08/06/2019


A EUGENIA


Continuando como o tema que intitulei “o grande fosso”, permito-me perguntar porque é que ele existe e hoje, mais do que nunca, é mais profundo.
Já repararam que, pelo menos nas épocas mais recentes e na Europa, nunca se ouve falar de fome, greves, “coletes amarelos”, golpes de estado, ditaduras, etc. nos países escandinavos? E que dizer da Suíça, que até conseguiu manter-se neutral mesmo no centro dos dois grandes conflitos mundiais? Passando agora para o outro lado do Atlântico, sabem dizer-me o nome do primeiro-ministro do Canadá?
Acho que não; nem o daquele país nem os da Austrália e da Nova Zelândia!
Parece, assim, que por qualquer razão, há povos, raças ou etnias (como quiserem) que sabem “arrumar a casa” e mantê-la nesse estado mesmo quando sofrem a fúria dos elementos. Veja-se, também, o caso da Holanda, com uma grande parte do seu pequeno território abaixo do nível do mar. A capacidade de trabalho e organização dos Holandeses até deu origem àquele ditado que diz que “Deus fez o mundo, e os Holandeses fizeram a Holanda
Mas, o mais curioso, é que esses países são considerados ricos, embora os recursos naturais sejam escassos; por outro lado, os verdadeiramente ricos como o Brasil e a Venezuela, Angola e outros países da África Negra, para só mencionar estes, são considerados pobres!
Estas contradições fizeram-me recordar o termo “eugenia”, criado no século XIX pelo antropólogo Francis Galton. Baseado nas teorias de Darwin, aquele termo que significa “bem nascido”, procura estudar as causas sociais que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das gerações futuras.
Já Platão, na sua “República”, defendia o aperfeiçoamento da sociedade humana por processos selectivos por eliminação dos deficientes que teve como pontos culminantes a sociedade espartana e, no século XX, o nazismo alemão.
Sem querer defender de modo algum esse tipo de sociedades, há coisas que me dão que pensar tendo como exemplo a Civilização Ocidental. Não que esta tenha atingido o nível que conhecemos por processos impostos mas, outrossim, por qualquer causa, repito, que a levou a chegar à Lua e a enviar naves não tripuladas para lá do sistema solar.
Mas, deixemos as viagens espaciais e falemos de música, já que esta é o campo onde me sinto à vontade, e à qual dediquei toda a minha vida profissional.
Entre as várias Histórias da Música que possuo, há uma adquirida nos meus tempos de estudante e que tem por título “História da Música Europeia”.
Pode-se, assim, perguntar se só existe música na Europa, votando ao ostracismo os outros continentes. A resposta é simples e é explicitada pelo próprio autor (Jacques Stehman) no início da obra: “A história que aqui vamos evocar é da música europeia. Devemos considerar haver nisto alguma injustiça? Não, não há; a música existe em todos os países não europeus, desde a Antiguidade, segundo duas tendências frequentemente paralelas: ou evolui , torna-se erudita, inspirando-se finalmente na técnica ocidental, ou, fiel às suas tradições religiosas e populares, permanece ritual e primitiva”.
É claro que sobre este assunto poderia dissertar sobre música dos chamados primitivos actuais, sobre o Koto japonês, as Ragas indianas, as escalas pentatónicas do Oriente e a música que os escravos negros trouxeram para os Estados Unidos onde, misturados com as técnicas e instrumentos dos brancos, deram origem aos espirituais, ragtimes e blues.
Tudo isto estará muito certo mas o facto é que um Gesualdo, um Palstrina, um Monteverdi, um Bach, um Mozart, um Beethoven, um Tchaikovsky, um Wagner, um Debussy, um Stravinsky, um Chostakovitch, um...bolas! (Perdoem-me o desabafo mas, com o entusiasmo ficava para aqui a citar dezenas de nomes) só surgiram na Europa. E o mais curioso é a incrível quantidade de maestros, pianistas, violinistas, etc. que começaram a aparecer no século passado a interpretar a música ocidental, e que hoje podemos ver e ouvir no youtube, principalmente japoneses, chineses e sul-coreanos!
Mas, se recuarmos no tempo, poderemos facilmente aquilatar do poder da Civilização Ocidental. Os exemplos são muitos, e começarei pela Rússia.
O czar Pedro (dito o Grande) disfarçou-se de carpinteiro e trabalhou na construção de navios na Holanda, para dotar o seu país de uma frota segundo as técnicas do Ocidente.
Também a czarina Catarina II, teve como principal preocupação ocidentalizar a Rússia. E, já que mencionei aquela governante, não resisto a contar um história que, infelizmente, a maioria dos portugueses desconhece. Sabem quem foi Luísa Todi, que tem uma estátua em Setúbal e dá o nome ao Forum Municipal daquela cidade? Eu explico: Luísa Rosa de Aguiar (o apelido Todi provem do marido Francesco Saverio Todi, compositor e violinista napolitano) foi uma das maiores cantoras líricas portuguesas. Nasceu a nove de Janeiro de 1753 em Setúbal, e faleceu no dia um de Outubro de 1833.
A sua fama internacional chegou de tal modo a São Petersburgo, então capital da Russia, que Catarina II a convidou para cantar na sua corte. Naquela cidade, para onde se deslocou com o marido e filhos, permaneceu quatro anos, tendo sido presenteada com joias de grande valor.
No seu regresso, o imperador Frederico Guilherme II da Prússia hospedou-a com a família no seu palácio, tendo-lhe posto ao seu serviço uma carruagem e cozinheiros próprios e pago um caché principesco.
E, o que é feito das joias, perguntarão os meus leitores? Em 1809 dá-se a Segunda Invasão Francesa de Portugal comandada pelo marechal Soult. Uma vez tomada a cidade do Porto, a população aterrada foge para a outra margem do Douro através da única ligação existente: uma ponte que se apoiava sobre uma série de barcas alinhadas, e por isso denominada Ponte das Barcas. A estrutura cedeu sob o peso dos fugitivos, tendo-se registado cerca de quatro mil mortos. Luísa Todi, que trazia as joias numa mala, conseguiu escapar mas, na confusão, a mala caiu no Douro tendo-se perdido para sempre. Pelo menos, esta é a versão oficial.
E, depois deste esclarecimento, atacou-me a costumada preguiça, pelo que vou ficar por aqui. No próximo artigo continuarei com o mesmo tema. Assim, o programa segue dentro de momentos...










