06/11/2009

CAIM! CAIM! CAIM…! (1)

MAIS UMA DISPARATADA POLÉMICA
NESTE DISPARATADO PLANETA

“Caim! Caim! Caim”…! Esta onomatopeia de gritos de dor usada nas bandas desenhadas, não corresponde, decerto, aos que se ouviam nas sinistras caves da “Santa”Inquisição, instituída pela “Santa” Madre Igreja, quando arrancava, através das mais diabólicas torturas, as “confissões de heresia” àqueles que, com ou sem fundamento, caíam nas suas garras. Seriam certamente urros inumanos que as espessas paredes daquelas caves abafavam, ou que ecoavam pelos ares quando as primeiras chamas começavam a lamber os pés dos condenados à fogueira nos espectaculares “Autos-de-Fé “. E o deus da Bíblia permitiu que os homens por ele criados, à sua imagem e semelhança cometessem, em seu nome, actos mais próprios de um ser diabolicamente sádico do que de um Deus infinitamente bom e que tudo perdoa.
E, já agora, convém lembrar, e isto é apenas um pequeno exemplo da nossa História, que o garoto-rei D. Sebastião, digníssimo netinho e sucessor de D. João III ,“O Piedoso"(!), introdutor da Inquisição em Portugal, foi propositadamente a Évora assistir ao grandioso espectáculo da queima em vida de mais de uma dezena de hereges. Depois arvorou-se em D. Quixote lusitano, e lançou-se na paranóica aventura marroquina com as consequências que todos sabemos. Ao menos, o também demente personagem de Cervantes limitava-se a combater carneiros e moinhos de vento.
Erros humanos, justificarão os que crêem e seguem essa igreja. Mas como conciliar tamanhas monstruosidades com uma instituição que diz representar um deus com os maravilhosos predicados que apregoa ?
Vem isto a propósito da disparatada polémica que, mais uma vez, surgiu entre José Saramago e a dita igreja, com os seus actuais, dignos e respeitáveis inquisidores, surgidos da poeira do tempo, a defenderem e a impor os seus paradoxos e frustrações a que chamam fé.
Alguém se lembra ainda de um tal Kruz Abecassis, já falecido, e que enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa mandou demolir o cine-teatro Monumental e ameaçou destruir (talvez por força do hábito) o cinema onde se ia estrear o filme “Je Vous Salue Marie?
E de Sousa Lara, antigo subsecretário de estado da cultura, que tirou “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu porque, segundo esse fanático, a obra não representa Portugal?
Apareceu agora um senhor Mário David, deputado do PSD em Bruxelas, a pedir a Saramago que mude de nacionalidade. Só nos faltava mais esta. Ficávamos apenas com o Prémio Nobel atribuído, em 1949, ao Prof. Egas Moniz pela descoberta da leucotomia pré-frontal, há muito posta de parte, mas que na época permitiu um controlo razoável dos doentes com esquizofrenia. Talvez não fosse má ideia voltar a aplicá-la àqueles que pretendem ver e impor tudo como querem que seja, ignorando o mundo que os rodeia, a bem da “moral e dos (chamados) bons costumes”.
Temos assim três grandes Inquisidores do nosso tempo: um ex-presidente de câmara, um ex-subsecretário de estado da cultura, e um actual deputado a representar Portugal no Parlamento Europeu. Tivessem eles vivido uns séculos atrás e teriam feito inveja a Torquemada. O primeiro fazia a pira; o segundo lançava-lhe fogo, para gáudio do anterior; o terceiro erguia a cruz para mostrar ao condenado, contorcendo-se e lançando gritos lancinantes no meio das chamas, como a misericórdia e perdão do Deus da Igreja Católica funcionam. Talvez os gritos fossem psico-somáticos, servindo a cruz de anestésico.
Não sou comunista e, de um modo geral, a Política pouco me interessa, visto que tenho coisas muito mais interessantes em que pensar. Mas respeito os ideais desse génio da literatura que se chama José Saramago. Como escrevi no artigo anterior, sempre procurei no eclectismo, seja qual for o tema, um modo de viver neste mundo de contradições.
Quanto à existência de Deus sou agnóstico e, como tal, não perco tempo em debates inúteis. No entanto esclareço que fui educado e obrigado a crer nos ensinamentos da Igreja Católica, ser forçado a assistir à missa dominical, e ouvir o catequista sem poder fazer perguntas. Porém, ao olhar o mundo que me rodeava, muito cedo comecei a duvidar de tantas coisas disparatadas e paradoxais que me impingiam, e que tinha de aceitar sem protestar. Era o o todo poderoso dogma castrador das mentes! Não vou, para já, expor essas contradições aqui. São tantas que resolvi deixá-las para outro texto. No entanto, vou citar uma que, pela sua comicidade, ainda hoje me faz rir, bem como a alguns dos meus amigos aos quais tenho contado. Ouvi-a nos anos cinquenta da boca do prior da Igreja de S. João de Brito, situada no bairro de Alvalade, na altura o mais moderno de Lisboa. Durante a chamada “prática”, esse senhor não arranjou melhor coisa para dizer que, no Verão, Deus enviava as moscas para nos castigar!!!. Espantoso, não é? E eu, com os meus dez ou onze anos, olhava para todos aqueles adultos que, respeitosamente e sem protestar, engoliam semelhante patranha que tanto tinha de ridículo como de absurdo.
Mas voltemos a Saramago ao qual acrescento todos aqueles, crentes ao não crentes, que contestam o Deus da Bíblia.
Todos eles, embora em minoria num país assumidamente católico, mas cuja Constituição define como estado laico, armam um alarido se alguém toca na sua crença. Mas as minorias não têm direitos? Porque será que temos de ouvir os sinos das igrejas, mesmo que haja protestos de alguns moradores das proximidades? E as procissões que em algumas povoações bloqueiam as ruas? E a televisão pública a transmitir horas a fio cerimónias religiosas como as peregrinações a Fátima, ou a permitir que Dina Aguiar se despeça com o clássico “se Deus quiser”, violando assim o mandamento que diz "não invocarás o santo nome de Deus em vão".
E, aquando da morte do Papa João Paulo II, em que tivemos de aturar horas a fio vendo os fieis a rezar para que ele não morresse (mas afinal não ia ter com Deus?) e, dias depois, com os rostos já enxutos e expressões transbordantes de alegria, paz e felicidade, tornar a ver os mesmos fiéis a darem vivas ao novo Papa. Rei morto rei posto, como é costume dizer-se. E já que falamos de Papas, ocorre a muito boa gente perguntar porque é que depois do atentado contra João Paulo II, ele e o seu sucessor passaram a deslocar-se num veículo à prova de bala, e rodeados da maior segurança? Não será uma provocação à chamada protecção divina? Afinal, e citando José Saramago, parece que o Deus da Bíblia não é de fiar, e deve ser por isso que põem pára-raios nas igrejas e outras protecções similares, não vá o Deus do mal, perdão, o Diabo, fazer das suas e colocar o seu criador, o Deus do bem, numa situação que nada tem a ver com omnipotencia. Ora isto parece-me completamente absurdo já que, no caso de um atentado fatal, Deus teria mais uma ocasião para mostrar os seus dotes vingativos no homicida, conforme fez, segundo a Bíblia, matando os primogénitos egípcios como represália ao decreto de Herodes. A meu ver, este episódio da Bíblia é o mais vergonhoso de todas as suas páginas, repletas de maldade e contradições
A Igreja Católica, sempre parada no tempo, opondo-se por todos os meios, mesmo os mais cruéis, a tudo e todos que tentam apontar-lhe os seus erros, usando como defesa um Deus que tudo perdoa mas que, quando lhe não convém, passa a ser uma divindade castigadora com suplícios eternos, ou que para angariar clientela ameaça atirar as crianças não baptizadas para essa coisa ignóbil chamada Limbo, não pode ter credibilidade. Perdão! esqueci-me que João Paulo II acabou com o 'Limbo' e com o 'Inferno'. Portanto, das duas uma: ou Deus mudou de ideias, ou o seu lacaio na terra desobedeceu-lhe.


