18/10/2017

A PAPA DOS PAPAS!

Há dias deu-me vontade de folhear os pouquíssimos livros de estudo que me restam dos meus tempos de estudante. A maioria apodreceu há longos anos numa cave.
Pegando na História Geral da Civilização para o antigo 3º ciclo dos liceus, acabei por ler praticamente os dois volumes. E até fiquei um pouco admirado, ao verificar que a Censura autorizara alguns assuntos sobre religião. E não só esta, mas também a existência do malfadado “índex”, catálogo da “Santíssima” Igreja Católica Apostólica Romana, dos livros cuja leitura era proibida sob pena de excomunhão (um grave problema; que horror!).
Esclareço que o tal Index Librorum Prohibitorum, de seu verdadeiro nome, foi publicado pela primeira vez em 1559 sob a autorização de Paulo IV. Quatro séculos depois, em 1966, outro Paulo, o sexto, decretou que fosse abolido.
Mas, vamos ao que interessa, neste caso um jantar oferecido à corte pontifícia por Luís IX de França (1214 ou 1215- 1270) e canonizado em 1290, tendo ficado conhecido por S. Luis. Julgo que também interessa saber que fez parte da 8ª Cruzada, tendo sido feito prisioneiro pelos “infiéis”, acabando por morrer de peste em Tunes, na actual Tunísia.
Como a corte principesca do Vaticano não diferia em nada das outras cortes europeias, o mesmo luxo, os mesmos divertimentos, vinhos generosos, danças, comédias, bobos e jograis acompanharam o jantar, nada menos, e pela ordem seguinte:

  -Cerejas e pão alvo
  -Favas cozidas com leite
  -Peixe e lagostins
  -Picado de enguias
  -Arroz com leite de amêndoa salpicado de canela
  -Enguias assadas
  -Tortas e requeijão
  -Fruta

Que tal?
Mas, avancemos dois séculos para tomarmos conhecimento com um dos mais debochados papas que chefiaram (e continuarão a chefiar) a máfia do Vaticano: Alexandre VI (1431-1503.
Eis uma lista de uma refeição “frugal” daquele cavalheiro:

   -Ovos
   -Lagosta
   -Melão apimentado
   -Compotas
   -Ameixas
   -Torta envolta em folhas douradas

Mas, um grande número de cristãos escandalizava-se com aquelas vidas faustosas, tendo Fernando de Aragão comentado: “O papa leva uma vida abominável; não tem qualquer preocupação com o lugar que ocupa”.
Também os embaixadores estrangeiros, mesmo os portugueses e espanhóis, ousavam fazer admoestações ao papa. Ameaçavam-no com um concílio em que seria julgado o seu comportamento; mas, o papa exaltava-se:
“Se continuais a dar-me cabo dos ouvidos, mando-vos atirar todos à água!”
E, ao embaixador da França, justificava-se com estas palavras:
“Vós, os Franceses, não conseguis compreender que um papa é um homem como os outros”.

O meu comentário: nisto, ao menos, tinha razão!



28/09/2017

MARIA CALLAS E UMA TAL DIANA!

No passado dia 16, completaram-se 40 anos sobre a morte de Maria Callas (Maria Kekilía Sofia Anna Kalogerópulu, de seu verdadeiro nome na melhor transcrição que consegui do alfabeto grego para o latino).
Mas, que eu saiba, a chamada comunicação social (os média, mídia, media, como quiserem) pouco falou, se é que o fez, sobre aquela efeméride.
E porquê? Porque  o mundo está há “vinte anos sem Diana”, uma mulher que, por estupidez,  ganância ou ingenuidade, casou com um membro de uma família de tarados que, como é lógico, espera que a mamã, velha de noventa anos, morra para ser “rei”.
Mas o tiro saiu-lhe pela culatra; sem pensar nas palhaçadas (há quem lhes chame protocolos) que teria de fazer para ser digna representante daqueles lacaios dos “costumes”, não pensou nas cerimónias, nos vestidos, nos sapatos, nos ridículos chapéus à banda que teria de aturar e usar.
Escolheu um “príncipe”, porque tudo o que nasce ou se liga às famílias ditas reais, é logo promovido a um grau qualquer daquelas hierarquias. Portanto, tornou-se “princesa” - a “princesa do povo”, Pasme-se.
E que desgraçado tem sido este mundo durante os 20 anos da sua ausência. O que eu tenho chorado!
Mas, ao menos a dita senhora teve a coragem de pôr os cornos ao marido, pagando com a mesma moeda o que o ele lhe fazia. Afinal, mudar de “pila” não faz mal a ninguém. Até dizem que dá saúde.
Tudo isto pagou com a vida, fugindo dessas melgas, carraças, vespas, etc. que se chamam jornalistas.
Porém, para quê continuar? Se alguém estiver interessado em saber mais sobre a opinião que tenho sobre o assunto, convido, sem falsa modéstia, a ler o que escrevi neste blogue em 23 de Maio de 2011, sob o título “O Disparatado Planeta das Falsas Celebridades”.