18/05/2019


E AGORA, SENHOR PROFESSOR DOUTOR MACACA (PERDÃO) MALACA CASTELEIRO?

O Presidente Bolsonaro acaba de anunciar que o Brasil não vai aderir ao chamado novo acordo ortográfico, enquanto outros países de língua oficial portuguesa continuam sem ratificar esta autêntica estupidez, cretinice e imbecilidade que saiu da sua obtusa cabeça.
E agora, volto a perguntar, o que vai Portugal fazer? Vai continuar com esta “grande facada na cultura portuguesa”, como afirmou o infelizmente já desaparecido professor Vasco Graça Moura, ou vai voltar atrás, com todos os problemas que daí irão resultar?
Como não vale a pena “bater” mais no assunto, vou copiar um parágrafo existente num guia turístico sobre Portugal do princípio da década de sessenta do século passado. Diz assim: ”A nossa língua é difícil. Mesmo para nós. Os acordos do idioma com o Brasil só têm trazido como resultado complicar ainda mais, linguisticamente, as coisas. Cá e lá!”
E esta, hem? Como dizia Fernando Pessa.

(Tinha prometido aos meus leitores que o próximo artigo escreveria sobre eugenia; porém esta decisão do Presidente do Brasil relegou aquele tema para depois. As minhas desculpas.)




O GRANDE FOSSO (2).

Depois de passada a psitacose, que quase me tornou num papagaio igual aos que falam na televisão, vou explicar o que pretendo dizer com aquele título. Possivelmente o tema será dividido em partes, já que estou cada vez mais preguiçoso.
A meu ver, nunca houve na História do Mundo (entenda-se planeta Terra) um fosso tão grande entre ricos e pobres, culturas, ciências, tecnologias, artes, etc.
Por qualquer razão obscura, aquilo a que chamamos civilização (prefiro o termo desenvolvimento) começou há cerca de quatro mil anos no Mediterrâneo Oriental.
De repente, (em termos históricos, como é óbvio) o ser humano
sai do nomadismo, funda cidades e começa a descobrir e inventar coisas até aí inexistentes como, por exemplo, a escrita.
Este espaço de quatro mil anos, até levou um “maduro” chamado James Ussher, a afirmar que Deus criou a Terra no dia 23 de Outubro de 4004 a.C. às seis horas da tarde!!!; já o judaísmo avança para 29 de Março de 3760 a.C., enquanto os Maias recuavam para 29 de Setembro de 18.490!
Seja como for, a escrita, as artes e as ciências iam avançando lentamente, enquanto a população humana pouco crescia em número, devido às guerras, epidemias e catástrofes naturais. Assim, o planeta equilibrava-se naturalmente porque não havia interferências de maior que pusessem em perigo a “Vida na Terra”. Esta situação durou, pode dizer-se até à invenção da máquina a vapor, no séc. XVIII. Depois, as coisas precipitaram-se e, em progressão mais que geométrica, chegámos à loucura actual representada pelas novas tecnologias. E digo hoje, na verdadeira acepção da palavra, porque amanhã já outras novidades irão aparecer.
Fazendo um retrato pessimista e ao mesmo tempo paradoxal, julgo que todos nos iremos “afogar” brevemente numa 3ª guerra mundial ou numa grande catástrofe provocada pelos resíduos das tecnologias. Senão, vejamos:
1- O grande biólogo David Attenborough, já no princípio deste século, afirmou que para todos os povos deste planeta terem um nível de vida igual aos europeus, norte-mericanos, canadianos, australianos e mais alguns poucos, seriam necessários três planetas iguais ao nosso!
Também um operador de câmara do National Geografic, disse que quando voltou ao Borneo dois anos depois de lá ter estado a filmar, declarou que teve vontade de chorar quando viu uma enorme parte da floresta tropical transformada em palmares.
2- Um economista cujo nome não fixei, afirmou que não se pode pretender o infinito num planeta finito, o que é lógico.
3- O nível de vida dos países atrás referidos só são possíveis devido ao trabalho de milhões de escravos (homens, mulheres e crianças) que labutam no chamado 3º mundo; e digo escravos, porque a diferença entre os antigos forçados e os actuais, reside em ordenados ínfimos em vez da alimentação dada pelos seus donos para poderem trabalhar.
4- Os prodigiosos avanços da medicina, fazem com que a longevidade das populações dos países ditos ricos, ultrapasse o razoável e que cada vez haja mais velhos do que novos. O pior é que, como diz o meu médico cardiologista, aumentamos o tempo de vida mas, na maioria dos casos, não progredimos lhe damos qualidade. Ora isto torna impossível aumentar os anos de trabalho e, consequentemente, diminuir o tempo da reforma. Eu, por exemplo, estou de boa saúde mas com o sistema músculo-esquelético todo “podre”. Reformado há l6 anos, sabe-se lá quanto os contribuintes vão ter ainda que desembolsar para pagar a boa reforma que tenho.
Como é óbvio, mesmo reduzindo, continua-se a contaminar o planeta já demasiadamente poluído. Fala-se contra os motores “diesel”, avança-se com automóveis eléctricos, ensaia-se outras fontes de energia, mas eu pergunto: e os milhares de aviões que todos os dias lançam toneladas de combustível queimado nas camadas mais altas da atmosfera? E países como a Índia, para só falar neste, em que as pessoas usam todo o tipo de veículos, muitos deles a cair de podres, porque não têm dinheiro para comprar outros?
Alguns sonhadores ainda estão, tal como eu na adolescência, no mundo da literatura de ficção científica, em que se carregava num botão e passava-se de uma galáxia para outra!
Ora, pondo os pontos nos ii (e também nos jotas que, democraticamente, também têm direito a ser subjugados por um ponto) as viagens espaciais estão muito longe daquelas que os autores de ficção científica adornaram (e de que maneira) os sonhos dos meus “bons velhos tempos”.
Senão, vejamos: o único planeta rochoso mais próximo da Terra é Marte. A única semelhança com a Terra além da atrás mencionada, é a rotação que executa em cerca de 24 horas e meia. Quanto à translação, esta é de cerca de dois anos, o que faz com que os astronautas tenham lá de ficar oito a nove meses. Contando o tempo de viagem, ida e volta, teremos de acrescentar mais 16 meses, o que dá aproximadamente dois anos! Fácil, não é?
Mas, há ainda que ter em conta a atmosfera constituída principalmente por dióxido de carbono; os robôs que por lá andam já registaram ventos de mais de mil quilómetros por hora. É por estes motivos que considero inútil uma expedição humana quando os ditos robôs já mostraram praticamente tudo o que pretendemos saber sobre o Planeta Vermelho.
Por curiosidade, acrescento que fora do nosso Sistema Solar, existe um planeta rochoso que orbita a estrela “Próxima Centauri”, assim chamada por pertencer à constelação Centauro e ser a estrela mais próxima de nós a seguir ao Sol (cerca de 4,2 anos luz).
A uma velocidade de um quinto da velocidade da luz, ou seja 60.000 Km/s uma nave levaria vinte anos a lá chegar, e as mensagens ou fotos que nos enviasse, demorariam 4,2 anos a cá chegar.
É por isto que considero que estamos irremediavelmente presos neste famigerado planetazinho, orbitando uma estrela situada num dos “braços” espirais da Via Láctea.
Assim, e antes que comecemos a comer-nos uns aos outros passando o “grande fosso” (até agora tem sido apenas o Mar Mediterrâneo) vou fazer uma pausa.
............................

