10/10/2019

O MAIOR PORTUGUÊS ?!

Há que regular a máquina do Estado com tal precisão, que os ministros estejam impossibilitados, pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos”
António de Oliveira Salazar.

Em primeiro lugar declaro que, ainda não há muitos anos, jamais pensaria em defender Salazar, ou melhor: pôr os pontos nos is (e nos jotas que em democracia também têm esse direito) e analisar os prós e os contras dessa grande individualidade da nossa História. Mas os anos passam e a análise crítica dos factos vai-se tornando mais clara e de contornos mais livres das circunstâncias da época em que se dão. É esse o método da História que necessita de eliminar as paixões momentâneas, e analisar os acontecimentos com o máximo de isenção possível

Aquando da realização daquele concurso idiota sobre o maior português - e digo idiota porque naquele caso não há maior nem menor – o País confrontou-se com a esmagadora vitória de Oliveira Salazar. Num artigo anterior já referi-me a este assunto, criticando a triste figura que Maria Elisa fez felicitando a ex-deputada Odete Santos, defensora de Álvaro Cunhal que ficara em segundo ligar, em vez de se dirigir primeiro a Jaime Nogueira Pinto, o “padrinho” de Salazar. Coisas. Custa muito engolir sapos vivos! O Povo Português pode ser tudo o que quiserem, mas não é estúpido e revelou ter boa memória, apesar de a actual maioria já ter nascido ou ser muito jovem aquando do golpe de estado (e não revolução) acontecido no dia 25 de Abril de 1974.
Mas, há outro motivo que me faz escrever este artigo: a rejeição pelos ilustríssimos deputados da Assembleia da República da realização de um Museu Salazar em Santa Comba Dão.
Confesso que só por acaso é que soube dessa “democrática” decisão, mas calculo que os votos contra aquela ideia tenham saído desses fascistas de esquerda que constituem esses partido residual chamado comunista (nas eleições, para disfarçar, designam-se por CDU), do Bloco de Esquerda que ninguém sabe se são marxistas, estalinistas, maoistas, etc.) e de alguns deputados do PS. Porém, se estes votaram por unanimidade, mal vai este partido tão apegado à tolerância de ideias e que, no “Verão Quente” de 1975, até fez uma aliança com o CDS.
Seja como for, e não querendo fazer qualquer comparação com Salazar, deveriam ser proibidos museus como os das torturas da Inquisição instaurada pela santíssima Igreja Católica Romana, o campo da morte de Auschwitz, ou o das vítimas do comunista Pol Pot em Mianmar.

Mas, vamos aos factos.
Cresci ouvindo os meus pais, avós e outras pessoas mais velhas a falarem da trágica barafunda que fora a chamada Primeira República. Ainda hoje recordo com saudade a minha avó paterna a contar que, certo dia, quando passeava com o meu pai ainda criança pela Baixa, teve de entrar dentro de uma loja puxando o meu pai, para fugir a uma saraivada de balas. Tratava-se, “apenas”, de mais uma revolução.
Também nessa época, em que o mundo começava a despertar para o turismo, um folheto publicitário inglês sobre Portugal, expressava a sua culinária, os vinhos, o clima e, com um pouco de sorte, o facto de se poder assistir a uma revolução (tratava-se de humor inglês, como é óbvio). Como
resultado os governos sucediam-se tendo chegado a haver um que “governou” apenas durante um dia! Não foi, assim, difícil, que Portugal tivesse ficado à beira da bancarrota por via do sistema parlamentar, em que os partidos só pensam em si e não no País, tal como agora; mas isto fica para depois.

Após a Revolução de 28 de Maio de 1926 que impôs uma ditadura, foi chamado para ministro das finanças um obscuro professor chamado António de Oliveira Salazar, nascido na aldeia de Vimieiro concelho de Santa Comba Dão. Por essa altura lecionava em Coimbra tendo vindo para Lisboa ocupar o cargo com alguma relutância. Cinco dias depois, desiludido com o estado em que encontrou as finanças portuguesas, abandonou o cargo e regressou a Coimbra.
Foi ao Engº Duarte Pacheco que coube a missão de ir a Coimbra convencer Salazar a voltar para as funções que abandonara, e negociar as condições que ele exigia. Tinha já feito as contas todas, e sabia o que cada ministério podia usufruir. “E não me venham com choraminguisses porque não haverá nem mais um tostão para ninguém”, terá ele afirmado. “Governar um País é como uma dona de casa: não pode gastar mais do que recebe”.
Ora nessa altura a dívida externa portuguesa era 44% do PIB, e a Sociedade das Nações (entidade que precedeu a ONU), já tinha posto Portugal sob uma espécie de ultimato para pagar o que devia.
Perante esta situação catastrófica, a primeira preocupação de Salazar foi sanear as finanças, mantendo estáveis os preços dos bens essenciais (principalmente o preço do pão) e amortizar a dívida. Assim, a dívida externa em 1930 tinha já descido para 32%, em 1935 para 19%, tendo em 1940 atingido a fasquia de 5%!
Este “milagre” económico originou a seguinte quadra:

“Santo António português,
Arranja-me com quem casar;
De um mais um fazias três,
Como faz o Salazar”.