06/07/2017

A ENTRGA DOS FACÕES!
(TAMBÉM HÁ QUEM LHES CHAME ESPADAS)

Os oficiais do glorioso Exército Português ficaram muito zangados por lhes terem roubado brinquedos muito caros que o Zé Povinho paga sem regatear.
E veio logo a justificação, que só a típica passividade dos Portugueses aceita: a redução das verbas para a chamada defesa!
Confesso que tenho pena daquela gente. Os cortes no orçamento (que só os preocupa por causa das promoções no “tacho” a que resolveram dedicar as suas vidas) é que são os culpados pela falta de vídeo vigilância (e não só) pelo roubo dos seus brinquedos.
Por isso, resolveram entregar os facões, perdão, espadas, ao seu Comandante Supremo. (Entretanto mudaram de ideias.)

Que pena não ser eu a ocupar esse cargo. Mandava-os para o circo como engolidores de espadas, mas na versão inversa do trajecto digestivo.


20/06/2017

ONDE ESTÁ A TROPA?
(Também há quem lhe chame exército)

Nos quartéis, claro! Em 1966 morreram 25 militares no combate a um incêndio na serra de Sintra. Por outro lado, suportava-se uma guerra em três frentes africanas. Nesse fatídico dia de Setembro, estava eu numa delas.
Porém, os incêndios florestais no tempo da “antiga senhora” eram raros, e a tropa era chamada para ajudar os bombeiros.
Depois da implantação da chamada democracia, os fogos florestais tornaram-se tão normais, que até se tornou oficial a implantação da “época de incêndios”!
Portugal arde todos os anos e são só os Bombeiros, a GNR e as populações que ajudam como podem para salvar vidas e haveres.
Esses tipos que juraram defender a Pátria até à última gota de sangue, o que fazem: nada! Ou será que a defesa da Pátria é só em caso de guerra ou ir para outros países nas chamadas “missões de paz” e ganhar mais dinheiro?
Chiça! Quando haverá um Presidente da República que, como Comandante Supremo das Forças Armadas (e com tomates) use o seu poder para obrigar essa gente a cumprir o juramento que fizeram?


Nota: Sabem que o quartel de Comandos da Amadora acciona um semáforo vermelho para interromper o trânsito, a fim de que as altas patentes, "encharcadas de suor" pelo trabalho diário, possam sair sem impedimentos? 


10/06/2017

VERGONHA (3)

…A religião católica diz-se monoteísta mas, para baralhar os crentes e justificar um tal Espírito Santo e um revolucionário judeu chamado Jesus (depois chamado Cristo, do grego “ungido”) resolveu atribuir a todos a mesma categoria divina com o mistério da Santíssima Trindade: um só Deus em três entidades distintas. É obra!
E isto, porquê? Porque o tal revolucionário contra a dominação de Roma, intitulava-se “Filho de Deus”. Quanto ao chamado “Espírito Santo”, como Deus não tem pénis, órgão apenas presente nos seres materiais, mandou aquele seu comparsa, esquecendo-se que este padecia do mesmo tipo de impotência, engravidar uma tal virgem chamada Maria que, como é óbvio, ficou com o hímen intacto. Isto não impediu, porém, que por artes mágicas, a boa senhora (concebida sem pecado?!) parisse Jesus e seus irmãos; estes são referidas na Bíblia no número 14 do 1º capítulo dos “Actos dos Apóstolos”.
Depois temos os anjos, os arcanjos, os querubins, os serafins, os santos e santas, sendo estas e Maria as únicas representantes femininas para aliviar o machismo.
Mas, e como em qualquer religião pagã, temos também os anjos maus, representados pelo Diabo. Este malandrote foi o chefe de uma revolta contra Deus que, apesar de ser omnisciente e omnipotente, não previu a insurreição nem se opôs a ela. Criou como represália o Inferno, que o papa João Paulo II encerrou!
Toda aquela mescla de divindades vive no “céu”, estando o Filho sentado à direita do Pai e o Espírito Santo a voar pelas vastidões celestiais, numa monotonia eterna. Mas, em que galáxia?
Como em todas as épocas, surgem sempre os espertalhões e oportunistas que exploram a crendice humana; e nada melhor do que arranjar “cá em baixo” representantes devido à falta de naves espaciais para trazerem os deuses à Terra e provarem, de uma vez por todas, que existem.
Assim, temos o papa e toda uma corte de cardeais, bispos, arcebispos, priores, padres, etc., cuja maioria (há sempre excepções) engana e rouba milhões de pessoas. A sua capital, o Vaticano, situa-se no centro de Roma e não paga qualquer imposto sendo ela, em quaisquer assuntos, polícia de si própria (o papa João Paulo I foi imediatamente embalsamado depois de descoberto o corpo, para impedir a autópsia. “E esta, hem?” como dizia Fernando Pessa).
Além disto é proprietária do Banco Ambrosiano que…
Mas, para quê continuar com este assunto? Quem quiser aprofundar as suas crenças sem medo da verdade, leia o livro de José Rodrigues dos Santos intitulado “Vaticanum”: ou então, leiam os do padre Mário Oliveira que além daqueles, se mostra um autêntico apóstolo da verdade nos seus discursos publicados no youtube.
Sr. Presidente da República: o actual papa pode ser um “gajo porreiro”, mas é o chefe da maior máfia do mundo e, se não a pode dominar, faça como o Ratzinger: demita-se. Seja como for, é possível que o Senhor Presidente se tenha ajoelhado e beijado a mão de tal personagem para vergonha dos Portugueses?
Ah! Analisando bem as coisas, a maioria deve estar consigo nesta triste acção que praticou. Eu é que sou estúpido e ignorante mas, e voltando a citar Fernando Pessoa, afirmo: “MERDA, SOU LÚCIDO!”