Muito mais poderia dizer sobre este tema, mas julgo que não vale a pena já que o assunto é conhecido de todos. Por isso, vou falar, ou melhor, interrogar-me sobre as causas da existência deste “grande fosso” entre ricos e pobres. Já o faço há alguns anos e não encontro resposta. A questão é delicada porque vou falar sobre raças “inferiores” e “superiores”. (Com aspas pode ser que a actual censura, agora chamada “politicamente correcto”, não me chateie). Mas isso ficará para o próximo artigo que terá o título de A EUGENIA.


15/10/2018


NÃO MORRI!

Como veem, continuo “operacional(*) no terreno”. Apesar de um (ou uma) dos meus seguidores me ter desejado a morte por via de um cancro, a verdade é que, tirando o esqueleto, estou de boa saúde. Somente a minha inata preguiça me tem impedido de escrever, embora motivos não tenham faltado quando arranjo pachorra para dar atenção aos telejornais.
Assim, prometo (palavra de não político) que logo que me apetecer abordarei o tema que comecei no artigo anterior que, como sabem, intitulei “O Grande Fosso”. Quando o comecei (e como escrevi) penso ter sido atingido por aquela doença que ataca os papagaios e que se chama psitacose. Perdoem-me a metáfora mas, como sabem, a minha alergia a tudo o que seja imitações, principalmente quando me vêem com o argumento de que “agora toda a gente fala assim”, faz com que fique completamente dessincronizado, como dizia o grande António Silva em “O Pátio das Cantigas”.
Por isso, até breve (talvez).

(*) Nova moda de designar bombeiros e afins.

16/01/2018

O GRANDE FOSSO

Não, não se trata da aventura de Astérix com o mesmo nome.
O assunto tem vindo a tornar-se musculado e viral e só muito pouca gente o tem posto em cima mesa. Por isso, acho bué fixe juntar-me aos que o acham incontornável para não ficar mal na fotografia.
Falando global, acho que se deviam mandar operacionais bem musculados para o terreno para, se ainda houver tempo, impedir o colapso deste famigerado planeta, nem que seja com aviões bombardeiros para apagar fogos florestais.
Tratando-se de um assunto imperdível, que não deve adormecer em cima da mesa e que tão viral já se tornou para muitos que ficaram mal na fotografia e colap...???!!!
Mas, o que estou eu a escrever? Peço desculpa mas, ou estou c’os copos ou sofro de psitacose, uma doença viral que afecta os papagaios!

Por isso, prometo recomeçar em breve, se é que conseguirei curar-me!

14/11/2017


OS NOMES DOS CICLONES

Sem querer entrar em pormenores meteorológicos, designa-se por ciclone uma violenta tempestade que eclode, normalmente, nas regiões tropicais. Conforme a sua localização, recebe vários nomes, como 'tufão' no Oceano Pacífico ou 'furacão' no Atlântico. Mas, não é destas diferenças de denominação que vou falar, mas sim dos nomes próprios de pessoas com que são classificados. A ordem é alfabética e inicia-se no início de cada ano.
Em 1890, o meteorologista australiano Clement Wragge, teve a ideia de baptizar os ciclones utilizando as letras do alfabeto grego e personagens da mitologia clássica. Mais tarde optou, talvez por troça, pelos nomes dos políticos locais.
Escandalizados, estes ameaçaram processar o cientista que, como vingança, recorreu aos nomes das respectivas esposas.
Assim, os nomes dos ciclones passaram a ter só nomes femininos, norma que foi adoptada pela Organização Meteorológica Internacional em 1952.
Porém, isto provocou os protestos dos movimentos feministas, pelo que em 1970 os nomes masculinos passaram também a ser usados.


Comentário: 
Wragge foi muito ingénuo ao escolher os nomes de políticos. Na verdade, um ciclone de grau cinco não passa de uma tempestade num copo de água comparada com as tragédias que essa gente provoca.  


18/10/2017

A PAPA DOS PAPAS!