Instituição sectária, dogmática e intolerante, que entre outras coisas irracionais faz do hímen da mulher (também presente nas fêmeas de muitos animais, desde a chimpanzé à mosca da Malásia) um dos seus principais dogmas, não quer compreender que o mundo de hoje tecnológico e científico, com as suas naturais consequências, evolui tão rapidamente que se arrisca a perder uma grande maioria dos seus adeptos num futuro não muito longínquo. Mas o problema é dela. Bento XVIII, se quiser, resolva o assunto. Albarda-se o burro conforme o dono.
E por hoje fico por aqui. Prometo voltar a esta disparatado assunto, ainda que saiba que daí nada virá de novo, já que a maioria das pessoas, seja por fé, ignorância, crendice ou simples estupidez, prefere viver de mitos.
“Todos aqueles que não têm espírito de crítica sobre tudo o que julgam ser uma certeza ou uma finalidade, estão condenados a alimentar-se de sombras” (citação do escritor de ficção científica Alfred Elton van Vogt no seu livro “Xadrez Cósmico”, nº 31 da Colecção Argonauta, e que foi uma das delícias literárias da minha adolescência).
Agora vou sair e comprar o livro de José Saramago. Penso que só encontrarei nele uma análise racional do deus bíblico mas, mesmo assim, estou interessado em lê-lo.

PS. Acabo de receber uma mensagem enviada por um amigo com o artigo de Vasco Graça Moura intitulado “Melhor Crer do que Ler?” Os meus parabéns ao autor, embora ache que peca por um excesso de erudição, bem como do uso de palavras latinas e de português antigo, que aliás não condeno, mas que, infelizmente, torna difícil a compreensão para a maioria das pessoas. Mas fiquei a saber que a leitura da Bíblia já esteve proibida em Portugal! Comentários para quê?


10/10/2009

SERÁ QUE NO SÉCULO XX SÓ HOUVE UM HOLOCAUSTO?

SERÁ QUE NO SÉCULO XX SÓ HOUVE UM HOLOCAUSTO?


Quando o general Eisenhower visitou os campos de extermínio nazis, disse:
- "fotografem e filmem o máximo que puderem; recolham o maior número de testemunhos possíveis, não vá um dia aparecer algum idiota a dizer que nada disto aconteceu”.