03/06/2017

VERGONHA! (2)

Apesar de não ter vomitado, continuo a pensar como pessoas cultas e inteligentes podem acreditar em “aparições”, sejam de Deus ou do Diabo, onde Fátima é a rainha toda poderosa. Ao pé dela, Lourdes e, muito mais recentemente em Medjugorje (24 de Junho de 1981), aldeia da Bósnia-Herzegovina, não passam de simples lugarejos.
Apesar de, nesta última, as “aparições” continuarem(!) o Papa Francisco não as reconhece. Claro… Fátima não admite concorrência ao seu império. Mas, o mais curioso, é que ninguém consegue obter imagens registadas, mesmo tendo em conta a época em que vivemos.
Mas, não é só agora; em 1917, já há muitas décadas que existiam máquinas fotográficas! Ora as fotos que existem mostram apenas as três desgraçadas crianças usadas pela ‘maior máfia do mundo’ para impor os seus diabólicos desígnios!
Também existe uma, publicada no livro “Fátima Desmascarada” de João Ilharco, que mostra uma grande multidão de pacóvios a “ver” o Sol a bailar! O curioso, porém, é que observando bem as expressões, nota-se mais dúvidas do que certezas e estas, se se confirmassem, fariam com que toda aquela gente se atirasse para o chão a gritar “MILAGRE”, “MILAGRE”! É assim o ser humano!
Pela minha parte, e como no dia da visita papal à grande sucursal do Vaticano a região estava sujeita a um regime de aguaceiros, cheguei a temer que aquele fenómeno do poder divino se repetisse. Só ali, claro, já que em mais nenhuma parte do mundo foi observado.
Eu próprio já observei várias vezes esse fenómeno, e creio que já muita gente o viu; mas, fora de um ambiente de misticismo, ninguém lhe dá atenção, tão natural que é.
Apesar de já o ter explicado neste blogue, vou repetir:
Trata-se de uma ilusão de óptica provocada pela passagem de nuvens de densidades diferentes em frente do Sol. É um fenómeno muito corrente durante os períodos de aguaceiros. Mas, só mesmo os estúpidos e ignorantes como eu é que julgam que é assim. O sol a dançar? Porque não? Apesar de muita gente ter estudos, parece que não serviram para nada. Continuamos como na Antiguidade e na Idade Média, onde apenas existiam o Sol por cima e a Terra por baixo! Ah! Já me esquecia que o Deus da Bíblia também inventou o “luzeiro da noite”, a Lua; esqueceu-se, porém da situação de “Lua Nova” (em que esta não se vê) e que nas latitudes elevadas, o Sol também desaparece durante alguns meses. Em compensação, no equador, os dias e as noites são sempre iguais. Curioso!
Estranha religião esta que se diz monoteísta, mas venera uma infinidade de deuses e afins. Julgo que consegue ultrapassar a Mitologia Grega, uma das mais complexas que a mente e a crendice humanas alguma vez inventaram. Senão, vejamos…

Queriam mais? O programa segue dentro de momentos em “Vergonha (3)” com muitas questões “em cima mesa” que se podem “tornar virais” ou “ficarem mal na fotografia”. (Vêem como sei imitar os papaguear dos jornalistas?)





18/05/2017

VERGONHA! (1)

Depois de muitos meses de pausa, e apesar de ter vários temas “na manga”, a visita de “Sua (dele) Santidade, o Papa”, que fez com que me recusasse a ver qualquer telejornal para não assistir ao que já previra, acabei por saber que os meus “temores” se confirmaram. Por isso quebrei a pausa para afirmar:
Sr. Presidente da República: Como Português sinto vergonha por tê-lo visto beijar a mão do Papa. Estamos num País laico e, embora o senhor seja católico, como volta e meia apregoa, deve respeitar as dezenas (senão centenas) de variedades do Cristianismo, bem como as outras religiões, os agnósticos (como eu) e os ateus.
No programa “Prós e Contras” de Junho de 2010 dedicado à vinda a Portugal do Papa anterior, e que critiquei em duas partes neste blogue, o senhor pôs reticências ao seu pontificado e até falou da Inquisição. Mas, e as palavras são suas, “trata-se do nosso chefe espiritual e há que recebê-lo com todas as honras”!
Francamente! O senhor é um homem culto e inteligente, o oposto do pateta que o antecedeu. Como é possível, sabendo que todos os Papas têm sido os patrões de uma das maiores máfias do mundo (a igreja de Roma) os considere “chefes espirituais”?
E como concilia o facto de não viver com a sua legítima mulher e “andar com outra”? Ou será que só dão beijinhos na cara? Não tenho nada a ver com a sua vida privada, mas, segundo a sua crença, está em pecado mortal!!
E será que também acredita nos santos, nas aparições, nos milagres, na “dança do sol” e…
Bem; por hoje fico por aqui.  O programa segue dentro de momentos, ou seja, no próximo artigo. Se continuar hoje, tenho a impressão que irei vomitar!