Também o bom humor nacional passou a designar por “salazar” um utensílio de cozinha destinado a raspar o fundo dos tachos; como se depreende, a analogia está correcta.
Uma vez equilibrada a balança comercial, a preocupação de Salazar voltou-se para a agricultura e para as grandes obras públicas.
Sob o impulso vigoroso do ministro das obras públicas, o já citado Engº Duarte Pacheco, Portugal desenvolve-se e moderniza-se.
São dele obras como o Instituto Superior Técnico, a primeira auto-estrada de Lisboa ao Estádio Nacional (também obra sua) e cujo viaduto sobre o vale de Alcântara tem o seu nome. (não sei como não mudaram o nome, pois trata-se da obra de um “fascista”!)
São, também, da sua iniciativa, os bairros sociais que ainda hoje existem, como os da Madre de Deus, da Encarnação e muitos outros que, com uma módica quantia mensal, os trabalhadores adquiriam uma bela moradia de dois andares com jardim, e espaço para uma futura ampliação.
Há que não esquecer ainda que são dessa época a Estrada Marginal de Lisboa a Cascais e o aeroporto da Portela de Sacavém hoje, e muito bem, denominado Humberto Delgado.
Foi curta a vida deste homem extraordinário, pois viria a morrer num acidente de automóvel em 1943, com a idade de 43 anos.
Mas a obra apadrinhada por Salazar não esmoreceu, e o Estado Novo iniciado por Salazar continuou na sua marcha de progresso, graças à sua política financeira; assim, o crescimento económico de Portugal foi o maior da sua História, e o saudoso escudo uma das moedas mais fortes.
“Enquanto houver um Português sem pão e sem lar, a Revolução continua”, afirmou Salazar. (aqui é que a porca torce o rabo mas isso fica para depois)

E, já agora, também fica para depois a continuação deste artigo que promete ser longo.

25/08/2019


A EUGENIA (conclusão).

Em primeiro lugar peço desculpa pela demora em continuar com este tema. O motivo é a preguiça que cada vez se torna mais forte; por este motivo, também espero que me perdoem algumas possíveis repetições, uma vez que não tenho pachorra para reler tudo o que já escrevi. É que quando me dá para tal, escrevo tudo às prestações, e a memória vai escasseando. Levei quase três anos a escrever o meu livro de apenas trezentas e quarenta páginas incluindo fotografias, e que tem por título “A Minha Ida à Guerra Colonial” ou “Como Brinquei com a Tropa”. Foram feitos cento e cinquenta exemplares em edição privada para a família, amigos e antigos colegas. E edição privada, porquê? Primeiro, porque trata-se de uma história pessoal que a só mim e àqueles que referi poderá interessar; segundo, porque nenhuma editora aceitaria publicar um livro sem fazer uma severa censura (hoje chama-se politicamente correcto) já que ofendo o “glorioso” Exército Português, os pretos, os brancos e refiro-me a Angola como “terra vermelha, terra maldita”. Tudo isto em bom vernáculo vicentino!
Mas, vamos ao que interessa.
Se bem me lembro (uso o título daqueles fantásticos programas que Vitorino Nemésio apresentava na RTP) já afirmei que se um historiador quisesse escrever uma História do Mundo (o que conhecemos) sem se referir a guerras e a outros conflitos, o livro ficaria reduzido a poucas páginas.
No caso da Europa as guerras fizeram que o seu mapa político variasse de tal maneira ao longo dos séculos que, comparar um atlas de há poucas décadas com um actual, encontramos uma profusão de cores que mudaram de sítio. Devido o meu interesse inato pela Geografia, já em criança passava horas a ver os atlas pelos quais os meus pais tinham estudado. Depois, no liceu, confrontei-me com mapas de geografia política bastante diferentes daqueles que, à força de tanto ver e rever, tinha decorado; ainda hoje conservo esses atlas bem como os mapas que desenhava e pintava com aguarelas.