Há dias deu-me vontade de folhear os pouquíssimos livros de estudo que me restam dos meus tempos de estudante. A maioria apodreceu há longos anos numa cave.
Pegando na História Geral da Civilização para o antigo 3º ciclo dos liceus, acabei por ler praticamente os dois volumes. E até fiquei um pouco admirado, ao verificar que a Censura autorizara alguns assuntos sobre religião. E não só esta, mas também a existência do malfadado “índex”, catálogo da “Santíssima” Igreja Católica Apostólica Romana, dos livros cuja leitura era proibida sob pena de excomunhão (um grave problema; que horror!).
Esclareço que o tal Index Librorum Prohibitorum, de seu verdadeiro nome, foi publicado pela primeira vez em 1559 sob a autorização de Paulo IV. Quatro séculos depois, em 1966, outro Paulo, o sexto, decretou que fosse abolido.
Mas, vamos ao que interessa, neste caso um jantar oferecido à corte pontifícia por Luís IX de França (1214 ou 1215- 1270) e canonizado em 1290, tendo ficado conhecido por S. Luis. Julgo que também interessa saber que fez parte da 8ª Cruzada, tendo sido feito prisioneiro pelos “infiéis”, acabando por morrer de peste em Tunes, na actual Tunísia.
Como a corte principesca do Vaticano não diferia em nada das outras cortes europeias, o mesmo luxo, os mesmos divertimentos, vinhos generosos, danças, comédias, bobos e jograis acompanharam o jantar, nada menos, e pela ordem seguinte:

  -Cerejas e pão alvo
  -Favas cozidas com leite
  -Peixe e lagostins
  -Picado de enguias
  -Arroz com leite de amêndoa salpicado de canela
  -Enguias assadas
  -Tortas e requeijão
  -Fruta

Que tal?
Mas, avancemos dois séculos para tomarmos conhecimento com um dos mais debochados papas que chefiaram (e continuarão a chefiar) a máfia do Vaticano: Alexandre VI (1431-1503.
Eis uma lista de uma refeição “frugal” daquele cavalheiro:

   -Ovos
   -Lagosta
   -Melão apimentado
   -Compotas
   -Ameixas
   -Torta envolta em folhas douradas

Mas, um grande número de cristãos escandalizava-se com aquelas vidas faustosas, tendo Fernando de Aragão comentado: “O papa leva uma vida abominável; não tem qualquer preocupação com o lugar que ocupa”.
Também os embaixadores estrangeiros, mesmo os portugueses e espanhóis, ousavam fazer admoestações ao papa. Ameaçavam-no com um concílio em que seria julgado o seu comportamento; mas, o papa exaltava-se:
“Se continuais a dar-me cabo dos ouvidos, mando-vos atirar todos à água!”
E, ao embaixador da França, justificava-se com estas palavras:
“Vós, os Franceses, não conseguis compreender que um papa é um homem como os outros”.

O meu comentário: nisto, ao menos, tinha razão!



28/09/2017

MARIA CALLAS E UMA TAL DIANA!

No passado dia 16, completaram-se 40 anos sobre a morte de Maria Callas (Maria Kekilía Sofia Anna Kalogerópulu, de seu verdadeiro nome na melhor transcrição que consegui do alfabeto grego para o latino).
Mas, que eu saiba, a chamada comunicação social (os média, mídia, media, como quiserem) pouco falou, se é que o fez, sobre aquela efeméride.
E porquê? Porque  o mundo está há “vinte anos sem Diana”, uma mulher que, por estupidez,  ganância ou ingenuidade, casou com um membro de uma família de tarados que, como é lógico, espera que a mamã, velha de noventa anos, morra para ser “rei”.
Mas o tiro saiu-lhe pela culatra; sem pensar nas palhaçadas (há quem lhes chame protocolos) que teria de fazer para ser digna representante daqueles lacaios dos “costumes”, não pensou nas cerimónias, nos vestidos, nos sapatos, nos ridículos chapéus à banda que teria de aturar e usar.
Escolheu um “príncipe”, porque tudo o que nasce ou se liga às famílias ditas reais, é logo promovido a um grau qualquer daquelas hierarquias. Portanto, tornou-se “princesa” - a “princesa do povo”, Pasme-se.
E que desgraçado tem sido este mundo durante os 20 anos da sua ausência. O que eu tenho chorado!
Mas, ao menos a dita senhora teve a coragem de pôr os cornos ao marido, pagando com a mesma moeda o que o ele lhe fazia. Afinal, mudar de “pila” não faz mal a ninguém. Até dizem que dá saúde.
Tudo isto pagou com a vida, fugindo dessas melgas, carraças, vespas, etc. que se chamam jornalistas.
Porém, para quê continuar? Se alguém estiver interessado em saber mais sobre a opinião que tenho sobre o assunto, convido, sem falsa modéstia, a ler o que escrevi neste blogue em 23 de Maio de 2011, sob o título “O Disparatado Planeta das Falsas Celebridades”.




06/07/2017

A ENTRGA DOS FACÕES!
(TAMBÉM HÁ QUEM LHES CHAME ESPADAS)

Os oficiais do glorioso Exército Português ficaram muito zangados por lhes terem roubado brinquedos muito caros que o Zé Povinho paga sem regatear.
E veio logo a justificação, que só a típica passividade dos Portugueses aceita: a redução das verbas para a chamada defesa!
Confesso que tenho pena daquela gente. Os cortes no orçamento (que só os preocupa por causa das promoções no “tacho” a que resolveram dedicar as suas vidas) é que são os culpados pela falta de vídeo vigilância (e não só) pelo roubo dos seus brinquedos.
Por isso, resolveram entregar os facões, perdão, espadas, ao seu Comandante Supremo. (Entretanto mudaram de ideias.)

Que pena não ser eu a ocupar esse cargo. Mandava-os para o circo como engolidores de espadas, mas na versão inversa do trajecto digestivo.