22/11/2016

PERDÃO, SENHOR PADRE. EU FIZ UM ABORTO!
Depois de ter afirmado que “Deus também chora”, este papa, tal como os anteriores, atira com mais uma bacorada ao dar “poder” à padralhada de perdoar às mulheres que praticaram aborto.
É óbvio que, como o papa é “infalível”, dogma reafirmado no Concílio de Trento por Paulo III no século XVI, conclui-se que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”, como dizia um tal Aníbal. Ao menos, este último ainda punha a possibilidade de ter dúvidas, mas também é verdade que não era o representante da divindade no planeta Terra. Deo gratias.
Esta incrível concessão dada aos profissionais da Igreja de Roma, onde, como é natural em todas as instituições humanas, se encontra uma grande parte da escória da humanidade (pedófilos, ladrões, assassinos, etc.), vai permitir que muita mulher dita “pecadora” possa ir para o céu. Que alívio! Deus é grande e o papa também!
Esta história recorda-me os tempos onde, sempre com sentimento de culpa, batia…(perdão, masturbava-me). Mas não havia problema: dez “Ave-Marias” e um “Pai-Nosso”, prometidos ao ajoelhar no confessionário entre as pernas do padreca a quem era obrigado a confessar-me, resolviam a questão. Até à próxima esfregadela!

11/11/2016

HILLARY+TRUMP = HILARIDADE+DIARREIA

Esta estranha equação surgiu-me na noite passada, enquanto ouvia as dezenas de comentadores que (certamente pagos para isso) metralhavam os poucos portugueses que não estavam a dormir com os mais ridículos e idiotas comentários sobre as “históricas” eleições norte-americanas. E, como é óbvio, àquela malta toda os jornalistas acrescentavam o tempero habitual tão do seu gosto.
Só por curiosidade acedi a um canal de notícias e ao ver aquela gente toda a dizer tantas diatribes sobre o Trump, o meu eterno espírito de contradição, levou-me a ”torcer” pelo homem.
Assim, cheio de fé na vitória dele, fui dando vazão ao intestino grosso que, talvez devido a uma feijoada ingerida na véspera, também escolhera o seu candidato.
Enquanto isto, e devido às inevitáveis canecas de cerveja, a bexiga também despejava o seu conteúdo, regando os restos digeridos da feijoada, com o mesmo empenho e entusiasmo com que aquela gentinha falava do “acontecimento do ano”. Até sou capaz de apostar que sabem mais da historieta dos Estados Unidos do que da História de Portugal.
Mas foram as trombas da Hillary que me provocaram a hilaridade até às lágrimas. Não havia dúvida; os meus fluidos insistiam em libertar-se naquela noite, chegando ao ponto de saírem simultaneamente enquanto estava sentado na sanita.
Abençoada seja a política!
Porém, a festa ainda não acabara. Já deitado (e aliviado), vim a saber que as bolsas tinham começado a cair e que os mercados estavam a ficar nervosos.
Inquieto, levantei-me e fui ver se a minha bolsa (carteira) estava no seu lugar. Felizmente não tinha caído e continha o mesmo dinheiro da véspera.
Quanto ao periódico nervosismo dos mercados, aconselho a que façam como eu: tomem um ansiolítico e livrem-se dos ataques de pânico.

  

02/11/2016

AS ETERNAS PERGUNTAS DISPARATADAS
(OU ESTÚPIDAS)

Já me referi, há tempos atrás, às perguntas disparatadas, inúteis, idiotas, estúpidas, ou, até, “mazinhas”, que os senhores e senhoras jornalistas fazem às pessoas quando estão “no terreno”.
Estas duas foram feitas por Clara de Sousa no telejornal da “SIC”, em ligação telefónica com um português residente na Itália, sobre os sismos que têm atingido o país:
- “Acha que haverá réplicas?”
- “Pode-se saber quanto tempo demorará a reconstrução”?

Cheio de pachorra, o homem foi respondendo que era natural que houvesse réplicas (podia ter acrescentado que não era sismólogo, mas, que, como é sabido, um sismo raramente constitui um fenómeno isolado); quanto ao tempo de reconstrução, era impossível determinar visto que ainda se estava muito próximo da tragédia.
Como é óbvio (isto digo eu), possivelmente nem sequer um inventário dos estragos tinha sido feito. Mas, o que importa é chatear as pessoas e preencher o tempo de qualquer maneira!


28/10/2016

“PRAIA-MAR” E “CLIMATÉRICO”!