É óbvio, que nos outros continentes como a África, a situação só começaria a mudar na segunda metade do século XX mas, como escrevi, vou referir-me apenas à “soberba” Europa.
Exceptuando o Sudeste Asiático, onde se encontram magnificas obras arquitectónicas, acaso poderemos admirar fora da Europa maravilhas como as que se encontram espalhadas por todo o Continente , construidas ao longo de séculos de História conflituosa? Os monumentos da América Pré-Colombiana podem-se comparar, por exemplo, ao Parlamento de Budapeste? E na África Negra? Palhotas e alguns artefactos primitivos para turista comprar.
Poderá argumentar-se que os pretos (perdão, afro-americanos, neologismo importado dos EUA), os índios e oa aborígenes da Austrália eram mais felizes antes da chegada dos europeus; sendo assim, por que é que adoptaram na sua maioria os costumes e toda a maquinaria criada pelo génio dos brancos, os tais que “têm o esperto n’os cabeça”?
A Eugenia, longe de ser uma ciência, procura responder a esta pergunta: porque será que certas raças (perdão, etnias) parem génios (para o melhor e para o pior) e outras não? Sem responder, como é óbvio, a esta pergunta, cito dois exemplos perigosos que atingiram o paroxismo no século passado.
Primeiro, a existência de uma raça superior (a ariana) em detrimento de todas as outras, destinadas à morte e à escravidão; segundo, o Comunismo, uma utopia que pretende a igualdade entre todos e que, posto em prática, teve criar uma polícia política para se manter, até cair como um castelo de cartas. Karl Marx estava profundamente enganado, quando afirmou que o Comunismo nasceria entre as classes evoluídas e industrializadas. Com efeito este só germinou onde reinava a miséria. Alguém já ouviu falar nos partidos comunistas de uma Dinamarca ou de uma Suécia? Eu, não. É no Sul da Europa, desde Portugal à Grécia, que ainda existem alguns pândegos que acreditam nessa “religião”.
Uns tempos atrás, um político europeu disse que os povos do Sul da Europa só pensam em mulheres e vinho. Foi o Diabo! O Mediterrâneo encapelou-se de vergonha ao ouvir tamanha ofensa, e o tal tipo foi obrigado a fazer penitência, justificando-se atrás de uma mera metáfora.
Metáfora, sim; mas que é uma realidade, é. Pela parte que me diz respeito, até achei muita graça. No fim de contas, fizemos a mesma figura dos pretos, para quem é uma espécie de desdém e ofensa serem tratados como tal. Porque é que isto não acontece quando se chama branco a um caucasiano? Só quem esteve algum tempo em África é que pode entender. Mas isso é outra história, e esta retratada no meu livro “secreto”.
Hoje a Europa torna-se asilo daqueles pobres diabos que saíram da escravidão dos brancos para se deixarem escravizar pelos seus próprios irmãos de cor. Mas, o pior é que a Europa vai ficando cada vez mais cheia, o que faz com que a extrema-direita vá ganhando terreno. Como se costuma dizer, cada macaco no seu galho. Se assim não for, não tarda que comecem a haver graves conflitos.
A lei do mais forte e do mais apto começa logo com os espermatozoides; de muitas dezenas de milhões, só poucos conseguem vencer a longa e difícil caminhada que os espera. E destes, só um consegue o seu objectivo, fechando imediatamente a “porta” pois não gosta de concorrências.
É assim este mundo, desde a mais pequena bactéria à maior das baleias.
Soberba e grande em tudo, até serviu para que uma tal Maria (falecida há dois mil anos) aparecesse em alguns locais do seu território; e alberga dentro de si, disfarçada de santidade, a maior máfia do planeta: O VATICANO.