Ora, passados mais de 60 anos, já apareceram vários idiotas tornando real a profecia do general.
Mas será que no século passado só houve um Holocausto? Será que toda a História da Humanidade não está repleta deles?
A palavra holocausto deriva do grego holókauton e significa “sacrifício em que se queima a vítima inteira”, não especificando se viva ou morta. Porém, seja pelo fogo ou por outro método qualquer, e houve-os horrendos, sendo muitos deles criados pela Inquisição instituída pela chamada Igreja Católica Apostólica Romana, em nome de um Deus que diz ser infinitamente bom, o resultado foi sempre o mesmo: A Morte. A hipocrisia dessa sinistra instituição, que provocou um holocausto de milhares de vitimas durante três séculos, chegava ao ponto de pedir ao braço secular, a quem entregava os condenados, muita ”justiça e misericórdia” para os que iam ser queimados! Tal como Pôncio Pilatos, que tanto critica, “lavava daí as suas mãos”. João Paulo II pediu desculpa dessas atrocidades e reabilitou Galileo, reconhecendo ao fim de 350 anos (!!) o sistema heliocêntrico!! Porém "esqueceu-se" do frade Giordano Bruno, queimado em 1600 por ter dito que cada estrela é um sol com planetas, podendo até alguns deles ser habitados. Olvidou também todas as outras vítimas anónimas (nem todas podem ser génios) torturadas até enlouquecerem, ou "confessando" o que não fizeram, acabando no Holocausto já referido. João Paulo II, "o Papa que mudou o mundo" (não sei em quê) teria feito muito melhor se tivesse distribuído as riquezas incalculáveis que enchem o Vaticano, e que foram roubadas às vítimas da “Santa” Madre Igreja, pelos milhões de carenciados deste mundo, como Jesus Cristo mandou. Até porque Jesus disse (ou inventaram que disse) ser mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus.
Segundo consta, o próprio Afonso Henriques, mesmo habituado às barbáries da época, tentou opor-se aos desmandos dos Cruzados que, em nome do tal Deus, cometeram toda a espécie de violências sobre os vencidos após a conquista de Lisboa. E isto é apenas um exemplo entre os inumeráveis factos idênticos que a História regista, seja em nome de um deus, de um diabo, ou de um manipanço qualquer. Mas, e respeitando o título deste comentário, voltemos ao século XX. Ninguém ignora, excepto os tais idiotas profetizados por Eisenhower, que o nazismo fez um autêntico holocausto sobre seis milhões de Judeus cremando os corpos, fazendo assim juz à etimologia da referida palavra. E os Norte-Americanos lançando sobre o Vietename napalm (de Na, símbolo do sódio mais palm, abreviatura de palmitato) e desfolhantes queimando pelo fogo ou por substâncias químicas todos os seres vivos atingidos, e cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir? Para aumentar a eficácia do napalm, juntaram substâncias que o faziam aderir à pele e que nem a água apagava. É incrível ao que pode chegar a crueldade humana!!!
Mas troquemos holocausto por massacre, palavra derivada do francês, embora de origem obscura. Na prática significa o assassínio de pessoas sem defesa, seja por civis ou, mais frequentemente, por militares. Estes, se têm a coragem de reunir as vítimas e abatê-las olhos nos olhos, são considerados criminosos de guerra; se passam com um avião sobre elas lançando bombas incendiárias provcando também um holocausto são heróis e, muitas vezes, condecorados. Mas passando para o campo da política, esta “diferença”como pretendem alguns idiotas, encontra-se entre um Hitler, um Estaline ou um Mao-Tsé-Tung. O primeiro foi “o Mau da Fita”, o segundo “o Pai dos Povos” e o terceiro “o Grande Timoneiro”.
Perante isto parece haver um patológico complexo de extrema-direita que faz com que todos os políticos dessa facção sejam uns demónios enquanto que os chamados de extrema-esquerda, que cometeram os mesmos crimes, sejam considerados uns santos que só lutaram pelo bem estar dos dos seus povos. Mas Hitler também fez o mesmo pelos alemães, derrotados e humilhados na chamada Grande Guerra (1914-1918). Depois deu o resultado que todos sabemos. Mas adiante.
Durante o chamado Terror que Robespierre, em nome da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, instaurou durante a Revolução Francesa, rolaram milhares de cabeças entre as quais a do químico Lavoisier e a do poeta André Chénier. Ao mesmo tempo a populaça delirante cantava uma versão de “La Carmagnole”, nome de uma dança rústica adaptada à Revolução com um texto que parodiava Maria Antonieta, e também sinónimo da jaqueta usada pelos “Sans-Culottes" (sem calções), a classe mais baixa dos trabalhadores, ou ainda “Ah! Ça ira, Ça ira”, outra canção revolucionária que pedia a morte pela forca de todos os aristocratas. Ambas as canções foram proibidas após a ascensão ao poder de Napoleão, outro tirano. Como sempre, os extremos tocam-se.
Conta-se que durante o “julgamento” de Lavoisier num “tribunal popular”, alguém gritou que a Revolução não precisava de sábios. Nós também tivemos vários idiotas após o 25 de Abril, entre os quais um tal capitão Paulino, que mostrando perante as câmaras da televisão as mãos calejadas de um trabalhador rural alentejano, afirmou que” não são precisos doutores para coisa nenhuma”. Isto ocorreu em 1975, durante o chamado "Verão Quente". Alguém se lembra ainda?
Ora entre o anónimo da Revolução Francesa e os mentores do chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso) que se seguiu ao 25 de Abril , parece não haver muita diferença, exceptuando o facto do segundo caso ter ocorrido num país de “brandos costumes".
E que dizer da Revolução Cultural ocorrida na China sob o beneceplácito do “Grande Timoneiro” que, depois de massacrar dezenas de milhões de pessoas, até se virou contra os pardais, imitando um rei inglês que mandou massacrar estas aves porque desvastavam as searas? Mas, além dos grãos, os pardais também comem os insectos que infestam os campos. Depois, e tal como o rei inglês do qual não me lembro o nome, e que séculos antes teve a mesma “brilhante” ideia, necessitou de importar centenas de milhares daquelas aves para repor o equilibrio ecológico. Correram mundo as imagens chocantes do povinho estúpido e ignorante batendo com todos os objectos que tinha à mão, para impedir que as pobres aves poisassem até morrerem por exaustão. Depois, e devido à fome que reinava na China, fritaram-nas, o que provocou mais um Holocausto na verdadeira acepção da palavra, desta vez de pardais.
E que dizer também das deportações e execuções em massa de Estaline ou dos hospitais psiquiátricos de Brejnev na antiga União Soviética?
E das vítimas de Pol Pot na Birmânia, hoje Mianmar, cujos ossadas estão agora expostas para os turistas mal ou bem intencionados verem, tal como o campo de Auschwitz na Polónia?
E da “dinastia Kim Jong” na Coreia do Norte? E de Batista ou de Fidel, que apenas virou o esque ma da extrema-direita para a extrema-esquerda? E de Ceausescu na Roménia? E os Idi Amins, Bokassas e Mugabes da África Negra? E...?
Meus senhores: quando se compara nos livros de História do nosso ensino secundário o "macartismo” ao “maoísmo”, o que me obrigou a explicar à minha neta a verdadeira diferença, há qualquer coisa que não está bem na nossa Democracia. Porque será que se podem exibir as bandeiras com as carantonhas de Estaline e Mao, e não a de Hitler? E com a Foice e o Martelo e não a Cruz Suástica? E fechar o punho e não estender a mão direita, gesto que, aliás, foi importado da Roma antiga? Afinal onde estão as diferenças entre os dois sistemas políticos?
Pela minha parte eu, o ignorante, menciono as semelhanças:
1º - Ambos lutam pelo bem-estar dos seus povos, mas há um Chefe e uma classe dirigente que tem acesso ao luxo, enquanto o chamado povo trabalhador é nivelado pela base.
2º - Os dois defendem o direito de todos os povos à auto-determinação e independência, mas invadem-nos se eles se desviarem das ideologias pré-estebelecidas.
3º - Recusam o direito à greve.
4º - Criam uma polícia política para prender, torturar e até matar os opositores.
5º - Estabelecem a Censura.
6º - Proibem as manifestações populares, excepto se forem “organizadas” para apoiar os respectivos regimes.
7º - Só permitem a existência do seu Partido, ilegalizando todos os outros.
Francamente. Comparado com eles até Salazar foi um digno representante do “País dos Brandos Costumes”. Até houve, com o nosso clássico sentido de humor, quem chamasse à Ditadura do Estado Novo, a “Ditamole”.
Não sou defensor da política salazarista, para além do facto de ter salvo Portugal da bancarrota a que os politiqueiros da 1ª República iam levando mas, comparado com outros ditadores, quase foi um menino do coro, como é costume dizer-se.
E, para terminar faço uma recomendação: leiam o Livro Negro do Comunismo, porque a pior cegueira é a de quem não quer ver. Como disse Churchill, a Democracia é um sistema político péssimo, mas até agora não se encontrou melhor. No fim de contas parece estar no eclectismo uma maneira mais lógica de viver, ou sobreviver, neste Mundo disparatado.
Houvesse imagens reais de todos os holocaustos e massacres da História, dos campos de batalha com corpos despedaçados, mas ainda vivos, ou das torturas e autos-de-Fé da Inquisição, como as contemporâneas que hoje se vêem a todo o momento nos telejornais, e talvez não nos batessem à porta outra espécie de idiotas a proclamar o fim do mundo.

P.S. Porque será que nunca ouvi os senhores jornalistas perguntarem e exigir uma resposta concreta a Francisco Louçã ou a Jerónimo de Sousa como governariam Portugal se fossem eleitos primeiros-ministros? Fariam o mesmo que o bem intencionado Salvador Allende fez no Chile, com o resultado que se viu? Como sempre, o excesso até na virtude é defeito!


15/09/2009

TELEJORNAL DA RTP-1 'COM TOMATES' E 'COM OS PÉS'!!!

Tiques de todos os tipos, cerrar a boquinha, piscar um olhinho, gargalhadas histéricas, caneta e dedinhos espetados, e agora, finais de telejornais 'com tomates' ou 'com os pés', eis o suplício que temos de aturar quando esse jornalista, escritor e "apresentador", que dá pelo nome de José Rodrigues dos Santos, transforma o telejornal da RTP -1 numa palhaçada.

«Meu caro José Alberto Carvalho:

Havendo tão bons jornalistas/apresentadores na RTP, entre os quais o incluo, e agora que há telejornais que terminam "com os pés" e "com tomates", quando é que dá com os primeiros nesse pseudo-apresentador que se julga engraçado e não percebe que, em alguns casos, “uma imagem de marca” só revela falta de personalidade?
Francamente: sem querer denegrir os novos, como atrás dei a entender, até sinto saudades da sisudez de um Manuel Caetano ou da compostura de um Gomes Ferreira.
Nesse tempo havia respeito pelos telespectadores e até se pedia desculpa por qualquer anomalia que surgisse durante a emissão, o que hoje, infelizmente, quase nunca acontece.»