Estas duas “pérolas” ouvi ontem no noticiário da “SIC”.
É preia-mar e não “praia-mar”, como muita gente, erradamente diz. Preia provém do português antigo e deriva do latim plena, feminino do adjectivo plenus (pleno, cheio) + maris (mar).
Quanto a “climatérico” referindo-se ao clima, embora admitido por alguns dicionários, tanto antigos como modernos, não passa de um galicismo inútil, já que temos as palavras “climático” e “climatológico” como substitutos.
Se bem me lembro, foi o saudoso Prof. Anthimio de Azevedo que explicou porque é que o termo “climatérico” não deve ser usado em português E, a verdade, é que os meteorologistas nunca utilizam aquele galicismo.


19/10/2016

PARA QUE NOS SERVE A TROPA, OFICIALMENTE CHAMADA EXÉRCITO?

O País arde nos Verões, os criminosos roubam e matam, nos chamados bairros problemáticos a polícia é insultada e agredida; e quem é que faz frente a estas desgraças que atingiram o Portugal dito democrático?
São os bombeiros, a GNR e a PSP que acodem com sacrifício da própria vida (e o número de mortes já não tem conta, enquanto a tropa (perdão, o exército) passa a vida a descansar
Curiosamente, no ‘meu tempo’, ainda havia muitos comboios que eram puxados por locomotivas a vapor e deitavam fagulhas, além de que o “portuga”, sempre habituado a deitar fora o que não prestava (como seja escarrar no chão como se fosse a coisa mais natural do mundo) atirava as “beatas” pela janela do carro. E, só muito raramente, havia incêndios florestais.
O maior de que me recordo, ocorreu em 1966 na serra de Sintra, onde morreram 25 militares (possivelmente, na sua maioria milicianos) que, sem preparação para uma luta daquele tipo, se deixaram cercar pelas chamas.
Por essa altura, estava eu apenas há dois meses na “porca da terra”, como costumo designar o território chamado Angola, a cumprir o chamado serviço militar obrigatório.
Lembro-me de, consternado, ver na capa de um semanário daquela parvónia que se chamava “Notícia”, uma imagem da tragédia com o título: “A serra de Sintra desapareceu”! (Sempre o exagero desses amplificadores de catástrofes chamados jornalistas!)
Mas, voltemos à vaca fria, aliás gelada, porque da tropa (exército) nada vem de produtivo. Se ao menos se mantivesse nesse estado físico, apenas gastaria electricidade, mas a verdade é que o seu peso no orçamento o Estado é muitíssimo maior.
No tempo da “antiga senhora” havia guardas florestais que faziam a manutenção das matas, e também os cantoneiros com os seus chapéus característicos que, uma vez por outra, encontrávamos nas estreitas, mas asfaltadas estradas que Salazar mandara construir. Afadigadamente procuravam e tapavam os buracos que encontravam, saudando sempre os condutores dos poucos automóveis que por eles passavam.
Eram outros tempos e o progresso não perdoa. A essas pequenas vias de comunicação sucederam-se as auto-estradas e as vias rápidas e, também, como consequência dos novos tempos, a chamada “época dos incêndios”, coincidindo, ironicamente, com a irmã mais velha, a época balnear.
Em face disto pergunto, no meu modesto saber apimentado por um antimilitarismo primário, qual é a ocupação da tropa (exército) em tempo de paz?
Porque é que morrem bombeiros e elementos da GNR enquanto a tropa (exército) se mantém, placidamente, nos quarteis, embora tenha jurado defender a Pátria até à última gota de sangue? Será que a Pátria a arder não merece ser defendida?
Porque é que essa tropa (exército) faz manifestações, proibidas pelo seu estatuto de militares, alegando estar descontente? E descontente de quê?
Citando Miguel de Sousa Tavares, pergunto como é que se pode estar descontente quando se tem emprego e reforma vitalícios?
Como será o dia-a-dia de um soldado, de um sargento, de um oficial e de toda a enorme hierarquia dessa tropa? (não digo fandanga porque ela marcha a quatro tempos, enquanto o fandango é em compasso ternário)
Brincar aos polícias e ladrões ou a índios e cowboys como todos os da minha geração fizeram, justificando isso como sendo manobras ou exercícios?
Porque é que os Governos não têm coragem de cortar a sério nas despesas com a chamada defesa e aplicar esses milhões na saúde, na educação e na investigação científica, evitando que os nossos melhores cérebros tenham que emigrar? Será que têm medo que a tropa (exército) volte a fazer novos 28 de Maio ou 25 de Abril?
Porque é que esses funcionários públicos são diferentes dos outros e constituem um estado dentro do estado, dividindo os cidadãos em civis e militares?
Se a Força Aérea e a Marinha ainda fazem alguma coisa, como salvamentos e vigiar o nosso espaço aéreo e a costa marítima (mesmo sem os tristemente célebres submarinos que custaram um balúrdio à Nação e se encontram parados) porque não “modernizar” a tropa (exército) instruindo-a nas funções de bombeiros, vigilantes e limpadores das matas florestais e até, porque não, auxiliando a Polícia e a GNR na caça a criminosos, como deveria estar a acontecer neste momento em que se procura apanhar um assassino?
Depois disto tudo, veio-me à ideia o caso da Costa Rica, que extinguiu as Forças Armadas. Segundo disse o oceanógrafo Jacques Yves Cousteau num dos seus maravilhosos documentários, foi um general o autor de tamanho feito! Estranho paradoxo este!
E fico por aqui, não vá aparecer por aí algum militar descontente para me dar tautau.