“Eis-aqui , quasi cume da cabeça
De Europa toda, o reino Lusitano;
Onde a terra se acaba, e o mar começa,
E onde Phebo repousa no Oceano.
Este quiz o Céo justo que floreça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fóra; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.”

“Os Lusíadas”, canto III estância XXI.
Edição de 1865, propriedade do autor.

22/07/2019

A EUGENIA (continuação)

“Entre a zona, que o Cancro senhoreia,
Meta Septentrional do Sol luzente,
E aquella, que por fria se arreceia
Tanto, como a do meio por ardente,
Jaz a soberba Europa; a quem rodeia
Pela parte do Arcturo, e do Occidente
Com suas salsas ondas o Oceano,
E pela Austral, o mar Mediterraneo.”*

* “Os Lusíadas”, canto III estância VI.
(Edição de 1865 propriedade do autor)

A soberba Europa! Já Camões a classificava de soberba porque expandia pela força as suas potencialidades. Mas, não será o ser humano apenas um pouco mais do que um animal partilhando os comportamentos instintivos e primitivos? Será falsa a teoria da lei do mais forte e a sobrevivência dos mais aptos? É óbvio que, pelo menos socialmente, aqueles comportamentos são condenáveis, mas a História mostra-nos o contrário.
Nós, Portugueses, chegámos a África e ao Brasil onde encontrámos os diversos povos num tal estado de primitivismo que tornou fácil dominá-los e, depois, escravizá-los durante séculos.
Os Espanhóis, por seu turno, desvairados por uma incomensurável obsessão pelo ouro, destruíram as civilizações pré-colombianas (Aztecas, Incas e Maias) com as suas armas de fogo e o uso de cavalos que era um animal desconhecido dos Índios.
Os Ingleses fizeram o mesmo na América do Norte e na Austrália, tendo enfrentado no primeiro caso a heroica resistência oferecida pelas tribos autóctones, acabando quase por exterminá-las, vivendo hoje os poucos descendentes dos que sobreviveram em reservas para turista ver. E tudo isto sob o beneplácito do Cristianismo e seus derivados. Só poucos tentaram atenuar a ferocidade da “soberba Europa”, como foi o caso do nosso padre António Vieira.
Por outro lado, e já que anteriormente falei na ocidentalização da Rússia, lembrei-me agora que Ataturk fez o mesmo na Turquia, chegando ao ponto de entre dezenas de reformas para “europeizar” o seu país, ressaltarem a proibição do uso do fez pelos homens e do véu islâmico pelas mulheres e a substituição do alfabeto árabe pelo alfabeto latino. É obra!
Mas, o mais curioso é que por vontade própria ou por imitação, japoneses, pretos e outros passaram a usar fato e gravata como os ocidentais. Isto de um modo geral, como é óbvio. Só os árabes é que mantém o tradicional albornoz.
Insistindo no adjectivo com que Camões presenteou o Velho Continente, vou referir três casos que considero paradigmáticos.
Em 1821, uma sociedade filantrópica norte-americana adquiriu cerca de 111.000 quilómetros quadrados na costa ocidental de África, para que os ex-escravos negros que quisessem poderem fundar aí um novo país. Em 1847 a nova nação tornou-se totalmente independente e passou a denominar-se Libéria. Sem querer entrar em pormenores históricos como seja que foi o primeiro país independente de África e que não foi vítima da colonização europeia, salto para a época actual para dizer que, apesar das riquezas naturais e das centenas de navios que utilizam a sua bandeira (as chamadas bandeiras de conveniência) é um dos países mais miseráveis do mundo.
Em 1949, cinco anos após o termo da Segunda Guerra Mundial, foi fundado na Palestina o estado de Israel como uma espécie de compensação pelo extermínio de seis milhões de judeus pelos “civilizados” alemães.
Raça sempre perseguida durante milénios, mas que se considerou sempre o “povo eleito” do seu Deus, a meu ver o cúmulo do optimismo, mas que conseguiu manter sempre uma grande união graças à sua cultura e crença religiosa.
Atacado várias vezes pelos países árabes, Israel soube sempre resistir com uma resposta que reforça a teoria da sobrevivência dos mais aptos, ao mesmo tempo que transformava a aridez do seu território num autêntico pomar. Não é por acaso (será eugenia?) que aquele povo foi sempre considerado como “fazedor” de dinheiro. Até nos seus nomes avultam apelidos como Goldberg que significa monte de ouro! Para além do ódio paranoico que Hitler nutria pelos Judeus, o facto é que grande parte da economia alemã estava nas mãos deles. A frase “não faças judiarias” tem nesse motivo uma origem centenária.
Ao contrário destes, os pretos ou negros revelam-se incapazes de progredir sozinhos. Depois de colonizados pelos brancos, colonizam-se a si próprios sob a pata daqueles que, tal como os brancos, têm “o esperto nos cabeça”.
Veja-se o que se passou no Zimbabué quando os fazendeiros brancos foram expulsos das suas terras pelo presidente Mugabe. Um território (antiga Rodésia) que era praticamente auto-suficiente, caiu como todas as ex-colónias na inflação galopante, na pobreza e na imundice que proporcionaram o reaparecimento de doenças consideradas erradicadas de vez. É claro que a expulsão dos brancos não foi uma atitude racista; porém se tivesse sido ao contrário, caía o Carmo e a Trindade como se costuma dizer! Quem estiver interessado veja o documentário no youtube intitulado “ser negro em Angola” e a reportagem do New York Times a que já me referi num artigo anterior.
Se a muita gente incomoda aquele quadro que não tem fim de crianças de ventre inchado e que nem sacodem as moscas, à espera que apareça um médico branco para as ajudar, confesso que hoje já não me aflige. Afinal, e como escreveu Fernando Pessoa “...tudo o mais é ter fome e não ter que vestir, mas mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece...”

Nota: sobre a eugenia escreverei mais um artigo que espero seja o último que versará este tema. Falarei sobre a “soberba Europa” que também tem muito que contar.

13/07/2019


AH! VALENTE TOURO!

Peço desculpa de interromper o meu “estudo” sobre eugenia, mas o que se passou em Coruche há poucos dias, e de que só agora tive conhecimento, obriga-me a fazê-lo.
Em mais um desses espectáculos bárbaros que envergonham o nosso País, um touro sofrendo dores atrozes, virou a sua justificada fúria contra o cavalo que se tornou no bode expiatório de tanta crueldade. Pena foi que o não tivesse feito contra aqueles tipos de meias cor de rosa, sapatinhos de menina e berloques pendurados; foram quatro para o hospital mas tudo ficou por aí; o pobre cavalo é que teve de ser abatido!
Antes já uma menina, (fidalga porque não?) caíra do cavalo graças à valentia de outro touro. Não sei se terá esborrachado as mamas.
E que dizer daquele major da GNR armado em Marialva do século XXI?
Tenha juízo, homem, e vá honrar o ordenado que recebe.
A única consolação disto tudo, é verificar a quantidade de bancadas vazias principalmente numa terra onde mais está enraizada essa bárbara e estúpida tradição!
Uma pergunta: será que o deputado do PAN no Parlamento Europeu vai mostrar aquelas e outras imagens do género em Bruxelas?

E fico por aqui. Prometo voltar com a continuação da eugenia.