20/06/2017

ONDE ESTÁ A TROPA?
(Também há quem lhe chame exército)

Nos quartéis, claro! Em 1966 morreram 25 militares no combate a um incêndio na serra de Sintra. Por outro lado, suportava-se uma guerra em três frentes africanas. Nesse fatídico dia de Setembro, estava eu numa delas.
Porém, os incêndios florestais no tempo da “antiga senhora” eram raros, e a tropa era chamada para ajudar os bombeiros.
Depois da implantação da chamada democracia, os fogos florestais tornaram-se tão normais, que até se tornou oficial a implantação da “época de incêndios”!
Portugal arde todos os anos e são só os Bombeiros, a GNR e as populações que ajudam como podem para salvar vidas e haveres.
Esses tipos que juraram defender a Pátria até à última gota de sangue, o que fazem: nada! Ou será que a defesa da Pátria é só em caso de guerra ou ir para outros países nas chamadas “missões de paz” e ganhar mais dinheiro?
Chiça! Quando haverá um Presidente da República que, como Comandante Supremo das Forças Armadas (e com tomates) use o seu poder para obrigar essa gente a cumprir o juramento que fizeram?


Nota: Sabem que o quartel de Comandos da Amadora acciona um semáforo vermelho para interromper o trânsito, a fim de que as altas patentes, "encharcadas de suor" pelo trabalho diário, possam sair sem impedimentos? 


10/06/2017

VERGONHA (3)

…A religião católica diz-se monoteísta mas, para baralhar os crentes e justificar um tal Espírito Santo e um revolucionário judeu chamado Jesus (depois chamado Cristo, do grego “ungido”) resolveu atribuir a todos a mesma categoria divina com o mistério da Santíssima Trindade: um só Deus em três entidades distintas. É obra!
E isto, porquê? Porque o tal revolucionário contra a dominação de Roma, intitulava-se “Filho de Deus”. Quanto ao chamado “Espírito Santo”, como Deus não tem pénis, órgão apenas presente nos seres materiais, mandou aquele seu comparsa, esquecendo-se que este padecia do mesmo tipo de impotência, engravidar uma tal virgem chamada Maria que, como é óbvio, ficou com o hímen intacto. Isto não impediu, porém, que por artes mágicas, a boa senhora (concebida sem pecado?!) parisse Jesus e seus irmãos; estes são referidas na Bíblia no número 14 do 1º capítulo dos “Actos dos Apóstolos”.
Depois temos os anjos, os arcanjos, os querubins, os serafins, os santos e santas, sendo estas e Maria as únicas representantes femininas para aliviar o machismo.
Mas, e como em qualquer religião pagã, temos também os anjos maus, representados pelo Diabo. Este malandrote foi o chefe de uma revolta contra Deus que, apesar de ser omnisciente e omnipotente, não previu a insurreição nem se opôs a ela. Criou como represália o Inferno, que o papa João Paulo II encerrou!
Toda aquela mescla de divindades vive no “céu”, estando o Filho sentado à direita do Pai e o Espírito Santo a voar pelas vastidões celestiais, numa monotonia eterna. Mas, em que galáxia?
Como em todas as épocas, surgem sempre os espertalhões e oportunistas que exploram a crendice humana; e nada melhor do que arranjar “cá em baixo” representantes devido à falta de naves espaciais para trazerem os deuses à Terra e provarem, de uma vez por todas, que existem.
Assim, temos o papa e toda uma corte de cardeais, bispos, arcebispos, priores, padres, etc., cuja maioria (há sempre excepções) engana e rouba milhões de pessoas. A sua capital, o Vaticano, situa-se no centro de Roma e não paga qualquer imposto sendo ela, em quaisquer assuntos, polícia de si própria (o papa João Paulo I foi imediatamente embalsamado depois de descoberto o corpo, para impedir a autópsia. “E esta, hem?” como dizia Fernando Pessa).
Além disto é proprietária do Banco Ambrosiano que…
Mas, para quê continuar com este assunto? Quem quiser aprofundar as suas crenças sem medo da verdade, leia o livro de José Rodrigues dos Santos intitulado “Vaticanum”: ou então, leiam os do padre Mário Oliveira que além daqueles, se mostra um autêntico apóstolo da verdade nos seus discursos publicados no youtube.
Sr. Presidente da República: o actual papa pode ser um “gajo porreiro”, mas é o chefe da maior máfia do mundo e, se não a pode dominar, faça como o Ratzinger: demita-se. Seja como for, é possível que o Senhor Presidente se tenha ajoelhado e beijado a mão de tal personagem para vergonha dos Portugueses?
Ah! Analisando bem as coisas, a maioria deve estar consigo nesta triste acção que praticou. Eu é que sou estúpido e ignorante mas, e voltando a citar Fernando Pessoa, afirmo: “MERDA, SOU LÚCIDO!”









03/06/2017

VERGONHA! (2)