- E fico por aqui, pois tenho medo que "ESTEJAM A SOAR SIRENES EM BAGUEDADE", e não tenho pachorra para voltar a ouvir os gritos histéricos desse senhor jornalista.



25/07/2009

DISPARATE DE DEMOCRACIA

VASCO SANTANA E OUTROS GRANDES ARTISTAS DA CHAMADA «ÉPOCA DE OURO DO CINEMA PORTUGUÊS», OLVIDADOS OU CENSURADOS PELA RTP.

(Ou a guerra que travo há mais de um ano com o Ex.mo Director de Programas da RTP; guerra não, porque até agora só tem andado a fugir! «VANTAGEM DE CÁ».)

No dia 13 de Junho do ano passado, a RTP assinalou os cinquenta anos da morte desse gigante do Teatro, da Rádio e do Cinema Português, que se chamou Vasco Santana. E lá vieram os clássicos filmes que só não classifico de estafados porque, como muita gente, adoro-os: «O Páteo das Cantigas», «A Canção de Lisboa», «O Pai Tirano», «Camões» e, pasme-se, «A Vizinha do Lado» e «A Menina da Rádio» onde Vasco Santana não entra. E então «O COSTA d'ÁFRICA»???
Por correio electrónico enviado em 23 de Maio de 2008 ao Sr. Provedor do Telespectador, chamei a atenção para o facto de certos filmes e documentários nunca, que eu saiba, terem sido exibidos na RTP. São exemplos filmes polémicos como «Mundo Cão 1 e 2», exibidos no tempo da Censura com alguns cortes, «África Adeus», documentário sobre o resultado das independências concedidas às colónias da África Negra e que, obviamente, serviu a política ultramarina de Salazar, ou o programa da BBC sobre os escândalos sexuais do Vaticano branqueados pelo Papa Bento XVI. Só a SIC teve a coragem de exibir este último, mas às quatro horas da madrugada!
Obtive como resposta que «o Provedor não pode interferir previamente nas opções dos responsáveis dos conteúdos».
Posto isto enviei ao Director de Programas da RTP, em 21 de Novembro de 2008, uma mensagem em que solicitava uma justificação para o facto de «O COSTA d'ÁFRICA» não ter sido incluído na citada efeméride, e sugerindo que, uma vez por outra, mandasse substituir um filme de violência gratuita, em que a RTP é useira e vezeira, pela aludida película.
Como não obtive resposta, concluí que havia uma certa falta de educação além de uma estranha censura que, no que respeita ao citado filme português, parece atingir todos os directores de programas da RTP. Assim e, com o meu sentido de humor, prometi enviar-lhe uma cópia do filme em DVD que possuo graças à TVI, um lápis azul e uma tesoura para ele usar no caso de encontrar «cenas chocantes». Ora como continuou a não haver resposta, acabei mesmo por fazê-lo (tendo juntado à encomenda cinco comprimidos de um anti-ácido, não fosse o Exmº Director ter problemas de indigestão ao ver o filme), acrescentando que Censura conheci eu quando entrei para a Emissora Nacional em 1968, um mês antes de Salazar caír da cadeira.
Ironizei com frases consagradas nos filmes portuguêses, tais como «chapéus há muitos» mas filmes com Vasco Santana há poucos, e recordei o comentário de Henrique Santana aquando da gala dos 25 anos da RTP em 1982: «infelizmente quase tudo o que havia com o meu pai perdeu-se; talvêz o melhor arquivo ainda esteja no cinema».
Em face do exposto cabe perguntar: o que se passa com «O COSTA d'ÁFRICA»? Ou com «O Comissário de Polícia» onde Vasco Santana também entra, embora num papel secundário? Será que os Portugueses, pagantes da taxa, não têm o direito de ver esses filmes? O primeiro foi exibido há anos, como atrás disse, pela TVI e existiu em VHS. Quanto ao segundo, e que me lembre, foi apenas uma vez apresentado pela RTP há mais de vinte anos, e do qual possuo uma gravação no velho sistema Beta. Entretanto a chamada Televisão Pública vai exibindo até à exaustão sempre os mesmos filmes, desde «A Canção de Lisboa» até a «O Grande Elias».
E, já agora, uma pergunta para a Cinemateca Portuguesa: porque é que só foram restaurados os filmes, chamemos-lhes assim, mais comhecidos? ( a propósito:o som de «O Costa do Castelo» ficou um escândalo de distorção, que se pode provar comparando com a gravação em VHS!). Mas voltemos ao «COSTA d'ÁFRICA», sobre o qual vou dar algumas informações, já que a Televisão Pública continua pura e simplesmente a ignorar a sua existência.
Tendo sido originalmente uma comédia teatral, foi levada ao cinema em 1954 pelo realizador João Mendes. Nos principais papeis temos além de Vasco Santana, Laura Alves, Ribeirinho, Erico Braga, AnaPaula, Henrique Santana, Hortense Luz, Rogério Paulo, Aida Batista, Costinha e Tereza Gomes.
Segundo a opinião de quem viu a aludida peça teatral, a versão cinematográfica dá uma pálida ideia do argumento mas, e voltando a citar Henrique Santana, «o melhor arquivo de meu pai ainda se encontra no cinema». Será preciso mais alguma razão para «O COSTA d'ÁFRICA» não ter sido votado ao ostracismo? Mesmo sem ser perito em cinema julgo que não, pois trata-se de uma sátira ao período colonial da nossa História. e até porque Vasco Santana desempenha um papel totalmente diferente daquele a que nos habituou: o cómico. Se em «Fado, História de uma Cantadeira» desempenha, genialmente, um papel dramático, aqui representa um personagem grosseiro e um pouco brutal, parodiando uma boa parte dos colonos portuguêses que, como então se dizia, «saíam da Metrópole pedreiros, passavam o equador eram mestres-de-obras e, chegando a África, eram engenheiros».
Tudo isto rodeado de grande comicidade, com os habituais trocadilhos e aldrabices que tão bem caracterizaram o Cinema Português da época. E a juntar a estes há ainda deliciosos comentários «africanistas» tais como «que linda palhota que tu arranjaste», referindo-se à casa que julgava ser do sobrinho, ou chamando Bijagós ao suposto criado ou «macacuço» ao bebé.
É óbvio que só quem esteve em África pode compreender estes e outros termos usados mas, recuando no tempo, será que alguém entende hoje o quer dizer «sua silvana mangana de trazer por casa» ou «essa nega maluca»? Claro que só os mais velhos se podem lembrar, e cumpre a estes esclarecer os mais novos. Tal como as Revistas Teatrais, os filmes que retratam a época em que foram feitos, contêm muitos ditos e cenas muito limitados no espaço e no tempo, que impede muitas vezes a compreensão das gerações mais novas. A título de exemplo cito apenas este exraído de «O COSTA do CASTELO»: «Será que vossemecê deita água no leite? Eu?, a dois mil reis o metro, boa!»
Ora nessa época constou que os leiteiros, que levavam o leite em vasilhas metálicas a casa dos clientes, e à porta destes o mediam em púcaros, deitavam água para aumentar a quantidade. Porém, como os densímetros acusavam esta fraude, dizia-se que eles passaram a urinar no leite, mantendo assim a densidade deste. Se é verdade não sei, mas tempos depois apareceu o leite engarrafado com a sigla UCAL (julgo que queria dizer União das Cooperativas Abastecedoras de Leite). O português, porém, sempre «pobrete mas alegrete», substituiu logo a sigla por «Urina Com Algum Leite». Sempre o nosso inestimável espírito de humor, recheado de anedotas em que a política era, no tempo da Censura, o prato forte, e que já me levou a pensar em organizar com outras pessoas que ainda tenham algumas na memória, uma espécie de antologia da anedota política portuguesa.
E por hoje chega. Viva «O COSTA d'ÁFRICA ». Poder-se-á dizer que o tema já está ultrapassado, mas desta vez não são as tias que vêm de Trás-os Montes, nem a tia que vem do Brsil ou o tio que chega de Famalicão: é o tio que vem do Alto Lingoto, e o director de programas da RTP, que veio da TSF, deveria ir para as ilhas Desertas (arquipélago da Madeira) ou para qualquer outro recôndito cantinho do Território Português, meditar no que atrás foi dito. Talvêz desse aso à realização de um novo filme cómico português: «Um Director de Programas em Meditação Transcendental no Âmago da Natureza».
Entretanto, e como já disse graças à TVI, para a qual não pago taxa, vou divertindo os meus amigos com os Bijagós e as macaquices do filme, pleno das mais aberrantes ou caricatas «cenas de racismo e colonianismo», conforme o modo de ver de cada um.