Nota: Se muito boa gente (e também má) ficou zangada por ter chamado a Angola “porca da terra”, convido-a a ver no youtube o vídeo “Reportagem do New York Times Mostra A Corrupção do Governo Angolano”. Divulguem o mais que puderem.




25/07/2016

PLÁGIO? SÓ PARA RIR!

A fantochada que costumam ser as eleições nos Estados Unidos da América, e tão bem parodiadas por Júlio Verne em “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, dá-me vontade de rir.
Esses descendentes de europeus emigrados e escravos pretos (perdão, afro-americanos! Porque será que não me habituo à censura democrática?) e que se dizem americanos (os autênticos sobrevivem em reservas para turista ver), conseguem provocar a hilaridade dos seus ancestrais. Não é que na “soberba Europa” (Camões) as chamadas eleições não tenham, também, o seu quê de pitoresco; até porque a populaça aplaude sempre os seus favoritos a futuros patrões, recebendo prendinhas e promessas que nunca virão a ser cumpridas.
Neste momento, em que se aproximam as eleições nesse “país sem história*”, e a chamada primeira dama acusa a provável rival do marido de plágio num discurso tão hipócrita como idiota, comum a todos os políticos, só resta a receita que diz que “rir é o melhor remédio!”.
Ah, mulheres de um raio! Será que, com mais ou menos palavras, o discurso não é sempre o mesmo? Porra! Até, depois de serem eleitos, os políticos continuam a plagiar-se, isto é, não cumprem nada do que prometeram.
E fico por aqui senão, tal como na Mitologia Grega, nunca mais acabaria. O desenvolvimento de toda esta fantochada, compete aos jornalistas, ávidos de todas as broncas, fantochada e tragédias omnipresentes neste famigerado planeta.

*País sem História.
Esta definição surgiu na imprensa portuguesa após o começo da guerra em Angola em Fevereiro de 1961. Depois de Salazar ter enviado tropas para aquela colónia (ou província ultramarina, conforme queiram) o então presidente dos EUA John Kennedy, sofrendo da mesma mania de intervir nos quatro cantos do mundo, teve o desplante de intimar o Presidente do Conselho a suspender imediatamente o envio de tropas para proteger a população, branca e preta (perdão, agora tenho de dizer negra) contra os crimes horrendos que os movimentos pró-independentistas (movimentos de libertação, como queiram) tinham cometido tanto nuns como noutros.
Até um tio meu, salazarista ferrenho e anti-norte-americano primário, declarou: “isto também é demais!”
Pergunto: será?



22/07/2016

MAR DE “MARMÁRA” E “RIO” BÓSFORO

A cultura geográfica (e não só) de alguns jornalistas continua a espantar-me. Mas, paradoxalmente, agradeço-lhes, porque é essa falta de cultura que me fez criar este blogue que faz parte dos meus vários entretenimentos durante estes deliciosos anos de reformado.
Mas, vamos corrigir os dois disparates que fazem o título deste artigo.
Mar de Mármara: nome do mar existente entre o Mar Negro e o Mar Egeu separando as partes asiática e europeia da Turquia. 
Nesta divisão, distinguem-se os estreitos (e não rio) do Bósforo e de Dardanelos.
Em português o nome daquele mar é uma palavra esdrúxula e, por isso leva acento no primeiro “a”: Mármara.
Quanto ao Bósforo, julgo interessante lembrar (escrevi sobre ele num artigo anterior) que significa, em grego, “estreito do boi”.
Esta denominação refere-se à lenda em que Zeus, transformado em boi, atravessou o estreito levando Europa, que raptara. Esta era filha de Agenor, rei da Fenícia, e irmã de Cadmo, o lendário inventor do alfabeto.
Na ilha de Creta, para onde Zeus a levou, teve dele três filhos, entre os quais Minos, que mandou Dédalo construir o célebre Labirinto.
Mas, fiquemos por aqui, senão a história nunca mais acabaria. 
É que isto de Mitologia Grega tem que se lhe diga, ou não fosse ela a maior de todas e onde o génio de invenção de bizarrias e crendice humanas, suplanta tudo o que se pode imaginar.
- A propósito: já repararam na face nacional das moedas gregas de um euro? Ora aí têm: uma figura de mulher levada por um boi.


