIS do início da guerra, e quando, como é óbvio, já poucos de nós restam neste mundo, o actual governo acena com mais dádivas de gratidão aos ex-combatentes. Tudo começou com uma carta que recebi de uma tal Direcção-Geral  de Recursos da Defesa Nacional. Ao princípio pensei que era uma brincadeira, apesar do timbre da missiva com a Bandeira Portuguesa em destaque. Acabei por acreditar quando soube que um amigo meu que combateu em Moçambique, também recebeu uma carta do mesmo teor. A desfaçatez do governo leva-me a escrever alguns excertos do conteúdo da carta, assinada por uma tal Catarina Sarmento e Castro.
“Tenho a honra de enviar a V. Exa. o seu Cartão de Antigo Combatente. Este cartão confere aos Antigos Combatentes a designação de Titular de Reconhecimento da Nação, sublinhando o lugar marcante que ocupam na História de Portugal.”
“Como titular deste cartão terá acesso aos direitos consignados no Estatuto de Antigo Combatente, aprovado pela Lei nº 46/2020, de 20 de Agosto, com especial relevo para:
 -Isenção de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde;
 -Gratuitidade da entrada nos museus e monumentos nacionais , bem como nos        
  museus militares;
-Gratuitidade do passe intermodal de transportes públicos das áreas metropolitanas e  
 comunidades internacionais;”
                                               Blá, blá, blá 
“Considerando que é da mais elementar justiça valorizar o contributo daqueles que combateram com coragem, lealdade, abnegação e sacrifício, em vários teatros operacionais, foi criada a insígnia do Antigo Combatente (Portaria nº 3/2021 de 4 de Janeiro, a qual poderá ser requerida pelas seguintes vias:”
                                              Blá, blá, blá.

Posto isto, fico sem saber se é melhor rir, chorar ou mandar esta gente à merda, mesmo que esta fique suja. Com que então contribuímos para a História de Portugal, isto numa altura em que os vilões parecem ter sido nós, que a nossa Bandeira foi insultada por um grupo de pretos em frente à Assembleia da República e um canalha racista chamado Mamadou Bá faz uma conferência apelando à morte de todos os brancos! Desgraçado! Se não fossem os brancos nem sabias o que era um espelho ou um chapéu-de-chuva. Ao menos os japoneses adoram-nos graças às novidades tecnológicas que nós, Portugueses, levámos para o Japão Não se trata de gratidão ou de submissão, mas sim de um mútuo e cordial respeito. E todas aquelas ofensas passaram impunes, apenas assinaladas na Assembleia da República pelo deputado Telmo Correia do CDS.
Mas, há mais: a estátua do padre António Vieira, um dos missionários que se interessou pela triste sorte dos índios do Brasil, foi vandalizada, e há quem queira transformar o Museu das Descobertas em “museu da escravatura” e a nossa epopeia marítima em “primeira globalização”. Até parece que nós fomos os únicos na triste História deste mundo a escravizar outros povos. Este fenómeno social existiu desde sempre e até Platão em “A República” se refere à escravatura como uma espécie de mal necessário. E, será que a escravidão só existiu da parte dos brancos sobre os pretos? Também estes fizeram escravos homens da sua própria raça tal como os brancos também fizeram aos da sua cor. E, em termos históricos, foi há infinitésimas partes de segundo que os nazis e os comunistas escravizaram povos inteiros.
Hoje Portugal vive debaixo da ditadura de um Constituição que caminha para os cinquenta anos, e não há maneira de a modificar pois é necessário o voto a favor de dois terços dos deputados, e a este não lhes interessa fazê-lo.
Baseada nos nossos brandos costumes, Portugal passou a receber pretos, brancos e amarelos (já restam poucos peles-vermelhas para virem, também, para cá) sem investigar a fundo ao que vêm e se são necessários ao desenvolvimento do País, e não criminosos ou, simplesmente, parasitas e concedendo com poucas reticências a nacionalidade portuguesa a essa gente, pergunto-me o que será de Portugal e da Europa, a “soberba Europa” de Camões, nas próximas décadas. Receber temporariamente refugiados de guerra, dar asilo aos que fogem de regimes tirânicos, sim; mas, será admissível adoptar tipos que vêm de países riquíssimos como Angola, Moçambique, Brasil e outros só porque não se sabem governar nem criar infraestruturas para as catástrofes naturais que possam surgir? E não há desemprego em Portugal para justificar que estrangeiros ocupem os nossos postos de trabalho? Porque não fazer como a Austrália que só recebe mão-de-obra qualificada quando não a tem entre os seus cidadãos?. Ainda me lembro da ameaça do primeiro-ministro australiano (não sei se o actual) fez quando disse que “aqueles que escaparem dos tubarões no oceano, têm as cobras venenosas à sua espera no deserto.”
Xenófobo? Racista? Serei ambas as coisas se quiserem porque com a idade que já tenho estou-me nas tintas para tudo o que me chamem, mas é triste ver no fim da vida ao que Portugal chegou. Temos um Presidente da República com muitas qualidades, mas que vai ao chamado “Bairro da Jamaica” defender os que atiraram pedras à Polícia, em vez de ir inteirar-se do estado dos agentes feridos. Agora manda milhares de vacinas contra o “covid-19” para Angola porque é um país pobre. Pobre? É melhor rir para não enlouquecer; basta pensar naquela senhora gaja chamada Isabel dos Santos e em todas as máfias  que a rodeiam.
A justiça não funciona porque o código penal, enredado na maldita Constituição,  permite que os processos se arrastem durante anos até prescreverem. Vejam o caso de Sócrates e não só, que anda a rir de todos nós e a gozar a vida com os milhões que lhe “oferecemos” com os nossos impostos.
Toda a classe política está desacreditada e longe vão as primeiras eleições livres de 1975 em que votaram cerca de noventa por cento dos cidadãos. Agora fica-se pelos quarenta por cento, mas os políticos ficam muito admirados fingindo não saber que a culpa é deles.
A pena máxima é de vinte e cinco anos de prisão, mas passados alguns anos, os condenados estão cá fora a preparar novos crimes. As forças policiais são agredidas e desacreditadas pelos juízes, o que só faz com que muitos polícias virem as costas para não se meterem em sarilhos ou serem apelidados de racistas se derem um simples empurrão a um preto. Todos os anos várias mulheres são assassinadas e “gangues” assaltam pessoas nas ruas. Entre eles há garotos com menos de quinze anos porque são inimputáveis. Coitadinhos! Se um cigano é interpelado por um polícia, chama por telemóvel todo o “familório” todo  em seu socorro, como testemunhei há alguns anos  nas Amoreiras.
Mas, para quê continuar com este assunto quando toda a gente se queixa do mesmo mas resigna-se, à boa maneira portuguesa, dizendo que “é a vida”.
“O fado é o veneno da raça”, diz o inesquecível Vasco Santana no filme “A Canção de Lisboa; e Salazar designava-o como “o exemplo típico das lamurias nacionais”. Agora apareceu um tal André Ventura que tem posto em alvoroço o marasmo da Assembleia da República. Por isso têm-lhe feito a vida negra e tentam com todas as forças pô-lo fora de combate. Mas, não será mais um Sócrates ou um oportunista? A ver vamos.
E fico por aqui. De certo modo este blogue acabou porque estou velho e não tenho pachorra para escrever muito mais. Prefiro gozar o tempo que me resta em coisas muito mais interessantes. Se voltar a escrever será apenas por ter acontecido mais uma bronca jornalística que, aliás, foi o propósito com que este blogue começou.
Obrigado a todos que leram os meus artigos, mesmo àqueles que discordam da minha maneira de ver o mundo, ou seja, este famigerado planeta como costumo dizer.

“Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal”.
(Fernando Pessoa)
Ou dizendo de uma maneira “moderna”: ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas dos escravos pretos levados para as Américas. No fim de contas, também está certo.

 

28/04/2021

 HORROR! HERESIA!


O sagrado “Politicamente Correcto” foi vilipendiado, insultado, esmagado, no telejornal da SIC por um preto, calcule-se.

O caso deu-se na desgraçada antiga Província Ultramarina Portuguesa de Moçambique. O comandante da tropa que anda por lá em Cabo Delgado a fazer não sei o quê, mostrava à jornalista da SIC a tragédia humanitária que se abateu naquela região (abateu-se e não vai ficar por ali; lembrem-se do que estou a dizer).

Mas, deixemos estes trágicos acontecimentos para a África Negra cujos países estão em “vias de desenvolvimento” (oiço isto desde as primeiras independências nos anos cinquenta do século passado, o que me leva a concluir que por lá a única coisa que vai para a frente é o atraso) e citemos Fernando Pessoa: “que me importa os homens que sofrem ou que dizem que sofrem. Sejam como eu; não sofrerão”).

Depois deste breve momento de poesia, vamos ao verdadeiramente horripilante caso que deu origem a este artigo. Não é que, ao ser instado pela jornalista sobre se os fugitivos do massacre eram estrangeiros, o senhor comandante disparou com esta: “sim senhora; eram todos de RAÇA BRANCA!!! Calculem a desfaçatez do bom homem, por certo ignorante da nova censura que reina em Portugal e não só. Se fosse cá, e pondo as coisas ao contrário, ai de quem se atrevesse a referir-se em público ou na TV a qualquer ser humano distinguindo-o dos outros pela raça (perdão, etnia). Mas, etnia também não. Como raio poderemos identificar uma pessoa, no caso de um crime por, por exemplo, se não podemos dizer a cor, se tem os olhos em bico, se é loiro, se tem o cabelo preto ou castanho, se é careca, se é gordo ou magro, se é fabricante de panelas (leia-se paneleiro), se tem algum sinal particular, como constava nos bilhetes de identidade do antigamente, se...basta! Estou farto. Voltemos à hipótese de alguém dizer “eram todos pretos”!

Que falta fazem os campos de trabalhos forçados da Sibéria, berrariam os mais acérrimos defensores do igualitarismo como os meninos e meninas do Bloco de Esquerda que se riem quando o “bombo da festa” (leia-se André Ventura) fala na Assembleia da República, mais a velharia que resta do Partido Comunista. E viria logo a repreensão do Ex.mo Presidente da Assembleia lembrando que aquele local é sagrado e, portanto, merece respeito. Oxalá nunca lhe saia da boca (pode acontecer a qualquer um quando perde as estribeiras), citar frases populares como “isso é uma ciganice” ou “não façam judiarias”. É que a imitação de um par de cornos feita com os dedos, já por lá passou. Mentira?


Nota final: porque será que quando olho para a cara daquele senhor lembro-me sempre de um testículo?  

27/03/2021

 CONFINAMENTO MUSCULADO!