Apesar de não ter vomitado, continuo a pensar como pessoas cultas e inteligentes podem acreditar em “aparições”, sejam de Deus ou do Diabo, onde Fátima é a rainha toda poderosa. Ao pé dela, Lourdes e, muito mais recentemente em Medjugorje (24 de Junho de 1981), aldeia da Bósnia-Herzegovina, não passam de simples lugarejos.
Apesar de, nesta última, as “aparições” continuarem(!) o Papa Francisco não as reconhece. Claro… Fátima não admite concorrência ao seu império. Mas, o mais curioso, é que ninguém consegue obter imagens registadas, mesmo tendo em conta a época em que vivemos.
Mas, não é só agora; em 1917, já há muitas décadas que existiam máquinas fotográficas! Ora as fotos que existem mostram apenas as três desgraçadas crianças usadas pela ‘maior máfia do mundo’ para impor os seus diabólicos desígnios!
Também existe uma, publicada no livro “Fátima Desmascarada” de João Ilharco, que mostra uma grande multidão de pacóvios a “ver” o Sol a bailar! O curioso, porém, é que observando bem as expressões, nota-se mais dúvidas do que certezas e estas, se se confirmassem, fariam com que toda aquela gente se atirasse para o chão a gritar “MILAGRE”, “MILAGRE”! É assim o ser humano!
Pela minha parte, e como no dia da visita papal à grande sucursal do Vaticano a região estava sujeita a um regime de aguaceiros, cheguei a temer que aquele fenómeno do poder divino se repetisse. Só ali, claro, já que em mais nenhuma parte do mundo foi observado.
Eu próprio já observei várias vezes esse fenómeno, e creio que já muita gente o viu; mas, fora de um ambiente de misticismo, ninguém lhe dá atenção, tão natural que é.
Apesar de já o ter explicado neste blogue, vou repetir:
Trata-se de uma ilusão de óptica provocada pela passagem de nuvens de densidades diferentes em frente do Sol. É um fenómeno muito corrente durante os períodos de aguaceiros. Mas, só mesmo os estúpidos e ignorantes como eu é que julgam que é assim. O sol a dançar? Porque não? Apesar de muita gente ter estudos, parece que não serviram para nada. Continuamos como na Antiguidade e na Idade Média, onde apenas existiam o Sol por cima e a Terra por baixo! Ah! Já me esquecia que o Deus da Bíblia também inventou o “luzeiro da noite”, a Lua; esqueceu-se, porém da situação de “Lua Nova” (em que esta não se vê) e que nas latitudes elevadas, o Sol também desaparece durante alguns meses. Em compensação, no equador, os dias e as noites são sempre iguais. Curioso!
Estranha religião esta que se diz monoteísta, mas venera uma infinidade de deuses e afins. Julgo que consegue ultrapassar a Mitologia Grega, uma das mais complexas que a mente e a crendice humanas alguma vez inventaram. Senão, vejamos…

Queriam mais? O programa segue dentro de momentos em “Vergonha (3)” com muitas questões “em cima mesa” que se podem “tornar virais” ou “ficarem mal na fotografia”. (Vêem como sei imitar os papaguear dos jornalistas?)





18/05/2017

VERGONHA! (1)

Depois de muitos meses de pausa, e apesar de ter vários temas “na manga”, a visita de “Sua (dele) Santidade, o Papa”, que fez com que me recusasse a ver qualquer telejornal para não assistir ao que já previra, acabei por saber que os meus “temores” se confirmaram. Por isso quebrei a pausa para afirmar:
Sr. Presidente da República: Como Português sinto vergonha por tê-lo visto beijar a mão do Papa. Estamos num País laico e, embora o senhor seja católico, como volta e meia apregoa, deve respeitar as dezenas (senão centenas) de variedades do Cristianismo, bem como as outras religiões, os agnósticos (como eu) e os ateus.
No programa “Prós e Contras” de Junho de 2010 dedicado à vinda a Portugal do Papa anterior, e que critiquei em duas partes neste blogue, o senhor pôs reticências ao seu pontificado e até falou da Inquisição. Mas, e as palavras são suas, “trata-se do nosso chefe espiritual e há que recebê-lo com todas as honras”!
Francamente! O senhor é um homem culto e inteligente, o oposto do pateta que o antecedeu. Como é possível, sabendo que todos os Papas têm sido os patrões de uma das maiores máfias do mundo (a igreja de Roma) os considere “chefes espirituais”?
E como concilia o facto de não viver com a sua legítima mulher e “andar com outra”? Ou será que só dão beijinhos na cara? Não tenho nada a ver com a sua vida privada, mas, segundo a sua crença, está em pecado mortal!!
E será que também acredita nos santos, nas aparições, nos milagres, na “dança do sol” e…
Bem; por hoje fico por aqui.  O programa segue dentro de momentos, ou seja, no próximo artigo. Se continuar hoje, tenho a impressão que irei vomitar!


22/11/2016

PERDÃO, SENHOR PADRE. EU FIZ UM ABORTO!
Depois de ter afirmado que “Deus também chora”, este papa, tal como os anteriores, atira com mais uma bacorada ao dar “poder” à padralhada de perdoar às mulheres que praticaram aborto.
É óbvio que, como o papa é “infalível”, dogma reafirmado no Concílio de Trento por Paulo III no século XVI, conclui-se que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”, como dizia um tal Aníbal. Ao menos, este último ainda punha a possibilidade de ter dúvidas, mas também é verdade que não era o representante da divindade no planeta Terra. Deo gratias.
Esta incrível concessão dada aos profissionais da Igreja de Roma, onde, como é natural em todas as instituições humanas, se encontra uma grande parte da escória da humanidade (pedófilos, ladrões, assassinos, etc.), vai permitir que muita mulher dita “pecadora” possa ir para o céu. Que alívio! Deus é grande e o papa também!
Esta história recorda-me os tempos onde, sempre com sentimento de culpa, batia…(perdão, masturbava-me). Mas não havia problema: dez “Ave-Marias” e um “Pai-Nosso”, prometidos ao ajoelhar no confessionário entre as pernas do padreca a quem era obrigado a confessar-me, resolviam a questão. Até à próxima esfregadela!