14/07/2016

EMIGRANTES, IMIGRANTES, MIGRANTES E REFUGIADOS


Este artigo deveria ter sido publicado antes do “brechiça”, já que o tema surgiu há muito mais tempo mas, que baralhado com o matraquear dos jornalistas que apresentam os poucos telejornais que vejo, só agora é que me ocorreu investigar.
Como quase sempre, trata-se de mais uma manifestação do papaguear baseado na língua inglesa que, neste caso, se refere aos refugiados do Médio Oriente como migrants.
Considerando a questão “em cima da mesa” (on the table), e portuguesmente falando, esclareço:
Emigrante: palavra utilizada num país para designar aqueles que foram trabalhar para outros países.
Exemplo: nos anos sessenta do século passado, milhares de portugueses emigraram para a França e para a Alemanha.
Imigrante: a situação anterior vista no sentido inverso.
Exemplo: nas últimas décadas, Portugal tem recebido muitos imigrantes do Leste da Europa.
Migrante: Pessoas ou animais que, periodicamente, se deslocam de uma região para outra.
Exemplo: as andorinhas são aves migratórias que nos visitam na Primavera e vão-se embora no Outono.
Refugiados: aqueles que fogem para outro país por motivo de guerra, epidemia ou outras catástrofes.
Exemplo: Aristides de Sousa Mendes concedeu milhares de vistos a judeus que fugiam das perseguições nazis.
- “Estou certo ou estou errado?”



29/06/2016

BASTA DE BREXIT!

Não há pachorra que aguente! A sociedade de papagaios não só continua, como começa a exceder todos os limites aceitáveis. Brexit para aqui, brexit para ali, brexit para e por todo o lado.
O mais curioso, e julgo não estar enganado, é que a maioria dos Portugueses, como sempre preocupados em saber se não lhes vai sobrar mês no fim do ordenado (ou da reforma), não faz a menor ideia de que diabo de bicharoco ou remédio será brexit! Apenas o associam à saída do Reino (des)Unido da União Europeia.
Pela minha parte, tive de recorrer a um amigo que, admirado por eu não saber (pertence à sociedade de papagaios anglófonos), me desvendou o mistério: trata-
se da abreviatura de 'British Exit'. Ah! Que alívio; até vou dormir melhor.
Como nunca tive jeito para línguas (os outros que aprendam a minha) já me pareceu ouvir aquele palavrão de vários modos: breczit, brezit, brecit, bresheet, breshit (que confusão deve reinar naquele país), e, já agora, também poderia ser dito, à boa maneira lusitana, 'brechiça' o que dá, sem o prefixo, CHIÇA!


BRAVO, RONALDO!

Bravo, bravíssimo, 'bravooooo', como é costume alguns histéricos (geralmente afins com fabricantes de panelas), berrarem quando um cantor de ópera emite bem uma nota aguda de que todos estão à espera. Até parece que perante o “maior espectáculo do mundo”, só isso é que interessa.
Mas não é disto que se trata. Refiro-me ao microfone de um 'díptero nematócera' (vulgo, mosquito, melga, JORNALISTA) que atiraste para o charco. 
Se todos fossem como tu e como o Alberto João…!



24/06/2016


TRÊS “B”

É costume, na História da Música, fazer-se referência a Bach, Beethoven e Brahms como sendo os três “B” alemães. O primeiro é cognominado de “O Matemático”, o segundo “O Filósofo” e Brahms como sendo “O Poeta”.
Obviamente que se trata de uma classificação que não se deve levar muito à letra. No fim de contas não é muito difícil encontrar um pouco daqueles cognomes na obra daqueles três compositores. Mas, o ser humano é assim: gosta de arranjar nomes para tudo e todos, conforme as suas preferências.
A História está cheia deles, mesmo quando coroam os maiores autores de crimes contra a Humanidade. Basta citar Alexandre, “O Grande”, Estaline, “O Pai dos Povos”, Mao Tsé Tung, “O Grande Timoneiro”, etc. etc. E, não esqueçamos que Napoleão tem, em Paris, um mausoléu de se lhe tirar o chapéu. Até rima!
Mas, a que propósito vem isto? Muito simplesmente porque actualmente temos três “B” responsáveis pela tragédia (mais uma) que se passa no Médio Oriente, em que o número de mortos já se conta por dezenas de milhares. Porém, para esse trio, não há Tribunal Internacional de Haia. Este é só para alguns, como escrevi há anos no artigo “Crimes Contra a Humanidade, que Critério?”
Quem são eles? Muito simplesmente Bush, “O Cow-Boy”, Blair, “O Bife” e Barroso “O…piiiiiiii.” Agrupados sob a mesma consoante, bem poderiam ser classificados como “AS TRÊS BESTAS”!
 

01/06/2016

AINDA O FAMIGERADO “ACORDO ORTOGRÁFICO”

A “culpa” não é minha, mas sim do actual Presidente da República (estivemos dez anos sem ter um a sério) que, em boa hora, levantou o problema do chamado 'acordo ortográfico'.

Quem ficou agastado foi o “pai” de tão triste e servil acordo, o Ex.mo Senhor Professor Doutor João Malaca Casteleiro, linguista licenciado em Filologia Românica, professor da Faculdade de Letras de Lisboa e não só, investigador, etc. etc...
Numa espécie de acto vingativo, para além de falar de “política da língua”, pasme-se, vem afirmar que o PR «tem de Cumprir a Lei e, neste momento, o A.O. constitui Lei em Portugal».