No meu tempo (todas as gerações dizem o mesmo), apareciam sempre uns neologismos que se tornavam moda, mas acabavam por caír no esquecimento.
Quem não se lembra do adjectivo “baril” e das frases “já vais aí”, “até choras para andar de Lambretta”, “lá mais para o Verão”, “ainda lá chegas hoje”, 
“ó sorte malvada” e, ainda a designação de “flausinas” e baubaus” como referência aos meninos e meninas “bem”, palavra que também os qualificava socialmente.
É claro que tudo isto tinha algo de gíria, o que não impedia que – e agora falando mais a sério – os neologismos fossem surgindo para ficar; isto aconteceu desde sempre porque, como é óbvio, as línguas não são estáticas quer na fonética, na morfologia e na sintaxe.
Porém, uma das grandes riquezas da Língua Portuguesa é a enorme quantidade de sinónimos, frases idiomáticas e maneiras diferentes de dizer a mesma coisa.
Mas, não vou alongar-me mais. Esta matéria pertence aos linguistas, mesmo aos traidores que elaboraram o famigerado acordo ortográfico e introduziram a pretice “bué”  no nosso idioma, como se não existisse a palavra “muito”.
O que me irrita é ouvir continuamente repetir a mesma palavra ou frase ao longo do texto; sobre este assunto já escrevi alguns artigos, nos quais me referi às pessoas que não são capazes de arranjar sinónimos chamando-lhes papagaios porque, uma vez ouvida uma “nova” palavra, passam a repeti-la como se não houvesse sinónimos.
Alguns exemplos:
MUSCULADO, como perguntou um jornalista a António Costa referindo-se ao grau de confinamento (mais outra palavra que já cansa ouvir). Até o Presidente da República já utilizou a musculatura a respeito já não se de quê; deve ter sido, também, sobre o recolhimento, encerramento, isolamento, privação de poder dar umas passeatas para a alegria dos cães que passaram a ir dez vezes à rua para regar as árvores...numa palavra: CONFINAMENTO!.
SUSTENTÁVEL e a sua derivada SUSTENTABILIDADE!. 
VIRAL! Esta julgo que tem origem o Brasil, donde vêm os mais incríveis neologismos, para não falar dos nomes próprios que, por si só, constituem um incomparável manancial de boa disposição; valha-nos isso.
RESILIÊNCIA! No que respeita a esta “novidade” (que é tão “nova” que até provém do latim) sou capaz de apostar que a maioria dos portugueses desconhece o seu significado.
ASSERTIVO! Mais outro palavrão desenterrado do latim.
LINHA DA FRENTE! Faz-me recordar a minha ida “aos guerra no N’Gola” e onde tive a sorte de ter tido quase sempre “bué” de garrafas de cerveja à minha frente.
WASHINGTON D(i) C(i)! Que bem que soa o nome da capital dos Estados Unidos da América pronunciado assim. É que como somos todos ignorantes, evita-se a confusão entre aquela cidade e o estado do mesmo nome situado na costa ocidental daquele país. Até que temos de convir que soa muito melhor, quanto mais não seja por ser um nome inglês. Pena é que não contenha nenhum “r” para ouvirmos uma vaca espanhola a mungir com uma batata quente na boca. (peço desculpa por abordar outra vez esta comparação).
POPULISMO! Esta começou a estar na moda após André Ventura ter entrado na política. E bem falta fazia para sacudir o marasmo de compadrio e corrupção que reinam em Portugal. Como disse Marques Mendes, foi ele o grande vencedor das eleições presidenciais. Pela minha parte, porém, receio que seja mais um Sócrates (o português) a juntar às quadrilhas que nos têm governado para orientar as suas vidinhas.
AERONAVE! Embora não esteja errada, trata-se de mais uma brasileirice que está a matar a palavra avião. De facto, balões, helicópteros, aviões, foguetes e agora os “drones” são tudo máquinas voadoras. Mas, em Portugal, desde o início da aviação, e como o francês estava na moda, instalou-se rapidamente a palavra avião, derivada de “avion”. Esta designação foi dada por um dos “Gloriosos Malucos das Máquinas Voadoras” (quem não viu este filme?), o francês Clement Ader que a foi buscar ao latim “ave”. A título de curiosidade, acrescento que aquele “maluco” morreu velho, talvez por o seu “avion”, movido a vapor, só ter conseguido dar uns pequenos saltos nos “voos “ de demonstração. 
EXPECTÁVEL! Como era de esperar, ou “expectável”, é mais uma imitação vinda do Brasil.
TER CERTEZA! (idem). Falta o artigo definido. 
ARRASTO! (idem). Em Portugal diz-se atrito.
CRUCIAL! (idem). Seria interessante usar, uma vez por outra, a palavrafundamental, só para variar.
LETAL. (idem). O abuso deste adjectivo matou os termos mortal e mortífero.
PROGENITOR(A). Quem trabalha na empresa de traduções audio-visuais“Moviola”, parece desconhecer as palavras pai e mãe. É comum assistirmos a um desses maravilhosos documentários sobre a Natureza, e termos de ler o progenitor ou a progenitora (até por duas vezes na mesma frase) durante todo o documentário.
E fico por aqui para não tornar esta lenga-lenga musculada. Por isso, e já que palavras como debate, discussão, em análise, etc. resolveram saltar para “cima da mesa”, deixo esta questão a quem me lê também EM CIMA DA MESA.

PS. Uma curiosidade: há dias ouvi na TV uma senhora francesa referir-se ao trabalho em casa como sendo on ligne. Engraçado, não é?
E, já agora, mais outra: já repararam no pleonasmo inventado pela jornalista Clara de Sousa? Trata-se, simplesmente, de “TOTAL GLOBAL”. E esta, hem? como dizia Fernando Pessa.

01/01/2021

 Preto, negro, negroide, castanho, de cor, etc.