27/06/2009

BÁRBAROS !


Foi inaugurado o Oceanário (perdão, SEA LIFE) no Porto (perdão, OPORTO)!!!
Ouve-se, lê-se, e pasma-se! Quem terá sido o renegado da LÍNGUA PORTUGUESA, o "genial" autor de semelhante nome, e quem será o bárbaro que tal aprovou?

Bárbaro era, entre os antigos gregos, a designação dada a todos aqueles que não falavam grego e, depois, pelos romanos a quem não falasse latim. Ora parece que esta gente usa e abusa de nomes e frases ingleses , ou porque é moda ou por simples petulância, o que é muito pior.
Meus senhores: sois a vergonha do nosso idioma e de toda a literatura produzida pela língua de Camões, uma das principais do mundo (e mesmo que o não fosse) e, por isso, só podeis ser classificados de bárbaros peneirentos (passe o calão), e responsáveis pelas crianças trocarem a palavra oceanário por «sea life».
Seria muito difícil ou impossível dar um nome português? Ou será que existem direitos contratuais que o impõem? Se, de facto, existem, será que se tentou chegar a acordo para uma possível tradução, com vista a não ofender os ouvidos daqueles portugueses que prezam a sua língua? Alguém se lembra ainda dos aviões construídos pela empresa francesa «Sud Aviation» denominados «Caravelle», e que ostentavam nos reactores dos exemplares adquiridos pela TAP a palavra CARAVELA? Se não houve tentativas para arranjar outro nome para o oceanário, a culpa continua a ser dos governos pós-25 de Abril que não defendem a Língua e a Cultura Portuguesas, tal como aconteceu antes do Estado Novo, em que a moda era o francês.
Não sou chauvinista ao ponto de condenar todos os estrangeirismos; eles só enriquecem qualquer língua, mas «uti, non abuti», principalmente quando não se trata da introdução de novas palavras, mas sim da substituição das originais por outras estrangeiras, o que muitas vezes faz com que as primeiras caiam em desuso ou até desapareçam.
Cito apenas «Resort»: Porque não utilizar a portuguesíssima palavra "estância" que já vem do Séc.XIII?
É claro que todos sabemos que o inglês se impôs como língua universal devido ao seu antigo Império, e hoje às novas tecnologias. Mas não será isto anti-democrático, já que os povos de língua inglesa ficam isentos da obrigatoriedade de aprender outro idioma, facto este já debatido na União Europeia?
O naturalista sueco do Séc.XVIII Carl Linneu, criador da classificação dos seres vivos, escolheu o latim para essa classificação por ser uma língua morta. Também os químicos adoptaram as palavras latinas ou latinizadas para os símbolos dos elementos. Assim, e como exemplos, menciono «canis lupus» e «Na». Qualquer cientista independentemente da sua língua sabe que o primeiro significa cão, e o segundo sódio (do latim natrium).
Mas será que pretendo pelo exposto ressuscitar o latim? De modo algum; e embora saiba que o que vou dizer é uma utopia, declaro ser absolutamente defensor de uma língua neutra e de fácil aprendizagem. E foi por isso que o médico e linguista polaco Ludwig Lazar Zamenhof inventou, em 1887, o Esperanto, língua internacional cuja gramática muito simples e regular, utiliza raízes das línguas europeias mais faladas, além dos clássicos radicais gregos e latinos. E até Albert Einstein caiu nessa utopia quando afirmou: «O Esperanto é a solução da ideia de Língua Internacional».
Mas estava-se no Séc.XIX. O Império Britânico era o maior do mundo e as modas (e até os bebés) vinham de Paris. Na Rússia czarista a aristocracia trocava a sua língua natal pelo francês! O Império de Napoleão fora efémero, o Otomano caíra e o Austro-Húngaro aproximava-se do fim. Na segunda metade do Séc. XX Salazar teimava "orgulhosamente só" em remar contra a História, e no leste europeu o Império Soviético, também chamado "O Paraíso dos Trabalhadores", caiu de um dia para o outro.
Hoje, com o planeta retalhado em mais de 200 países, temos o «Império da Tecnologia Baseada no Inglês», embora grande parte dela venha do Japão e também de outros lados, todos dominados por este idioma e pela gravata ocidental.
E pronto. Mais uma vez vou entrar em «stand by», mas antes vou ao «shopping», aproveito para comer um «hot dog» e volto cedo para casa, não vá ser vítima de «car jacking».
Uma vez no meu retiro, verifico se este não sofreu nenhum «home jacking» o que provocaria a utilização do «help phone».
Entretanto, fico à espera de algum «feedback».


05/06/2009

A MANIA DO GLOBAL, DO TERRENO, E MAIS ALGUNS DISPARATES


Hoje tudo é global! É o aquecimento, é a crise (desde que me conheço sempre ouvi falar nela), é o desemprego, é a pobreza (ou a riqueza, pois tudo é relativo), são as alterações climáticas, é a gripe suína (a última foi a das aves e a próxima talvez seja a asinina, sem ofensa aos burros, claro), enfim, é todo um conjunto de coisas ou situações em que o termo 'global' parece ter feito desaparecer dos dicionários palavras como mundial, geral ou total.
Até já ouvi num canal televisivo, não me lembro qual, chamar à guerra de 1939-1945, a Segunda Guerra Global!!.
E a deliciosa frase «estar no terreno»? A primeira vez que chamou a minha atenção foi quando da tragédia da ponte de Entre-os-Rios, em que uma jornalista dizia que «as buscas no terreno continuavam», embora estas estivessem a ser feitas no rio por mergulhadores apoiados por lanchas.
A partir daí, e tal como numa comunidade de papagaios, tudo passou a 'estar no terreno', seja qual for o sítio: terra, mar ou ar (e, quem sabe, qualquer dia no espaço).
A palavra 'local' e a expressão latina «in loco» desapareceram: «O ministro deixou o seu gabinete e foi para o terreno», «há três televisões no terreno a disputar a supremacia», (esta é de Marcelo Rebelo de Sousa), «os inspectores da ONU no terreno já abandonaram o país» etc., etc., etc..
Ora como já dei por mim a dizer em voz alta as palavras global e terreno, antecipando toda a verborreia que os senhores jornalistas despejam nos telejornais para preencher, seja de que maneira fôr, o excessivo tempo que lhes é concedido, começo a pensar seriamente em consultar um psiquiatra para tentar evitar que a minha pobre cabeça fique 'globalmente enterrada e aterrada no terreno global' !
Ora se é um facto que as línguas não são estáticas e, consequentemente, evoluem, pela minha parte considero que a repetição exaustiva de palavras provoca o desaparecimento de sinónimos, uma das riquezas de qualquer idioma.