08/06/2019


A EUGENIA


Continuando como o tema que intitulei “o grande fosso”, permito-me perguntar porque é que ele existe e hoje, mais do que nunca, é mais profundo.
Já repararam que, pelo menos nas épocas mais recentes e na Europa, nunca se ouve falar de fome, greves, “coletes amarelos”, golpes de estado, ditaduras, etc. nos países escandinavos? E que dizer da Suíça, que até conseguiu manter-se neutral mesmo no centro dos dois grandes conflitos mundiais? Passando agora para o outro lado do Atlântico, sabem dizer-me o nome do primeiro-ministro do Canadá?
Acho que não; nem o daquele país nem os da Austrália e da Nova Zelândia!
Parece, assim, que por qualquer razão, há povos, raças ou etnias (como quiserem) que sabem “arrumar a casa” e mantê-la nesse estado mesmo quando sofrem a fúria dos elementos. Veja-se, também, o caso da Holanda, com uma grande parte do seu pequeno território abaixo do nível do mar. A capacidade de trabalho e organização dos Holandeses até deu origem àquele ditado que diz que “Deus fez o mundo, e os Holandeses fizeram a Holanda
Mas, o mais curioso, é que esses países são considerados ricos, embora os recursos naturais sejam escassos; por outro lado, os verdadeiramente ricos como o Brasil e a Venezuela, Angola e outros países da África Negra, para só mencionar estes, são considerados pobres!
Estas contradições fizeram-me recordar o termo “eugenia”, criado no século XIX pelo antropólogo Francis Galton. Baseado nas teorias de Darwin, aquele termo que significa “bem nascido”, procura estudar as causas sociais que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das gerações futuras.
Já Platão, na sua “República”, defendia o aperfeiçoamento da sociedade humana por processos selectivos por eliminação dos deficientes que teve como pontos culminantes a sociedade espartana e, no século XX, o nazismo alemão.
Sem querer defender de modo algum esse tipo de sociedades, há coisas que me dão que pensar tendo como exemplo a Civilização Ocidental. Não que esta tenha atingido o nível que conhecemos por processos impostos mas, outrossim, por qualquer causa, repito, que a levou a chegar à Lua e a enviar naves não tripuladas para lá do sistema solar.
Mas, deixemos as viagens espaciais e falemos de música, já que esta é o campo onde me sinto à vontade, e à qual dediquei toda a minha vida profissional.
Entre as várias Histórias da Música que possuo, há uma adquirida nos meus tempos de estudante e que tem por título “História da Música Europeia”.
Pode-se, assim, perguntar se só existe música na Europa, votando ao ostracismo os outros continentes. A resposta é simples e é explicitada pelo próprio autor (Jacques Stehman) no início da obra: “A história que aqui vamos evocar é da música europeia. Devemos considerar haver nisto alguma injustiça? Não, não há; a música existe em todos os países não europeus, desde a Antiguidade, segundo duas tendências frequentemente paralelas: ou evolui , torna-se erudita, inspirando-se finalmente na técnica ocidental, ou, fiel às suas tradições religiosas e populares, permanece ritual e primitiva”.
É claro que sobre este assunto poderia dissertar sobre música dos chamados primitivos actuais, sobre o Koto japonês, as Ragas indianas, as escalas pentatónicas do Oriente e a música que os escravos negros trouxeram para os Estados Unidos onde, misturados com as técnicas e instrumentos dos brancos, deram origem aos espirituais, ragtimes e blues.
Tudo isto estará muito certo mas o facto é que um Gesualdo, um Palstrina, um Monteverdi, um Bach, um Mozart, um Beethoven, um Tchaikovsky, um Wagner, um Debussy, um Stravinsky, um Chostakovitch, um...bolas! (Perdoem-me o desabafo mas, com o entusiasmo ficava para aqui a citar dezenas de nomes) só surgiram na Europa. E o mais curioso é a incrível quantidade de maestros, pianistas, violinistas, etc. que começaram a aparecer no século passado a interpretar a música ocidental, e que hoje podemos ver e ouvir no youtube, principalmente japoneses, chineses e sul-coreanos!
Mas, se recuarmos no tempo, poderemos facilmente aquilatar do poder da Civilização Ocidental. Os exemplos são muitos, e começarei pela Rússia.
O czar Pedro (dito o Grande) disfarçou-se de carpinteiro e trabalhou na construção de navios na Holanda, para dotar o seu país de uma frota segundo as técnicas do Ocidente.
Também a czarina Catarina II, teve como principal preocupação ocidentalizar a Rússia. E, já que mencionei aquela governante, não resisto a contar um história que, infelizmente, a maioria dos portugueses desconhece. Sabem quem foi Luísa Todi, que tem uma estátua em Setúbal e dá o nome ao Forum Municipal daquela cidade? Eu explico: Luísa Rosa de Aguiar (o apelido Todi provem do marido Francesco Saverio Todi, compositor e violinista napolitano) foi uma das maiores cantoras líricas portuguesas. Nasceu a nove de Janeiro de 1753 em Setúbal, e faleceu no dia um de Outubro de 1833.
A sua fama internacional chegou de tal modo a São Petersburgo, então capital da Russia, que Catarina II a convidou para cantar na sua corte. Naquela cidade, para onde se deslocou com o marido e filhos, permaneceu quatro anos, tendo sido presenteada com joias de grande valor.
No seu regresso, o imperador Frederico Guilherme II da Prússia hospedou-a com a família no seu palácio, tendo-lhe posto ao seu serviço uma carruagem e cozinheiros próprios e pago um caché principesco.
E, o que é feito das joias, perguntarão os meus leitores? Em 1809 dá-se a Segunda Invasão Francesa de Portugal comandada pelo marechal Soult. Uma vez tomada a cidade do Porto, a população aterrada foge para a outra margem do Douro através da única ligação existente: uma ponte que se apoiava sobre uma série de barcas alinhadas, e por isso denominada Ponte das Barcas. A estrutura cedeu sob o peso dos fugitivos, tendo-se registado cerca de quatro mil mortos. Luísa Todi, que trazia as joias numa mala, conseguiu escapar mas, na confusão, a mala caiu no Douro tendo-se perdido para sempre. Pelo menos, esta é a versão oficial.
E, depois deste esclarecimento, atacou-me a costumada preguiça, pelo que vou ficar por aqui. No próximo artigo continuarei com o mesmo tema. Assim, o programa segue dentro de momentos...










18/05/2019


E AGORA, SENHOR PROFESSOR DOUTOR MACACA (PERDÃO) MALACA CASTELEIRO?