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Não há paciência para aturar as ridículas cenas que se têm passado no futebol e não só.
Aqui, é uma equipa que se retira do campo porque o árbitro se referiu a um jogador pela cor da pele; ali é um jogador que é punido por fazer o mesmo; por cá, um tal Marega sai do campo porque estava farto dos insultos a que era sujeito por parte do público. Sujeito comum: o complexo que essa raça tem em relação à cor da sua pele.
Porque será que isto não acontece com os brancos? E com alguns árabes e indianos que também têm a pele escura? Talvez porque as suas culturas milenares não lhes tenham criado esse complexo, ao contrário dos pobres pretinhos que se deixaram escravizar durante séculos, tanto por árabes e europeus.
Por favor: acabem com essa mania do “politicamente correcto” e, se tiverem dúvidas, arranjem um grande grupo de negros com entradas gratuitas para um jogo de futebol para chamarem à vontade brancos aos jogadores caucasianos. Verão se algum se importa.
Entretanto vamos pagando a um tal senegalês chamado Mamadou Ba que está à frente dessa palhaçada intitulada “SOS Racismo”, e que, segundo julgo saber, é uma filial dessa garotada do “Bloco de Esquerda”. Esse tipo espalha o ódio racial, ataca a nossa História e a Civilização Ocidental, e apregoa a morte de todos os brancos. Factos como este, e que eu saiba, a actual censura não deixa passar na televisão; por isso procurem o nome daquele canalha no youtube, e oiçam o que ele diz.
E, para terminar, também não seria má ideia enviar essa tal Joacine qualquer coisa para a Guiné, de preferência num barco a remos. Pretos como ela e o tal Mamadou Ba, não fazem cá falta nenhuma. Afinal, queriam a independência e vêm atrás de nós?
O problema reside nesta maldita Constituição que permite que nos insultem no nosso próprio País! Para quando uma revisão profunda?


21/12/2020

 JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS E O SEU “BITÔVEN”!

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É fantástico como um jornalista que considero culto pronuncie de uma forma ridícula o nome de Beethoven. Será por piada, já que tem a mania de se fazer engraçado quando apresenta o telejornal da RTP-1, ou é mesmo ignorante no que respeita a um dos maiores compositores de todos os tempos? Prefiro acreditar que com a mania que todos os portugueses têm de falar inglês, o citado jornalista confunda os dois “e” com o som “i”; basta ouvir como pronuncia “Trump”, que mais parece uma vaca espanhola com uma batata quente na boca! Pronuncie à portuguesa, homem! Ou, se quiser, aspire ligeiramente o “h” e ficará praticamente igual ao alemão, gaita. (a interjeição até fica bem, já que se trata de música).
E, já que falei desta endémica faceta lusitana de papaguear todas as línguas do mundo, vou relatar um caso que presenciei in loco (ou no terreno). Vinha com a minha mulher da encantadora ilha do Porto Santo, sobrevoando mares há seiscentos anos navegados por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, eis quando uma passageira se sentiu mal. Como havia duas médicas a bordo, uma portuguesa e uma italiana, passaram o resto da viagem ao pé dela, tendo uma ambulância vindo buscar a senhora após a aterragem.
Estávamos à espera das bagagens quando surpreendi a médica portuguesa a dizer para o presumível marido, com a voz impregnada da mais intrigante admiração: “a minha colega italiana não falava inglês”!!!
Ainda estive para intervir, mas como seria um acto de falta de educação, abstive-me.


07/10/2020

 Adeus, Quino!


Em Dezembro de 2014 escrevi um artigo intitulado Parabéns, Mafalda”, associando-me às comemorações dos cinquenta anos do nascimento da tua “filha”. Agora, ao saber da tua morte, não podia ficar calado e prestar-te uma homenagem póstuma.

Viste a realidade do mundo como ninguém; nunca tiveste a ilusão de um “mundo melhor”; não quiseste ter filhos para não seres responsável por pôr mais seres humanos neste mundo cruel!

Mas, em compensação deste vida à Mafalda e ao seu irmãozito Gui. Tiveste a genialidade de acrescentar à “contestatária” os seus amigos, cada qual com as suas diferentes personalidades tão bem vincadas.

A Susaninha, apenas preocupada em vir a casar com um homem rico e ter muitos bebés; o Manelito, apostado em ser dono de uma grande cadeia de supermercados; o Filipinho, o eterno depressivo e angustiado com o começo das aulas, e incapaz de se declarar a uma miúda de quem gostava; o Miguelito, o tipo de pessoa prática que, apesar de algumas dúvidas, deixa-as para outro dia; os progenitores da Mafalda, o pai apaixonado por plantas e pelo “dois cavalos” que comprou a prestações, e a mãe, a clássica dona de casa da época, e que continua a existir na maior parte do mundo. Finalmente, a minúscula Liberdade, expedita até mais não, filha de um casal de extrema-esquerda, a tal facção de idealistas que quer endireitar o mundo, mesmo que para isso tenham de cometer as maiores atrocidades, como aconteceu (e ainda acontece) nos países comunistas. São os paradoxos da triste condição humana.

Partiste, Quino, é um modo mais suave de dizer que morreste, porque o ser humano gosta de “dourar” as coisas, mesmo que a situação seja a mesma. Sei que não levaste boas recordações deste mundo onde a vida, para sobreviver, se devora a si mesma! O mundo, aquele que conhecemos e que tão bem caracterizaste nas tuas quase duas mil “tiras”, continuará afogando-se na loucura das novas tecnologias e no aumento exponencial de seres humanos, até que estes se devorem a si próprios ou sejam esmagados pelos seus próprios inventos.

Partiste, repito; e, como escreveu Fernando Pessoa, cuja obra não tenho a menor dúvida que leste, “sem ti correrá tudo sem ti”. Fica a tua monumental obra plena de sabor agridoce porque “a miséria do mundo deve provocar o riso nas nossas almas”. (Li-Tai-Pó, poeta chinês do século VIII dC). E já que estamos em momento de poesia, lembrei-me de transcrever este excerto do poema de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) intitulado “Tabacaria”.

...