11/11/2016

HILLARY+TRUMP = HILARIDADE+DIARREIA

Esta estranha equação surgiu-me na noite passada, enquanto ouvia as dezenas de comentadores que (certamente pagos para isso) metralhavam os poucos portugueses que não estavam a dormir com os mais ridículos e idiotas comentários sobre as “históricas” eleições norte-americanas. E, como é óbvio, àquela malta toda os jornalistas acrescentavam o tempero habitual tão do seu gosto.
Só por curiosidade acedi a um canal de notícias e ao ver aquela gente toda a dizer tantas diatribes sobre o Trump, o meu eterno espírito de contradição, levou-me a ”torcer” pelo homem.
Assim, cheio de fé na vitória dele, fui dando vazão ao intestino grosso que, talvez devido a uma feijoada ingerida na véspera, também escolhera o seu candidato.
Enquanto isto, e devido às inevitáveis canecas de cerveja, a bexiga também despejava o seu conteúdo, regando os restos digeridos da feijoada, com o mesmo empenho e entusiasmo com que aquela gentinha falava do “acontecimento do ano”. Até sou capaz de apostar que sabem mais da historieta dos Estados Unidos do que da História de Portugal.
Mas foram as trombas da Hillary que me provocaram a hilaridade até às lágrimas. Não havia dúvida; os meus fluidos insistiam em libertar-se naquela noite, chegando ao ponto de saírem simultaneamente enquanto estava sentado na sanita.
Abençoada seja a política!
Porém, a festa ainda não acabara. Já deitado (e aliviado), vim a saber que as bolsas tinham começado a cair e que os mercados estavam a ficar nervosos.
Inquieto, levantei-me e fui ver se a minha bolsa (carteira) estava no seu lugar. Felizmente não tinha caído e continha o mesmo dinheiro da véspera.
Quanto ao periódico nervosismo dos mercados, aconselho a que façam como eu: tomem um ansiolítico e livrem-se dos ataques de pânico.

  

02/11/2016

AS ETERNAS PERGUNTAS DISPARATADAS
(OU ESTÚPIDAS)

Já me referi, há tempos atrás, às perguntas disparatadas, inúteis, idiotas, estúpidas, ou, até, “mazinhas”, que os senhores e senhoras jornalistas fazem às pessoas quando estão “no terreno”.
Estas duas foram feitas por Clara de Sousa no telejornal da “SIC”, em ligação telefónica com um português residente na Itália, sobre os sismos que têm atingido o país:
- “Acha que haverá réplicas?”
- “Pode-se saber quanto tempo demorará a reconstrução”?

Cheio de pachorra, o homem foi respondendo que era natural que houvesse réplicas (podia ter acrescentado que não era sismólogo, mas, que, como é sabido, um sismo raramente constitui um fenómeno isolado); quanto ao tempo de reconstrução, era impossível determinar visto que ainda se estava muito próximo da tragédia.
Como é óbvio (isto digo eu), possivelmente nem sequer um inventário dos estragos tinha sido feito. Mas, o que importa é chatear as pessoas e preencher o tempo de qualquer maneira!


28/10/2016

“PRAIA-MAR” E “CLIMATÉRICO”!

Estas duas “pérolas” ouvi ontem no noticiário da “SIC”.
É preia-mar e não “praia-mar”, como muita gente, erradamente diz. Preia provém do português antigo e deriva do latim plena, feminino do adjectivo plenus (pleno, cheio) + maris (mar).
Quanto a “climatérico” referindo-se ao clima, embora admitido por alguns dicionários, tanto antigos como modernos, não passa de um galicismo inútil, já que temos as palavras “climático” e “climatológico” como substitutos.
Se bem me lembro, foi o saudoso Prof. Anthimio de Azevedo que explicou porque é que o termo “climatérico” não deve ser usado em português E, a verdade, é que os meteorologistas nunca utilizam aquele galicismo.


19/10/2016

PARA QUE NOS SERVE A TROPA, OFICIALMENTE CHAMADA EXÉRCITO?

O País arde nos Verões, os criminosos roubam e matam, nos chamados bairros problemáticos a polícia é insultada e agredida; e quem é que faz frente a estas desgraças que atingiram o Portugal dito democrático?
São os bombeiros, a GNR e a PSP que acodem com sacrifício da própria vida (e o número de mortes já não tem conta, enquanto a tropa (perdão, o exército) passa a vida a descansar
Curiosamente, no ‘meu tempo’, ainda havia muitos comboios que eram puxados por locomotivas a vapor e deitavam fagulhas, além de que o “portuga”, sempre habituado a deitar fora o que não prestava (como seja escarrar no chão como se fosse a coisa mais natural do mundo) atirava as “beatas” pela janela do carro. E, só muito raramente, havia incêndios florestais.
O maior de que me recordo, ocorreu em 1966 na serra de Sintra, onde morreram 25 militares (possivelmente, na sua maioria milicianos) que, sem preparação para uma luta daquele tipo, se deixaram cercar pelas chamas.
Por essa altura, estava eu apenas há dois meses na “porca da terra”, como costumo designar o território chamado Angola, a cumprir o chamado serviço militar obrigatório.
Lembro-me de, consternado, ver na capa de um semanário daquela parvónia que se chamava “Notícia”, uma imagem da tragédia com o título: “A serra de Sintra desapareceu”! (Sempre o exagero desses amplificadores de catástrofes chamados jornalistas!)
Mas, voltemos à vaca fria, aliás gelada, porque da tropa (exército) nada vem de produtivo. Se ao menos se mantivesse nesse estado físico, apenas gastaria electricidade, mas a verdade é que o seu peso no orçamento o Estado é muitíssimo maior.
No tempo da “antiga senhora” havia guardas florestais que faziam a manutenção das matas, e também os cantoneiros com os seus chapéus característicos que, uma vez por outra, encontrávamos nas estreitas, mas asfaltadas estradas que Salazar mandara construir. Afadigadamente procuravam e tapavam os buracos que encontravam, saudando sempre os condutores dos poucos automóveis que por eles passavam.
Eram outros tempos e o progresso não perdoa. A essas pequenas vias de comunicação sucederam-se as auto-estradas e as vias rápidas e, também, como consequência dos novos tempos, a chamada “época dos incêndios”, coincidindo, ironicamente, com a irmã mais velha, a época balnear.
Em face disto pergunto, no meu modesto saber apimentado por um antimilitarismo primário, qual é a ocupação da tropa (exército) em tempo de paz?
Porque é que morrem bombeiros e elementos da GNR enquanto a tropa (exército) se mantém, placidamente, nos quarteis, embora tenha jurado defender a Pátria até à última gota de sangue? Será que a Pátria a arder não merece ser defendida?
Porque é que essa tropa (exército) faz manifestações, proibidas pelo seu estatuto de militares, alegando estar descontente? E descontente de quê?
Citando Miguel de Sousa Tavares, pergunto como é que se pode estar descontente quando se tem emprego e reforma vitalícios?
Como será o dia-a-dia de um soldado, de um sargento, de um oficial e de toda a enorme hierarquia dessa tropa? (não digo fandanga porque ela marcha a quatro tempos, enquanto o fandango é em compasso ternário)
Brincar aos polícias e ladrões ou a índios e cowboys como todos os da minha geração fizeram, justificando isso como sendo manobras ou exercícios?
Porque é que os Governos não têm coragem de cortar a sério nas despesas com a chamada defesa e aplicar esses milhões na saúde, na educação e na investigação científica, evitando que os nossos melhores cérebros tenham que emigrar? Será que têm medo que a tropa (exército) volte a fazer novos 28 de Maio ou 25 de Abril?
Porque é que esses funcionários públicos são diferentes dos outros e constituem um estado dentro do estado, dividindo os cidadãos em civis e militares?
Se a Força Aérea e a Marinha ainda fazem alguma coisa, como salvamentos e vigiar o nosso espaço aéreo e a costa marítima (mesmo sem os tristemente célebres submarinos que custaram um balúrdio à Nação e se encontram parados) porque não “modernizar” a tropa (exército) instruindo-a nas funções de bombeiros, vigilantes e limpadores das matas florestais e até, porque não, auxiliando a Polícia e a GNR na caça a criminosos, como deveria estar a acontecer neste momento em que se procura apanhar um assassino?
Depois disto tudo, veio-me à ideia o caso da Costa Rica, que extinguiu as Forças Armadas. Segundo disse o oceanógrafo Jacques Yves Cousteau num dos seus maravilhosos documentários, foi um general o autor de tamanho feito! Estranho paradoxo este!
E fico por aqui, não vá aparecer por aí algum militar descontente para me dar tautau.