O Presidente Bolsonaro acaba de anunciar que o Brasil não vai aderir ao chamado novo acordo ortográfico, enquanto outros países de língua oficial portuguesa continuam sem ratificar esta autêntica estupidez, cretinice e imbecilidade que saiu da sua obtusa cabeça.
E agora, volto a perguntar, o que vai Portugal fazer? Vai continuar com esta “grande facada na cultura portuguesa”, como afirmou o infelizmente já desaparecido professor Vasco Graça Moura, ou vai voltar atrás, com todos os problemas que daí irão resultar?
Como não vale a pena “bater” mais no assunto, vou copiar um parágrafo existente num guia turístico sobre Portugal do princípio da década de sessenta do século passado. Diz assim: ”A nossa língua é difícil. Mesmo para nós. Os acordos do idioma com o Brasil só têm trazido como resultado complicar ainda mais, linguisticamente, as coisas. Cá e lá!”
E esta, hem? Como dizia Fernando Pessa.

(Tinha prometido aos meus leitores que o próximo artigo escreveria sobre eugenia; porém esta decisão do Presidente do Brasil relegou aquele tema para depois. As minhas desculpas.)




O GRANDE FOSSO (2).

Depois de passada a psitacose, que quase me tornou num papagaio igual aos que falam na televisão, vou explicar o que pretendo dizer com aquele título. Possivelmente o tema será dividido em partes, já que estou cada vez mais preguiçoso.
A meu ver, nunca houve na História do Mundo (entenda-se planeta Terra) um fosso tão grande entre ricos e pobres, culturas, ciências, tecnologias, artes, etc.
Por qualquer razão obscura, aquilo a que chamamos civilização (prefiro o termo desenvolvimento) começou há cerca de quatro mil anos no Mediterrâneo Oriental.
De repente, (em termos históricos, como é óbvio) o ser humano
sai do nomadismo, funda cidades e começa a descobrir e inventar coisas até aí inexistentes como, por exemplo, a escrita.
Este espaço de quatro mil anos, até levou um “maduro” chamado James Ussher, a afirmar que Deus criou a Terra no dia 23 de Outubro de 4004 a.C. às seis horas da tarde!!!; já o judaísmo avança para 29 de Março de 3760 a.C., enquanto os Maias recuavam para 29 de Setembro de 18.490!
Seja como for, a escrita, as artes e as ciências iam avançando lentamente, enquanto a população humana pouco crescia em número, devido às guerras, epidemias e catástrofes naturais. Assim, o planeta equilibrava-se naturalmente porque não havia interferências de maior que pusessem em perigo a “Vida na Terra”. Esta situação durou, pode dizer-se até à invenção da máquina a vapor, no séc. XVIII. Depois, as coisas precipitaram-se e, em progressão mais que geométrica, chegámos à loucura actual representada pelas novas tecnologias. E digo hoje, na verdadeira acepção da palavra, porque amanhã já outras novidades irão aparecer.
Fazendo um retrato pessimista e ao mesmo tempo paradoxal, julgo que todos nos iremos “afogar” brevemente numa 3ª guerra mundial ou numa grande catástrofe provocada pelos resíduos das tecnologias. Senão, vejamos:
1- O grande biólogo David Attenborough, já no princípio deste século, afirmou que para todos os povos deste planeta terem um nível de vida igual aos europeus, norte-mericanos, canadianos, australianos e mais alguns poucos, seriam necessários três planetas iguais ao nosso!
Também um operador de câmara do National Geografic, disse que quando voltou ao Borneo dois anos depois de lá ter estado a filmar, declarou que teve vontade de chorar quando viu uma enorme parte da floresta tropical transformada em palmares.
2- Um economista cujo nome não fixei, afirmou que não se pode pretender o infinito num planeta finito, o que é lógico.
3- O nível de vida dos países atrás referidos só são possíveis devido ao trabalho de milhões de escravos (homens, mulheres e crianças) que labutam no chamado 3º mundo; e digo escravos, porque a diferença entre os antigos forçados e os actuais, reside em ordenados ínfimos em vez da alimentação dada pelos seus donos para poderem trabalhar.
4- Os prodigiosos avanços da medicina, fazem com que a longevidade das populações dos países ditos ricos, ultrapasse o razoável e que cada vez haja mais velhos do que novos. O pior é que, como diz o meu médico cardiologista, aumentamos o tempo de vida mas, na maioria dos casos, não progredimos lhe damos qualidade. Ora isto torna impossível aumentar os anos de trabalho e, consequentemente, diminuir o tempo da reforma. Eu, por exemplo, estou de boa saúde mas com o sistema músculo-esquelético todo “podre”. Reformado há l6 anos, sabe-se lá quanto os contribuintes vão ter ainda que desembolsar para pagar a boa reforma que tenho.
Como é óbvio, mesmo reduzindo, continua-se a contaminar o planeta já demasiadamente poluído. Fala-se contra os motores “diesel”, avança-se com automóveis eléctricos, ensaia-se outras fontes de energia, mas eu pergunto: e os milhares de aviões que todos os dias lançam toneladas de combustível queimado nas camadas mais altas da atmosfera? E países como a Índia, para só falar neste, em que as pessoas usam todo o tipo de veículos, muitos deles a cair de podres, porque não têm dinheiro para comprar outros?
Alguns sonhadores ainda estão, tal como eu na adolescência, no mundo da literatura de ficção científica, em que se carregava num botão e passava-se de uma galáxia para outra!
Ora, pondo os pontos nos ii (e também nos jotas que, democraticamente, também têm direito a ser subjugados por um ponto) as viagens espaciais estão muito longe daquelas que os autores de ficção científica adornaram (e de que maneira) os sonhos dos meus “bons velhos tempos”.
Senão, vejamos: o único planeta rochoso mais próximo da Terra é Marte. A única semelhança com a Terra além da atrás mencionada, é a rotação que executa em cerca de 24 horas e meia. Quanto à translação, esta é de cerca de dois anos, o que faz com que os astronautas tenham lá de ficar oito a nove meses. Contando o tempo de viagem, ida e volta, teremos de acrescentar mais 16 meses, o que dá aproximadamente dois anos! Fácil, não é?
Mas, há ainda que ter em conta a atmosfera constituída principalmente por dióxido de carbono; os robôs que por lá andam já registaram ventos de mais de mil quilómetros por hora. É por estes motivos que considero inútil uma expedição humana quando os ditos robôs já mostraram praticamente tudo o que pretendemos saber sobre o Planeta Vermelho.
Por curiosidade, acrescento que fora do nosso Sistema Solar, existe um planeta rochoso que orbita a estrela “Próxima Centauri”, assim chamada por pertencer à constelação Centauro e ser a estrela mais próxima de nós a seguir ao Sol (cerca de 4,2 anos luz).
A uma velocidade de um quinto da velocidade da luz, ou seja 60.000 Km/s uma nave levaria vinte anos a lá chegar, e as mensagens ou fotos que nos enviasse, demorariam 4,2 anos a cá chegar.
É por isto que considero que estamos irremediavelmente presos neste famigerado planetazinho, orbitando uma estrela situada num dos “braços” espirais da Via Láctea.
Assim, e antes que comecemos a comer-nos uns aos outros passando o “grande fosso” (até agora tem sido apenas o Mar Mediterrâneo) vou fazer uma pausa.
............................