Mas o dono da tabacaria chegou à porta e ficou à porta.

Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada

E com o desconforto da alma mal entendendo.

Ele morrerá e eu morrerei.

Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.

A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.

Depois de certa altura morrerá a rua em que esteve a tabuleta,

E a língua em que foram escritos os versos.

Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.

Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente

Continuará fazendo coisas como versos e vivendo debaixo de coisas como tabuletas.

Sempre uma coisa defronte da outra.

Sempre uma coisa tão inútil como a outra.

Sempre o impossível tão estúpido como o real.

Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície.

Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

...


06/09/2020

COM PRETO OU SEM PRETO...

Esta que vou contar passou-se nos já longínquos anos 60 do século passado. Portugal concorria aos “Festivais Eurovisão da Canção”, que viriam a tornar-se na palhaçada que é, e por mais que os nossos melodistas* se aprimorassem, ficava sempre nos últimos lugares. A história era sempre a mesma: dávamos cinco pontos à Espanha e esta, amavelmente, devolvia-nos.

Ora aconteceu que, em 1967, o vencedor caseiro foi um preto de seu nome Eduardo Nascimento. Nada melhor para mostrar ao mundo o Portugal pluri-continental do que enviar à final em Viena um cantor daquela raça. Coincidências!

Por essa altura eu encontrava-me em Nova Caipemba (norte de Angola) a cumprir o serviço militar integrado numa companhia de doidos que, a começar pelo capitão miliciano, estava-se nas tintas para a guerra. Tudo isto está escrito na edição privada do meu livro intitulado “A Minha Ida à Guerra Colonial”. Mas, adiante.

Apesar de em Angola não haver televisão, soube pela rádio que Portugal voltara a ficar entre os últimos países. Por outro lado, quando ouvi a cançoneta, intitulada “O Vento Mudou”, não pude deixar de rir com a discrepância de acentuação rítmica entre a música e a letra. “Oiçam, oiçam”, berrava o pobre do cantor acentuando a última sílaba como se aquela forma do verbo ouvir fosse uma palavra aguda! Tudo isto deu origem a um poema satírico que, à boa maneira portuguesa, gozava com a nossa fraca classificação.
Tenho pena de não o ter fixado, apesar de me recordar de tantas anedotas políticas que publiquei neste blogue como os leitores sabem. Só me recordo do final que era assim: “com preto ou sem preto, ninguém grama a gente”.

Mas, a que propósito vem toda esta lenga-lenga? Muito simplesmente pelo “caso Rui Pinto”. Ficámos a saber que quem denuncia toda a canalha que reina entre os políticos, futebol e outros ladrões que andam a roubar Portugal desde o 25 de Abril**, é que vai ser julgado porque, pasme-se, utilizou meios ilícitos. Então porque é que permitem os agentes infiltrados? E se um cidadão ao olhar para as janelas de um prédio frontal ao seu e assistir a um crime, também será julgado por estar a invadir a privacidade alheia? Encantador “estado de direito”, como apregoam aos sete ventos estes políticos de merda. Assim, com preto (actualmente preta) ou sem preto, a Justiça não funciona!


* Utilizo a palavra melodista e não compositor porque a maioria dos chamados compositores ligeiros pouco mais fazem do que inventar uma melodia (que até pode ser muito bela) deixando para outros o complexo trabalho de harmonizar e orquestrar.

** Se tiverem paciência procurem no “youtube” o debate com o jornalista José Gomes Ferreira intitulado “andam a roubar Portugal desde o 25 de Abril”.

19/07/2020


CUIDADO! A NOVA CENSURA ESPREITA!

Chamem-lhe censura ou politicamente correcto. Mas, a verdade é que ela está aí. Nos tempos do Estado Novo, apenas não se podia dizer mal do Governo ou praticar actos contra a segurança do Estado. Pelo menos sabia-se onde estava o risco. Agora tenta-se regular palavras e atitudes para convencer que todos os cidadão são iguais, ou melhor, para que as minorias dominem Portugal. Por isso, aqui vão alguns conselhos:

1- Nunca te refiras a um preto como tal, mesmo que ele seja castanho, mulato ou cabrito. Excepção: Podes dizer que um branco é branco, mesmo que ele esteja chamuscado pelo sol.
2- Se fores branco e naturista, já verificaste que o pénis quando fica erecto, toma o aspecto de um chouriço com aneis brancos e castanhos. Por isso, avisa primeiro a tipa com quem vais ter relações, não vá ela fugir a berrar que fizeste vários enxertos de pilas de brancos e pretos. De qualquer modo, seria uma excelente prova de anti-racismo.
3- Nunca digas raça nem qualquer outro termo que faça a distinção entre os seres humanos. Podes dizer etnia mas é de evitar, pelo menos na comunicação social.
4- Nunca te refiras a um indiano como monhé, e jamais cites o velho ditado que diz que se vires uma cobra e um indiano, mata este último e deixa a cobra em paz.
5- Nunca utilizes a palavra ciganice, pois isso pode ofender essa etnia que, segundo as más línguas, a maioria se dedica ao contrabando e vive em acampamentos rodeados de toda a sucata que encontra.
6- Nunca digas que os Chineses, Japoneses e outros orientais têm os olhos em bico. Nós vemo-los assim porque os nossos olhos são defeituos.
7- Nunca uses o termo judeu quando te referes a usurários. Cada qual utiliza o seu dinheiro como quer, mesmo que seja roubado.
8- Nunca contes anedotas sobre pretos porque podes ofendê-los. Transfere as mesmas para os alentejanos ou outros que não sejam complexados.
9- Nunca digas que eram os próprios régulos africanos que vendiam os da sua raça aos negreiros a troco de chapéus de chuva, espelhos e bugigangas. Isso é uma horrível deturpação da História inventada não sei por quem.
10-Se passares em Belém, baixa a cabeça e não olhes para o Mosteiro dos Jerónimos nem para o monumento dedicado aos Descobrimentos. Eles são a vergonha do nosso Povo porque enaltecem a memória de dezenas de gerações de malandros. Se te custar assumir essa atitude, aproveita e delicia-te com os famosos pasteis de Belem.
11-Jamais te refiras aos territórios portugueses de além mar como Províncias Ultramarinas ou Ultramar Português. O termo correcto é Colónias.
12-Nunca ponhas a hipótese de os pretos viverem pior do que quando estavam lá os brancos. Estes nunca levaram para lá os progressos da medicina e das tecnologias. Aquelas imagens que vemos de crianças esqueléticas, com os ventres inchados e rodeadas de moscas são falsas. Confirma com a Isabel dos Santos.
13-Lembra-te que o racismo só existe nos brancos em relação aos pretos e nunca o contrário. Quando há assassínios de brancos perpetrados por pretos, trata-se de uma simples e natural homicídio; quando há massacres entre tribos de pretos, a culpa também é dos brancos que traçaram fronteiras à régua.
14-Tem sempre cuidado quando falas de racismo. Quando o deputado do “Chega” André Ventura disse no Parlamento que ia dizer algo que poderia ser considerado racismo, foi logo avisado por Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia da República que “era melhor não fazê-lo”. Mas, sem se intimidar, ele disse que “não há nenhum distrito em Portugal onde não haja problemas com a etnia cigana”. (Eu próprio já tive problemas com eles).
15-Nunca trates por selvagens os povos que ainda vivem praticamente na Idade da Pedra. Apelida-os, simplesmente, de primitivos actuais, embora a etimologia da palavra se refira a quem vive na selva.
16-Tem sempre presente que os pretos que vivem nos Estados Unidos são denominados afro-americanos, como se não houvesse brancos nascidos na África. De qualquer modo, e seja qual for a denominação, trata-se de um lamentável acto descriminativo.
17-Se fores na rua e vires uma pessoa conhecida ao longe, toma cuidado com o gesto que fazes com o braço para lhe chamar a atenção. É que alguém pode julgar que estás a fazer a saudação romana, muito posteriormente adoptada pelo Nacional-Socialismo alemão, mais conhecido por nazismo. Se alguém te chamar a atenção, fecha o punho como símbolo do comunismo. Embora este sistema tenha cometido tantos crimes como o outro, trata-se apenas de pontos de vista políticos.
18-Em presença de “fascistas de esquerda” e por uma questão de boa educação nunca fales dos “Arquipélagos-Goulag”, da “Revolução Cultural Chinesa” ou da imediata transformação do campo da morte de “Auschwitz” noutro campo de extermínio, desta vez sob as ordens de Estaline. Assim, evitas desmentidos e discussões inúteis.
19-Se fores responsável por uma cantina, nunca sirvas carne de porco se lá estiverem muçulmanos. Pede respeitosamente desculpa pela tua ignorância, e vai à cozinha mandar que lhes seja servido outro prato. Mas, primeiro, certifica-te que não há nenhum comensal indiano, não vás cometer uma segunda asneira servindo um bife de vaca. Se ficares enrascado, vai à rua e arranja um burro; há por lá muitos e ninguém notará a diferença.
20-E, para terminar, segue-se os versos de uma canção muito em voga nos anos quarenta do século passado. Duvido que hoje alguma estação de rádio tenha a coragem de a pôr no ar. Também o filme “Chaimite”, sobre a guerra contra os Vátuas em Moçambique, parece ter sido saneado dos programas televisivos dedicados ao cinema português. Coisas!
Voltando à canção, que tem como título “Canção do Cigano”, podem ouvi-la no youtube na voz “melaça” de Alberto Ribeiro, cantor e artista de cinema português (1920-2000).


P’la raia de Espanha, nas sombras da noite,
Passava um cigano no seu alazão, (1)
O vento brandia seu nórdico açoite,
E as folhas rangiam caídas no chão.

E já embrenhado no Alto Alentejo,
Nas sombras da noite tingidas de breu,
Nem mais uma praga, nem mais um desejo,
Aos ecos distantes o pobre gemeu.

Não há maior desengano,
Nem vida que dê mais pena,
Do que a vida de um cigano;
Atravessar a fronteira,
Para ser atravessado
Por uma bala certeira.
E tudo porque o destino,
Só fez dele um peregrino.
Companheiro do luar,
Um pobre judeu errante
Que não tem pátria nem lar.

E o contrabandista temido e valente,
Voltava de Espanha no seu alazão,
Um tiro certeiro, um braço dormente,
E um rasto de sangue marcado no chão.

E já embrenhado no Alto Alentejo...
(o texto é todo repetido até ao fim)

(1) Para quem não saiba, alazão é uma raça (perdão, etnia) de cavalos.





06/07/2020

AVÉ-MARIA DE SCHUBERT OU DE GOUNOD?

O jornalista José Alberto Carvalho (está na berlinda) disse que o presidente Bolsonaro mandou tocar a “Ave-Maria” de Schubert a respeito já não sei de quê. Ora o que ouvimos foi a “Ave-Maria” de Gounod, ou melhor, de Bach/Gounod. Parece estranho, não é? Mas eu explico. O primeiro prelúdio da monumental obra de Bach “Das Wohltemperierte klavier" (O cravo bem temperado) serviu de base (vulgo acompanhamento) à célebre melodia que Charles Gounod compôs cerca de dois séculos depois. O efeito, como se sabe, é excelente e quase toda a gente a conhece, tal como a outra “Ave-Maria”, a de Franz Schubert.
Depois de ter ouvido a primeira na transmissão televisiva do Brasil, num detestável e desafinado arranjo (julgo que para violino e acordeão), fiquei admirado por José Alberto Carvalho não ter corrigido. Será que não conhece estas duas “Ave-Marias”? Duvido, já que se trata, repito, de duas pequenas obras-primas que quase toda a gente conhece. 
Ou, então, foi o Bolsonaro que baralhou tudo; dele e do Brasil tudo é de esperar.