Nota: Se muito boa gente (e também má) ficou zangada por ter chamado a Angola “porca da terra”, convido-a a ver no youtube o vídeo “Reportagem do New York Times Mostra A Corrupção do Governo Angolano”. Divulguem o mais que puderem.




25/07/2016

PLÁGIO? SÓ PARA RIR!

A fantochada que costumam ser as eleições nos Estados Unidos da América, e tão bem parodiadas por Júlio Verne em “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, dá-me vontade de rir.
Esses descendentes de europeus emigrados e escravos pretos (perdão, afro-americanos! Porque será que não me habituo à censura democrática?) e que se dizem americanos (os autênticos sobrevivem em reservas para turista ver), conseguem provocar a hilaridade dos seus ancestrais. Não é que na “soberba Europa” (Camões) as chamadas eleições não tenham, também, o seu quê de pitoresco; até porque a populaça aplaude sempre os seus favoritos a futuros patrões, recebendo prendinhas e promessas que nunca virão a ser cumpridas.
Neste momento, em que se aproximam as eleições nesse “país sem história*”, e a chamada primeira dama acusa a provável rival do marido de plágio num discurso tão hipócrita como idiota, comum a todos os políticos, só resta a receita que diz que “rir é o melhor remédio!”.
Ah, mulheres de um raio! Será que, com mais ou menos palavras, o discurso não é sempre o mesmo? Porra! Até, depois de serem eleitos, os políticos continuam a plagiar-se, isto é, não cumprem nada do que prometeram.
E fico por aqui senão, tal como na Mitologia Grega, nunca mais acabaria. O desenvolvimento de toda esta fantochada, compete aos jornalistas, ávidos de todas as broncas, fantochada e tragédias omnipresentes neste famigerado planeta.

*País sem História.
Esta definição surgiu na imprensa portuguesa após o começo da guerra em Angola em Fevereiro de 1961. Depois de Salazar ter enviado tropas para aquela colónia (ou província ultramarina, conforme queiram) o então presidente dos EUA John Kennedy, sofrendo da mesma mania de intervir nos quatro cantos do mundo, teve o desplante de intimar o Presidente do Conselho a suspender imediatamente o envio de tropas para proteger a população, branca e preta (perdão, agora tenho de dizer negra) contra os crimes horrendos que os movimentos pró-independentistas (movimentos de libertação, como queiram) tinham cometido tanto nuns como noutros.
Até um tio meu, salazarista ferrenho e anti-norte-americano primário, declarou: “isto também é demais!”
Pergunto: será?



22/07/2016

MAR DE “MARMÁRA” E “RIO” BÓSFORO

A cultura geográfica (e não só) de alguns jornalistas continua a espantar-me. Mas, paradoxalmente, agradeço-lhes, porque é essa falta de cultura que me fez criar este blogue que faz parte dos meus vários entretenimentos durante estes deliciosos anos de reformado.
Mas, vamos corrigir os dois disparates que fazem o título deste artigo.
Mar de Mármara: nome do mar existente entre o Mar Negro e o Mar Egeu separando as partes asiática e europeia da Turquia. 
Nesta divisão, distinguem-se os estreitos (e não rio) do Bósforo e de Dardanelos.
Em português o nome daquele mar é uma palavra esdrúxula e, por isso leva acento no primeiro “a”: Mármara.
Quanto ao Bósforo, julgo interessante lembrar (escrevi sobre ele num artigo anterior) que significa, em grego, “estreito do boi”.
Esta denominação refere-se à lenda em que Zeus, transformado em boi, atravessou o estreito levando Europa, que raptara. Esta era filha de Agenor, rei da Fenícia, e irmã de Cadmo, o lendário inventor do alfabeto.
Na ilha de Creta, para onde Zeus a levou, teve dele três filhos, entre os quais Minos, que mandou Dédalo construir o célebre Labirinto.
Mas, fiquemos por aqui, senão a história nunca mais acabaria. 
É que isto de Mitologia Grega tem que se lhe diga, ou não fosse ela a maior de todas e onde o génio de invenção de bizarrias e crendice humanas, suplanta tudo o que se pode imaginar.
- A propósito: já repararam na face nacional das moedas gregas de um euro? Ora aí têm: uma figura de mulher levada por um boi.