Muito mais poderia dizer sobre este tema, mas julgo que não vale a pena já que o assunto é conhecido de todos. Por isso, vou falar, ou melhor, interrogar-me sobre as causas da existência deste “grande fosso” entre ricos e pobres. Já o faço há alguns anos e não encontro resposta. A questão é delicada porque vou falar sobre raças “inferiores” e “superiores”. (Com aspas pode ser que a actual censura, agora chamada “politicamente correcto”, não me chateie). Mas isso ficará para o próximo artigo que terá o título de A EUGENIA.


15/10/2018


NÃO MORRI!

Como veem, continuo “operacional(*) no terreno”. Apesar de um (ou uma) dos meus seguidores me ter desejado a morte por via de um cancro, a verdade é que, tirando o esqueleto, estou de boa saúde. Somente a minha inata preguiça me tem impedido de escrever, embora motivos não tenham faltado quando arranjo pachorra para dar atenção aos telejornais.
Assim, prometo (palavra de não político) que logo que me apetecer abordarei o tema que comecei no artigo anterior que, como sabem, intitulei “O Grande Fosso”. Quando o comecei (e como escrevi) penso ter sido atingido por aquela doença que ataca os papagaios e que se chama psitacose. Perdoem-me a metáfora mas, como sabem, a minha alergia a tudo o que seja imitações, principalmente quando me vêem com o argumento de que “agora toda a gente fala assim”, faz com que fique completamente dessincronizado, como dizia o grande António Silva em “O Pátio das Cantigas”.
Por isso, até breve (talvez).

(*) Nova moda de designar bombeiros e afins.

16/01/2018

O GRANDE FOSSO

Não, não se trata da aventura de Astérix com o mesmo nome.
O assunto tem vindo a tornar-se musculado e viral e só muito pouca gente o tem posto em cima mesa. Por isso, acho bué fixe juntar-me aos que o acham incontornável para não ficar mal na fotografia.
Falando global, acho que se deviam mandar operacionais bem musculados para o terreno para, se ainda houver tempo, impedir o colapso deste famigerado planeta, nem que seja com aviões bombardeiros para apagar fogos florestais.
Tratando-se de um assunto imperdível, que não deve adormecer em cima da mesa e que tão viral já se tornou para muitos que ficaram mal na fotografia e colap...???!!!
Mas, o que estou eu a escrever? Peço desculpa mas, ou estou c’os copos ou sofro de psitacose, uma doença viral que afecta os papagaios!

Por isso, prometo recomeçar em breve, se é que conseguirei curar-me!

14/11/2017


OS NOMES DOS CICLONES

Sem querer entrar em pormenores meteorológicos, designa-se por ciclone uma violenta tempestade que eclode, normalmente, nas regiões tropicais. Conforme a sua localização, recebe vários nomes, como 'tufão' no Oceano Pacífico ou 'furacão' no Atlântico. Mas, não é destas diferenças de denominação que vou falar, mas sim dos nomes próprios de pessoas com que são classificados. A ordem é alfabética e inicia-se no início de cada ano.
Em 1890, o meteorologista australiano Clement Wragge, teve a ideia de baptizar os ciclones utilizando as letras do alfabeto grego e personagens da mitologia clássica. Mais tarde optou, talvez por troça, pelos nomes dos políticos locais.
Escandalizados, estes ameaçaram processar o cientista que, como vingança, recorreu aos nomes das respectivas esposas.
Assim, os nomes dos ciclones passaram a ter só nomes femininos, norma que foi adoptada pela Organização Meteorológica Internacional em 1952.
Porém, isto provocou os protestos dos movimentos feministas, pelo que em 1970 os nomes masculinos passaram também a ser usados.