21/06/2020

E TUDO O VENTO ESTÁ A LEVAR!

“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. O desprezo pelas ideias aumenta dia a dia (...) não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida.”
Eça de Queiroz, pois claro; sempre actual neste ditoso País!
A Bandeira Nacional foi ofendida por um preto que até teve a lata de dizer que devia ser substituída por outra e nunca mais se falou no assunto.
Os Descobrimentos são considerados uma vergonha nacional.
A concretização de um museu dedicado a Salazar é uma heresia.
Os heróis são considerados torcionários e os cobardes heróis.
As estátuas são vandalizadas porque os representados são “negreiros”. Nem o bom padre António Vieira, que protegeu os índios e era contra a escravatura e a Inquisição, escapou da fúria desta canalha que anda por aí.
Um grupo de idiotas inventa um “acordo ortográfico” para adaptar a nossa escrita ao “brasileirês” e ao “pretoguês”, dando uma grande facada na cultura portuguesa, como afirmou Vasco Graça Moura.
A deputada preta que só gagueja quando quer, não larga o “tacho” apesar de ter sido expulsa do partido que a colocou no Parlamento.
Uma deputada branca tem o despudor de pintar as unhas mesmo ao lado do primeiro-ministro, enquanto outro é apanhado pelas câmaras da TV a dormir.
Se um polícia bate num preto é racista; se for num branco é uma agressão.
E podia continuar mas prefiro ir directo aos factos.
Tudo começou com o assassínio de um preto nos EUA por um polícia que tudo indica saber o que estava a fazer, já que a vítima se queixava de não poder respirar. É condenável a todos os títulos, mas isso é com a justiça americana.
Tal facto, infelizmente banal num país sem rei nem roque, bastou para que uma onda anti-racista primária varresse o planeta. Isto porque o homem era preto (afro-americano, como por lá se diz); se fosse branco, é óbvio que não seria notícia para tanto estardalhaço.
Até o filme “E TUDO O VENTO LEVOU” (julgo que foi o primeiro filme a cores), e que é uma autêntica obra-prima na história cinematográfica, foi votado ao ostracismo.
Já agora espero que façam o mesmo à aventura de Astérix “O Domínio dos Deuses”, onde entre vários escravos brancos e pretos (até há um Lusitano) o chefe dos segundos vem pedir ao centurião que lhe dê umas chibatadas porque “se sente cansado”; e, também, à aventura de Tim-Tim, “Carvão no Porão”, onde o capitão Hadock perde a paciência ao tentar explicar um determinado assunto a um grupo de pretos.
Mas a maior estupidez que acaba por cair tanto no ridículo como no patético, é a tentativa de remoção da estátua de Cristóvão Colombo. Será que esses imbecis que se julgam americanos não sabem que são todos descendentes de europeus, e que os verdadeiros americanos que escaparam à avidez pelo ouro encontram-se em reservas para turista ver? Se não fosse Cristóvão Colombo, Américo Vespucio e outros, onde estariam agora os actuais europeus que se intitulam americanos e que devem o nome ao segundo navegador?
Passemos, agora, ao fenómeno escravatura. Esta existiu desde sempre e até Platão, na sua “República”, defende-a com a lógica da época não vendo alternativa para a sua extinção. Porque os acontecimentos históricos têm de ser vistos na época em que se deram e, para entendê-los, há que aceitá-los como a mentalidade desses tempos os entendia.
Nós, portugueses, somos acusados de ter começado a escravatura negreira à medida que avançávamos pela costa ocidental da África. Mas, porque é que não se diz que os Árabes já havia muito tempo que faziam o mesmo na costa oriental do mesmo continente? Seremos nós os únicos “maus da fita”? É óbvio que depois da descoberta do Brasil e com o incremento da produção açucareira naquele território (o açúcar era um luxo na Europa pago a preço de ouro) se fosse buscar mão de obra a África onde os pretos, raça naturalmente submissa e indolente (ai a censura), viviam quase na Idade da Pedra. Eram, como se dizia, uma raça selvagem, isto é, que vivia na selva. Isto nada tem de ofensivo, embora passasse a significar uma hipotética inferioridade em relação aos europeus, donos de uma cultura técnica e artística que suplantava de longe a raça negra. O porquê deste fenómeno ultrapassa o meu conhecimento, como demonstrei nos artigos que escrevi dedicados à eugenia, mas que é real, disso não tenho dúvidas, mesmo pressionado pelo chamado “politicamente correcto”.
A escravatura negreira tornou-se tão natural que havia empresas e sociedades anónimas dedicadas a esse horrendo negócio como se tratasse de um produto qualquer. Havia accionistas que investiam nessas instituições sem nunca terem visto a “mercadoria”; para as gerações que se sucederam durante séculos as coisas foram sempre assim, e até a Igreja Católica de Roma, salvo raras excepções, não se opunha. Porquê, então, mudar o que era considerado “natural”?
Outro fenómeno próprio do ser humano é a ganância. Porque não me venham com a velha história de que a Epopeia das Descobertas iniciada por nós foi para “espalhar a fé e o Império”. A ideia fulcral era chegar à Índia por mar e trazer de lá as especiarias de um modo mais seguro e barato do que por terra. Mas, quem não gostou nada da aventura de Vasco da Gama foram os Árabes, já que passaram a ter de lidar com a concorrência. E, então, as escaramuças começaram.
Mas, não foi só com os Árabes que tivemos de nos haver. Em breve os Espanhóis, mais tarde seguidos por Franceses, Ingleses e Holandeses viriam guerrear connosco e, como é óbvio, também entre eles. É, infelizmente, a lei da vida que, para sobreviver, tem de alimentar-se de si própria.
Mais expeditos foram os Espanhóis. Com poucas centenas de homens comandados por Cortês e Pizarro, liquidaram pura e simplesmente as três civilizações pré-colombianas existentes na América. Não sei se em Espanha existem estátuas destes dois aventureiros dominados pela febre do ouro. Se existem não lhes auguro longa existência, a menos que esta histeria anti-história acabe. Por sua vez os Ingleses ocuparam a Austrália e a Nova-Zelândia, mandando os aborígenes que também viviam na Idade da Pedra, para as urtigas. É assim o mundo, infelizmente.
Pela minha parte sempre achei que dos acontecimentos históricos não vale a pena pedir desculpa. É inútil e só serve para acirrar os ânimos e, isso sim, incitar ao racismo.
Qual foi o povo ou país que, ao longo da sua história, não não massacrou, roubou e escravizou outros povos, ou mesmo entre si em guerras civis? Pela nossa parte teremos mos de arrear a estátua de D. Afonso Henriques e de todos os guerreiros que lhe sucederam? E, porque não, o mosteiro dos Jerónimos e o padrão dos Descobrimentos? E o que fazer da estátua de D. Nuno Álvares Pereira, agora armado em santo pela santíssima igreja de Roma? Ora, vão à merda seus traidores do c...!
Por esta ordem de ideias temos a história do lobo e do cordeiro: se não foste tu, foi teu pai. Vá! Toca a pedir desculpa aos Árabes por terem sido expulsos da Península Ibérica; por sua vez estes devem pedir desculpa aos descendentes dos godos, visigodos, vândalos e demais “bárbaros” que fizeram o mesmo; estes últimos aos Romanos, estes ao Gregos e... porra, porra e mais porra até nas profundezas do Inferno.
Entretanto, na África, volta e meia o tribalismo provoca autênticos massacres entre os pretos. Mas isso é uma notícia de terceiro plano. O problema é quando um branco mata um preto, o que prova a descriminação racial da maioria dos jornalistas
E vou ficar por aqui.
Chega! Estou farto!