Evidentemente, senhor professor, doutor, etc. etc... Mas, que Lei? A sua e de um Conselho de Ministros apoiado por uma cambada de oportunistas nomeados pelos partidos da chamada Assembleia da República? Então o senhor professor dr., etc. etc., não sabe que é impossível, em qualquer língua, fazer coincidir exactamente a fonética com a ortografia até porque, entre outras razões, existem as pronúncias regionais? E que no falar coloquial “comem-se” letras como, por exemplo, ‘tar em vez de estar? Claro que sabe, (quem sou eu para duvidar da sua
ciência) mas gostaria de saber quais os motivos que o levaram a querer que a língua portuguesa continue a devorar-se a si própria. É que não se trata de uma modificação como a operada em 1911; as línguas evoluem e aquela mudança foi drástica. O mal é que, desde aí passámos a fazer modificações às mijas, provocando as inevitáveis misturadas, baralhando tudo e todos há décadas, 
tornando impossível não cometer erros ortográficos. 

Senhor prof., etc. etc...: um assunto como este, muito mais importante dos que já foram sujeitos a sufrágio popular, é que justifica que se faça um referendo, percebeu?

Mas, o Sr. Prof,. etc. etc..., bem como os seus adeptos, sabem muito bem que ganharia o “não”. Quer apostar, Sr. Casteleiro etc. etc...? 
Recuar custaria agora muito dinheiro, diz o Sr. Malaca etc., etc...; muito mais custa toda a ladroagem e traidores que há 42 anos abundam em Portugal, e ninguém faz nada. 

Por isso, Senhor Presidente da República, pelo menos contra o “acordo”, marchar, marchar!

Duas notas finais:

1 - Embora já tenham passado mais de quatro anos, aconselho, a quem não leu o artigo que Vasco Graça Moura (que infelizmente já não está entre nós), publicou no Diário de Notícias sob o título “Intimação ao Professor Malaca”, a lê-lo.

2 - Já que falei de traidores, também gostaria de saber se é verdade que Manuel Alegre, quando estava na Rádio Argel, denunciava os movimentos das tropas portuguesas na África.
Sem querer duvidar das várias testemunhas que o afirmam, acho muito estranho que o homem que diz que ninguém o cala, se mantenha…calado!
Incitar a desertar é uma coisa; provocar a morte ou captura de filhos do seu Povo, cuja maioria estava naquela guerra à força (como eu), chama-se TRAIÇÃO! E queria este tipo ser Presidente da República!


10/05/2016

O SOL A BAILAR, OUTRA VEZ!


Parece que o chamado astro rei não tem juízo quando a recordação de uma virgem(?), falecida há dois mil anos, lhe provoca tão estranha excitação que lhe dá para dançar. Talvez seja a ausência de um pénis para resolver aquela questão tão querida (e importante) para os Cristãos, que o põe em passos de dança.
 Que pena eu tenho dessa mulher; dois séculos após ter posto o velho marido para trás (possivelmente já impotente) terá arranjado conforto nos braços (e não só) de um soldado romano. Porém, a coscuvilhice e a má-língua, tão típicas dos seres humanos, ainda hoje não a deixam em paz.
Mas, deixemo-nos de “heresias”, e falemos a sério. Como é possível que num país europeu, no séc. XXI, a fé embote e cegue tão completamente pessoas, que em princípio têm estudos (não estamos em 1917) ao ponto de verem um milagre num banal fenómeno meteorológico? Ser crente, é uma coisa que respeito; a crendice elevada ao nível da estupidez, é-me muito difícil de suportar! Se não sabem o que provoca aquele fenómeno, eu explico. Acontece quando nuvens de densidades diferentes ofuscam o sol, normalmente durante um regime de aguaceiros. Esta era a situação meteorológica durante a ocorrência deste último “milagre”, tal como em 1917. Acrescente-se, ainda, que a tentativa, logo abortada, de se olhar directamente para o sol, provoca reflexos coloridos na retina que se mantêm durante algum tempo. Além disto, o rápido movimento das nuvens cria a ilusão que é o sol qua se move, do mesmo modo que quando viajamos de comboio, parece ser a paisagem que se move. Isto aprendia-se, no meu tempo, na Instrução Primária! Conclui-se, assim, que a chamada democracia pouco mudou! Eu próprio, sempre interessado em meteorologia e outras ciências, já presenciei várias vezes o tal “milagre”.
E, para terminar, uma pergunta: porque não se apregoa a mesma balela na presença de um arco-íris? Será preciso a passagem de uma estátua de uma espécie de deusa (um atentado ao segundo mandamento) para se gritar milagre, milagre?Julgo que a resposta reside no facto de a esmagadora maioria das pessoas só olhar para o chão, como os burros, e o arco-íris, além de mais vulgar e mais feérico, parece tocar no solo, sendo assim mais facilmente visto.
Aviso vindo do além: "cuidado João Daniel, não abuses nas tuas heresias senão ainda podes ter problemas com o Sousa Lara, o Mário David e os outros fanáticos da seita a que pertencem. Lembra-te que José Saramago, num debate (inútil) com o padre Carreira das Neves, salientou que na Declaração dos Direitos do Homem, faltam os direitos à heresia e à contestação!"