Mas deixemos isto.

Segue-se mais uma pequena lista de algumas «pérolas» linguísticas apanhadas aqui e ali nos diferentes canais televisivos. A seguir a cada uma vai o meu comentário.
1º- Quadrigas de dois cavalos: Deve tratar-se de uma nova Diane criada pela Citroën.
2º- Golfinhos com formas aerodinâmicas: Que saudade eu tenho do tempo em que eles voavam em bandos no estuário do Tejo
3º- Sapinhos como filhos de répteis: Os batráquios (hoje chamados anfíbios) foram promovidos a répteis.4º- Pássaro aplicado a tudo o que seja ave: Ali vai um bando de avestruzes.
5º- As ventoínhas dos motores de avião: Como é fresquinho voar.
6º- Tigres de Benguela: De facto nunca alguém viu um tigre usar bengala
7º- Medicalização de doentes: Não lhes basta a situação patologica, têm de engolir pílulas de disparates.
8º- Pintos como filhos de todas as aves: Cuidado não pisem as crias dos colibris.9º- Avião estacionado na pista: Devido ao impedimento desta, os outros aviões passaram a descolar e a aterrar na placa.
10º- Cachalotes, narvais, golfinhos e outros mamíferos marinhos classificados como baleias: Deve ser mais um fruto da globalização.
11º- Nevão sobre Lisboa: Sempre os exageros da Comunicação Social.(perdão, dos midia, dos media, dos média... Como quiserem).
12º- 'Tsunami' como onda gigante: A tradução exacta do japonês é 'onda no porto'. Aliás, um maremoto não implica só uma onda, mas também uma subida muito rápida do nível das águas, como aconteceu nas costas orientais da Índia e do Sri-Lanka. Segundo aprendi no livro «Lições de Geologia» para o antigo terceiro ciclo do ensino liceal e do qual conservo um exemplar, este fenómeno denomina-se em português raz de maré.
13º- Fauna animal: Quando olho para uma planta fico na dúvida se esta pertence à flora vegetal.
14º- Navio infundável: Deve ter saído do estaleiro sem fundamento.
15º- Mamíferos de sangue quente: Depois de congelados perdem essa qualidade.
16º- Traças como todos os insectos alados: Os estupores das vespas roeram as minhas cuecas.
17º- Aerofobia como medo de viajar de avião: Quando se abre as janelas faz uma tremenda ventania.
18º- Quando é atacado o pangolim enrola-se ficando totalmente impregnável: Por isso é considerado a melhor esponja que existe.
19º- O general Eisenhower, sargentos e praças a tratarem-se por tu: No exército norte-americano sempre houve uma grande camaradagem, principalmente quando se trata de invadir outros países.
20º- Todos os comandos reunidos num único, permite ao piloto fazer o avião virar, subir, descer e andar para trás: O problema é a falta de espelhos retrovisores.
21º- Tempestades de gelo: Ainda havemos de ter granizo em cubos.
22º- Mamíferos fazendo o ninho: Finalmente vamos ter ovos de vaca, de coelha e de porca, já que de burros e de burras temos com fartura.
23º- Dromedários chamados de camelos: Basta comparar umas fotos para distinguir as diferenças entre uns e outros: Só os "camelos "é que não notam.
24º- Após tantos cuidados com aqueles animais, o resultado foi dramático: salvaram-se todos: Com a mania do "dramático" e de outras palavras traduzidas literalmente do inglês, qualquer dia teremos qualquer coisa do género: o resultado do acidente foi dramático, já que todas as pessoas se salvaram!!!
25º- Quem foi o autor da Sexta Sinfonia? Esta disparatada pergunta foi feita num concurso da RTP. Como amante de música e antigo funcionário da Antena 2 lembrei-me logo de uma dúzia de compositores que escreveram seis ou mais sinfonias. Mas pergunto: será que daria muito trabalho, e até porque a RDP e a RTP se encontram agora juntas, perguntar a quem sabe quando se trata de alusões à chamada música clássica?
26ºA ave pernalta grou rebatisada de "gru": Será que as vogais juntas "ou" passaram a ser lidas à francesa?
27º- Altura como altitude e vice-versa. Cuidado! Quando subirem a um ponto alto poderão ficar sem oxigénio a poucos metros de altura.
28º- "Xitina" como parte integrante do exoesqueleto dos insectos. Sabem tanto inglês mas desconhecem que "chitin" se lê como começasse por"K" e que em português é quitina.

E fico por aqui, mas "o programa segue dentro de momentos". Vou entrar em «stand by» (leia-se setandebai), o que traduzido dá qualquer coisa como «fica por»! Entretanto vou vendo mais um pouco de televisão, mas não muito, não vá a lista anterior chegar ao milhar.

'INGRAVIDEZ'

«INGRAVIDEZ»

Na data em que escrevo, 15 de Maio de 2009, há quatro pessoas que não estão grávidas. Trata-se dos astronautas que estão em órbita a reparar o telescópio Hubble.
O resto da Humanidade encontra-se no chamado estado interessante. (nunca percebi porque é que esse estado reprodutivo tem mais interesse do que outros).

Parece absurdo ou anedota, não é? Mas eu explico:
No primeiro programa sobre montanhas russas transmitido pelo canal Odisseia, com tradução e legendagem feitas pela empresa Via-Satélite, assiste-se a uma demonstração dos efeitos de ausência de gravidade a bordo de um velho Boeing 707 que, para consegui-los, faz uma curva parabólica.
Enquanto os voluntários passageiros se divertem com a ausência de peso, surge na legenda a palavra ?!INGRAVIDEZ!!!. Perante isto, o que é que passsou pela minha cabeça? Li mal, é claro, mas vou aguardar até ao fim do programa para verificar, na gravação que estou a efectuar, se foi dos meus olhos, dos óculos ou de uma estranha maleita que, momentaneamente, me atacou.
Mas não! Vista a gravação ela lá está, desafiante, com um certo ar grotesco na sua horrível fealdade gráfica e consequente fonética: INGRAVIDEZ!
Mas, Deo gratias, desta vez o locutor não foi papagaio, pois disse "gravidade zero". Parabéns!

Embora passar horas a ver televisão não seja um dos meus passatempos favoritos, gosto de ver programas onde, apesar dos meus sessenta e seis anos, posso aprender mais alguma coisa. O problema é ter de suportar estoicamente o suplício de ouvir tantas asneiras num único programa. Assim, e cumprindo o que há dias escrevi, vou extraír mais algumas da já extensa lista que, semana a semana, vou tirando dos programas televisivos.