13/05/2020


A DESCRENÇA DOS CRENTES

Francamente! Quanto mais velho vou ficando, cada vez me entendo menos com este famigerado planeta e as suas gentes. Julgava que isso não era possível, mas esta pandemia teve o condão de pôr os meus neurónios num curto-circuito que estoirou com os poucos disjuntores que ainda possuo no cérebro.
Hoje, 13 de Maio, dia comemorativo da primeira encenação do Teatrinho das Aparições em Fátima, os crentes ficaram em casa com medo do contágio. Mas, então, que confiança é que têm na tal Maria (neste caso a de Fátima) que até já “curou” alguns doentes conforme as promessas que lhe fizeram? Porque não foram para lá de velinha na mão, rastejar como um réptil e cantar aqueles hinos (por sinal bem bonitos) para destruir essa obra de Satanás chamada “Covid-19 ? (para o Trump, foi obra dos chineses). Não é preciso ser nenhum génio para perceber que essa gente não confia na divindade em que acredita e que isto de questões de fé, quando as coisas se complicam, só faz jus ao velho adágio que diz que “quem tem cu também tem medo”. Ou não será? Pois se são as próprias chefias as primeiras a incentivar o confinamento, a começar pelo Sumo Pontífice? (durante algum tempo julguei que sumo pontífice era a urina do papa).
Catástrofe, devem pensar todos os que em Fátima usufruem dos chorudos lucros da Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada criada em 1917 por um tal cónego Formigão.
Sede pacientes e não queiram tudo, digo eu; olhem que Jesus (o alcunhado de Cristo, que em grego significa ungido) disse que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no “Reino dos Céus”). Mas, de frases feitas está o planeta inundado, e, com algumas oferendas, promessas, uma tonelada de vaselina e alguma força, pode ser que se consiga fazer passar um camelo; ou um dromedário, que só tem uma bossa. Quem gosta de buracos apertados sabe como é.
Já agora, uma pergunta? Porque não passar o festival do 13 de Maio para o mesmo dia de Agosto? É que nesse dia de 1917 os três pastorinhos (leia-se três crianças sequestradas) ficaram na casa do governador de Ourém brincando com os seus filhos, livres da pata da padralhada. Portanto, não houve representação no “teatrinho” e o público, mesmo sem ter pago bilhete, ficou defraudado. Mas, não há problema, pensaram logo os imaginativos encenadores. Em Outubro até vamos pôr o Sol a bailar. E assim foi, mas só para alguns fanáticos que contaminaram o resto da multidão interpretando um banal fenómeno meteorológico como se fora uma “dança”. É curioso como o resto do mundo e os astrónomos não deram por tal. Sempre há gente muito distraída!
Mas, não foi só o ramo politeísta do Cristianismo de Roma que teve medo. Pois se até os muçulmanos não fizeram a habitual peregrinação a Meca. (Deixa-me estar calado, não vá aparecer por aqui um homem-bomba a caminho de um planeta onde o esperam não sei quantas virgens!)
E, para terminar, apenas uma pergunta: porque é que os astrólogos, videntes, quiromantes, cartomantes, adivinhos e toda essa seita de oportunistas que vive da crendice humana, não previu o aparecimento do vírus? Peço que alguém me responda, se for capaz!