1º- No canal «Travel» uma tradutora chamada Luísa Lopes escreve o número dos séculos com algarismos árabes, quando este deve ser feito com numeração romana, e põe toda a gente a tratar-se por tu, quando esta forma não é natural entre os portugueses, que só a usam quando têm uma relação próxima com o interlocutor. No entanto tenho que fazer justiça a esta senhora que , para além de se identificar, faz traduções para um português correcto e fluente.
2º- É frequente serem mencionadas na Terra temperaturas de muitas dezenas de graus (por exemplo 90º). Claro que é impossível na escala centígrada ou de Celsius. Será que custa muito dizer Fahrenheit (imploro que não pronunciem em inglês!) ou consultar uma tabela de conversões?
Para quem não saiba, a mais alta temperatura registada na Terra, desde que há medições, ocorreu em El-Aziziá na Líbia, onde os termómetros atingiram 57,8ºC à sombra em 1922.
3º- Esquadra, esquadrilha e esquadrão. Segundo o que aprendi no tempo em que fui militar à força, o que fez com que passasse dois estúpidos anos em Angola, 'esquadra' aplica-se a navios, 'esquadrilha' a aviões e 'esquadrão' à cavalaria que, apesar de se ter tornado motorizada, manteve a tradição nominal. E, mais uma vez para quem não saiba, esclareço que o Exército Português utilizou verdadeiras cargas de cavalaria no leste de Angola em 1966, provocando debandadas gerais entre os indígenas que, nunca tendo visto cavalos, chamaram-lhes «palancas sem cornos».
4º- 'Capitão' como sinónimo de 'comandante de avião', é mais uma tradução à letra do inglês. Será que alguém ao viajar de avião ouviu alguma vez dizer: "o capitão (fulano tal) e a sua tripulação dão as boas-vindas aos seus passageiros"...etc?
Embora no Brasil exista o posto de capitão-aviador, não significa obrigatoriamente que seja este a comandar o avião. Em Portugal 'capitão' é um posto do Exército situado entre tenente e major e, na Armada, há vários postos formando combinações tais como 'capitão de mar e guerra' ou 'capitão de fragata', mas quem manda é o 'comandante', qualquer que seja sua patente, tal como na aviação, seja esta militar ou civil.

Pelo exposto peço aos excelentíssimos tradutores que evitem o suplício de ter de ouvir ou ler constantemente «o capitão do avião» ou «o capitão do navio». Está bem? Muito obrigado!


10/05/2009

Uma breve história daquilo a que chamo tradutores ignorantes e locutores/papagaios


Esta história não é de agora. É evidente que desde que o Homem começou a falar, aconteceu a inevitável consequência: o disparate linguístico, que se agravou com a tentativa de transmitir os seus pensamentos para outros idiomas, até porque cada um contém expressões e palavras intraduzíveis que provocam muitas vezes o disparate e até a hilariedade quando traduzidas à letra.

Mas avancemos até ao início dos anos 80 do século passado. Alguém se lembra, ainda, da série “A Vida na Terra” de David Attenborough, e da qual possuo todos os episódios, gravados no velho sistema"beta"? O consagrado Eládio Clímaco, por quem aliás tenho muita admiração como apresentador, seguiu à letra dezenas de disparates devidos a má tradução. Talvez o melhor de todos seja aquele em que diz, no 7º episódio: “…a certa altura os répteis desenvolveram na cabeça saliências ósseas em forma de barretes dramáticos”. É espantoso, não é? Espantoso e dramático não saber que este adjectivo não tem o mesmo significado em português e, que pode e deve ser substituído por espectacular, assinalável, notável, conspícuo, etc. Espantoso é também o facto de se tratar de uma locução feita em estúdio, e não em directo onde qualquer disparate pode acontecer. Como fui profissional da RDP na Antena-2, sei quantas paragens são necessárias para corrigir inevitáveis erros e enganos; e isto no tempo em que não existiam computadores e tudo era gravado em fita magnética, onde os operadores de som faziam autênticos milagres para intercalar ou omitir qualquer palavra ou frase.

Ora actualmente é muito difícil admitir que empresas como “Pátio das Cantigas”, “Pim-Pam-Pum”, “Ideias e Letras”e outras que de momento não me recordo, não ponham mais cuidado nos disparates dos tradutores com que depois os locutores-papagaios nos supliciam.
Ver um programa que dura cerca de 50 minutos e ouvir constantemente que “um relâmpago caiu”, “um relâmpago atingiu fulano...”, “um relâmpago fendeu uma árvore”, etc, não será um suplício? Não saberão que relâmpago é a luz emitida pelo raio e que este, e só este, pode provocar as situações atrás descritas? Ou então termos de aturar “a progenitora isto” ou “o progenitor aquilo” durante todo um programa? Embora não esteja errado, uma das grandes riquezas da língua portuguesa é evitar a repetição de uma palavra na mesma frase. Porque não alternar de vez em quando com pai, mãe, ou pais?

Aquando do 11 de Setembro, a jornalista da RTP Andreia Neves repetiu vezes sem conta que “as torres gémeas colapsaram”, papagueando o que ouvia em inglês. Mas o verbo colapsar, não se aplica normalmente a edifícios. Para isso, e em bom português, temos desmoronar, ruir, cair, desabar, abater, etc. Mas, claro, o que dá menos trabalho é traduzir certas palavras à letra e não consultar fontes técnicas para evitar disparates. Depois termos de ouvi-los pela voz de locutores, alguns até com excelente dicção e voz radiofónica, mas que parece seguirem à risca o que lhes pôem diante dos olhos. Mas o que é mais importante é pronunciar com uma ênfase exagerada a língua inglesa, idioma que já por si é enfático e que possivelmente provocaria num cidadão britânico a exclamação típica “I beg your pardon!”, mesmo que fosse de Oxford. Os outros povos não se preocupam com isso, a começar pelos próprios ingleses. Todos sabemos como eles pronunciam Mourinho, por exemplo.

Mas o cúmulo do ridículo acontece quando se pronunciam em inglês nomes que nada têm a ver com a Inglaterra. Que o digam o astrónomo alemão Kepler que já foi apelidado de ‘kipler’, ou o também astrónomo de nacionalidade dinamarquesa Tycho Brahe, quase sempre pronunciado como 'Táicau'. Também a Bielorrússia já foi chamada de ‘bielorrâxia’. Ora, o nome do país provém do russo 'bielo' (branco) mais Rússia e isto, para quem não saiba, deve-se ao facto de os seus habitantes terem o cabelo, os olhos e a pele muito claros. Portanto, traduzido à letra seria Rússia Branca. E, entre dezenas de exemplos, vou citar ainda o caso da pobre ninfa Io, que deu o nome a um dos satélites de Júpiter, e é tão conhecida dos amantes de palavras cruzadas. Pasme-se, mas a dita ninfa já foi chamada de “Aiôu”. Coitada! Já não lhe bastou ter sido violada por Zeus e por ele transformada em vaca. Agora mudaram-lhe a nacionalidade, e qualquer dia são capazes de lhe chamar ‘the cow Aiôu'.
E, já agora, para os curiosos que tenham a paciência de me ler, e sem querer entrar em mais pormenores sobre esta figura mitológica, esclareço que foi ela que deu o nome ao mar Jónico (Iónico) e, depois de atravessar o estreito que separa o mar Negro do mar de Mármara, e que hoje divide a cidade de Istambul, lhe deu o nome de Bósforo, o que em grego significa ‘estreito da vaca’.
Meus amigos: quando não sabemos a que língua pertence uma palavra, o melhor é pronunciá-la em português. O meu saudoso pai contava que uma vez na Espanha, pediu ao empregado do hotel uma "escueva". Sem entender o pedido, o espanhol solicitou-lhe que falasse português, já que talvez fosse mais fácil compreender. Depois de ouvir, exclamou: "Si, una escova"!

Concluindo: é melhor falar e pronunciar na nossa língua, do que cometer erros grosseiros só para mostrar que falamos todos os idiomas do mundo.

E por hoje fico por aqui. Para a próxima vou elaborar uma lista de ‘pérolas’ em que as empresas atrás aludidas são férteis.


10/04/2009

OS DISPARATES NÃO SÃO DE AGORA...


Na gala das comemorações dos 25 anos da RTP, realizada no Casino Estoril em 1982, o cineasta António Lopes Ribeiro, ao recordar a figura do padre Raul Machado e as suas inesquecíveis “charlas linguísticas”, leu um texto, escrito não sei por quem, que começava assim: - “Na minha óptica, e ao nível dos ouvintes, etc, etc …” Quando concluiu a leitura, exclamou: - “se o venerando padre Raul Machado fosse vivo, pregava-me uma grande descompostura, e tinha toda a razão”. Aludiu também ao facto do uso e abuso de palavras inglesas tais como ‘pub’, ‘snack-bar’ e à novidade que era o ‘videotape’. Visto isto, e passados mais 27 anos sobre o que atrás ficou dito, resolvi, quanto mais não seja para me divertir, escrever um texto “actualizado”. Aqui vai: “Na minha óptica, e porque me encontro globalmente "seqüéstrado" por motivos de reforma voluntária, o que de modo algum é dramático, verifico como os canais de televisão no terreno contribuem para o colapso letal da Língua Portuguesa. E como não há no terreno qualquer entidade forense que evite tal colapso, receio ser eu próprio a colapsar no terreno perante tantos e "massivos" disparates. Ora, e falando global, tenho de concluir que o meu "know-how"(leia-se nâuáu) nesta matéria poderá parecer um "fait-divers"(leia-se fédivér) ou um "fair play"(leia-se férplâi). Embora saiba e compreenda que as línguas evoluem no terreno, mantenho que há regras dramáticas que não podem ser alteradas no terreno sem uma entidade forense que as aprove sob pena do colapso definitivo da língua. Até porque a nível global, a globalização vai englobando as pessoas numa linguagem global que, no terreno, acaba por se tornar global.” E "prontos"! Vou entrar em "stand by" (leia-se setandebái) Vou voltar ao meu "seqüestro" voluntário e entrar em meditação, porque tudo isto soa muito mal na minha 'acústica'. Além disso, já "esgotâmos" o nosso tempo, como diz Judite de Sousa, e não quero, por hoje, que este assunto se torne “perpétuo para toda a vida” como disse Sandra Felgueiras em relação à pena a aplicar ao chamado ‘monstro da Áustria’. Para a próxima, irei expor uma lista de disparates na qual locutores-papagaios repetem, até à exaustão, as asneiras dos tradutores. Começarei por Eládio Clímaco e os seus ‘barretes dramáticos’. Será que alguém se lembra da série ‘A Vida na Terra’ transmitida na RTP no início dos anos 80? Eu tenho a gravação integral e vou recordar alguns dos disparates que infestaram essa esplêndida série de David Attenborough.
- Até à próxima.

27/03/2009

Tradutores/Locutores/Papagaios

O que se ouve nos canais televisivos, e muito especialmente nos da TV por cabo, onde imperam empresas como “O Pátio das Cantigas”, “Pim-Pam-Pum”, “Ideias e Letras” etc, cada qual mais apostada em erros de português e cultura geral, é de pasmar.
É óbvio que ninguém pode saber tudo, mas manda a honestidade e o respeito pelo telespectador que os tradutores e os “papagaios” que lêem os textos, se documentem antes de falar daquilo que não sabem.
Para quando um Governo que crie uma comissão constituída por linguistas e consultores técnicos, que imponham a essas empresas uma disciplina didáctica que não possuem?
De facto, o que se ouve hoje através dos meios de comunicação social (os chamados media) é de pôr os cabelos em pé a qualquer pessoa que se preocupe com a língua portuguesa, ou com assuntos básicos da cultura geral.

Comecemos, e apenas por hoje, pelo nome do livro sagrado dos muçulmanos: Corão, ou Alcorão?

Tendo dúvidas sobre esta questão, e devido a ela ter dormido muito pouco, resolvi passar o fim de semana em ‘Bufeira, no ‘Garve.
Assim, cedo abandonei as ‘mofadas, vesti uma camisola de ‘godão, meti algum dinheiro na ‘gibeira e lá fui na minha carripana. Passei o vale de ‘Cântara, atravessei a ponte dita 25 de Abril, e deixei ‘Mada para trás.
Chegado a ‘Cácer’ do Sal, parei para comer umas ‘môndegas de ‘catra, acompanhadas com salada de ‘face temperada com um excelente ‘zeite. Prossegui viagem, e tendo parado em ‘Justrel, aproveitei para beber uma cerveja sem ‘cool e ver uma antiga 'zenha. Finalmente cheguei a ‘Bufeira, onde, para meu espanto, não encontrei nenhum odor relacionado com essa palavra, a qual me parece mais empestar a língua portuguesa do que as narinas dos cidadãos!

Este seria um texto que os defensores de 'Corão? teriam de utilizar se fossem coerentes. Mas já que insistem nesse disparate, esclareço:
O artigo árabe ‘al’ ou ‘az’, conforme a consoante seguinte seja lunar ou solar, distinção própria do alfabeto árabe, entrou na Península Ibérica aquando da invasão muçulmana em 711. Os povos que então a habitavam, começaram a ouvir o referido artigos ligado aos substantivos, pelo que o primeiro se tornou parte integrante dos segundos. Como tal, quase todas as palavras começadas por 'al' ou 'az' (exceptua-se por ex., almoço, que vem do latim), mantêm o artigo como fazendo parte integrante da palavra. Se a consoante seguinte for lunar será 'al': al-qaçr; se for solar o 'l' passa a 'z': az-zait.
Logo, o termo correcto é Alcorão, e não Corão como alguns nos vêm tentando convencer, seja para mostrar uma erudição que não possuem ou, pior aímda, imitando os franceses, ingleses, e outros povos que nunca estiveram sob a dominação árabe. Sempre o nosso complexo de inferioridade!

Quem não estiver de acordo comigo, peço o favor de consultar o prefácio do Presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, publicado na edição do “Alcorão” pela editora Europa América, ou ainda, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado.

- E por hoje é tudo! Prometo mais, e muito mais…