Comentário: 
Wragge foi muito ingénuo ao escolher os nomes de políticos. Na verdade, um ciclone de grau cinco não passa de uma tempestade num copo de água comparada com as tragédias que essa gente provoca.  


18/10/2017

A PAPA DOS PAPAS!

Há dias deu-me vontade de folhear os pouquíssimos livros de estudo que me restam dos meus tempos de estudante. A maioria apodreceu há longos anos numa cave.
Pegando na História Geral da Civilização para o antigo 3º ciclo dos liceus, acabei por ler praticamente os dois volumes. E até fiquei um pouco admirado, ao verificar que a Censura autorizara alguns assuntos sobre religião. E não só esta, mas também a existência do malfadado “índex”, catálogo da “Santíssima” Igreja Católica Apostólica Romana, dos livros cuja leitura era proibida sob pena de excomunhão (um grave problema; que horror!).
Esclareço que o tal Index Librorum Prohibitorum, de seu verdadeiro nome, foi publicado pela primeira vez em 1559 sob a autorização de Paulo IV. Quatro séculos depois, em 1966, outro Paulo, o sexto, decretou que fosse abolido.
Mas, vamos ao que interessa, neste caso um jantar oferecido à corte pontifícia por Luís IX de França (1214 ou 1215- 1270) e canonizado em 1290, tendo ficado conhecido por S. Luis. Julgo que também interessa saber que fez parte da 8ª Cruzada, tendo sido feito prisioneiro pelos “infiéis”, acabando por morrer de peste em Tunes, na actual Tunísia.
Como a corte principesca do Vaticano não diferia em nada das outras cortes europeias, o mesmo luxo, os mesmos divertimentos, vinhos generosos, danças, comédias, bobos e jograis acompanharam o jantar, nada menos, e pela ordem seguinte:

  -Cerejas e pão alvo
  -Favas cozidas com leite
  -Peixe e lagostins
  -Picado de enguias
  -Arroz com leite de amêndoa salpicado de canela
  -Enguias assadas
  -Tortas e requeijão
  -Fruta

Que tal?
Mas, avancemos dois séculos para tomarmos conhecimento com um dos mais debochados papas que chefiaram (e continuarão a chefiar) a máfia do Vaticano: Alexandre VI (1431-1503.
Eis uma lista de uma refeição “frugal” daquele cavalheiro:

   -Ovos
   -Lagosta
   -Melão apimentado
   -Compotas
   -Ameixas
   -Torta envolta em folhas douradas

Mas, um grande número de cristãos escandalizava-se com aquelas vidas faustosas, tendo Fernando de Aragão comentado: “O papa leva uma vida abominável; não tem qualquer preocupação com o lugar que ocupa”.
Também os embaixadores estrangeiros, mesmo os portugueses e espanhóis, ousavam fazer admoestações ao papa. Ameaçavam-no com um concílio em que seria julgado o seu comportamento; mas, o papa exaltava-se:
“Se continuais a dar-me cabo dos ouvidos, mando-vos atirar todos à água!”
E, ao embaixador da França, justificava-se com estas palavras:
“Vós, os Franceses, não conseguis compreender que um papa é um homem como os outros”.

O meu comentário: nisto, ao menos, tinha razão!



28/09/2017

MARIA CALLAS E UMA TAL DIANA!

No passado dia 16, completaram-se 40 anos sobre a morte de Maria Callas (Maria Kekilía Sofia Anna Kalogerópulu, de seu verdadeiro nome na melhor transcrição que consegui do alfabeto grego para o latino).
Mas, que eu saiba, a chamada comunicação social (os média, mídia, media, como quiserem) pouco falou, se é que o fez, sobre aquela efeméride.
E porquê? Porque  o mundo está há “vinte anos sem Diana”, uma mulher que, por estupidez,  ganância ou ingenuidade, casou com um membro de uma família de tarados que, como é lógico, espera que a mamã, velha de noventa anos, morra para ser “rei”.
Mas o tiro saiu-lhe pela culatra; sem pensar nas palhaçadas (há quem lhes chame protocolos) que teria de fazer para ser digna representante daqueles lacaios dos “costumes”, não pensou nas cerimónias, nos vestidos, nos sapatos, nos ridículos chapéus à banda que teria de aturar e usar.
Escolheu um “príncipe”, porque tudo o que nasce ou se liga às famílias ditas reais, é logo promovido a um grau qualquer daquelas hierarquias. Portanto, tornou-se “princesa” - a “princesa do povo”, Pasme-se.
E que desgraçado tem sido este mundo durante os 20 anos da sua ausência. O que eu tenho chorado!
Mas, ao menos a dita senhora teve a coragem de pôr os cornos ao marido, pagando com a mesma moeda o que o ele lhe fazia. Afinal, mudar de “pila” não faz mal a ninguém. Até dizem que dá saúde.
Tudo isto pagou com a vida, fugindo dessas melgas, carraças, vespas, etc. que se chamam jornalistas.
Porém, para quê continuar? Se alguém estiver interessado em saber mais sobre a opinião que tenho sobre o assunto, convido, sem falsa modéstia, a ler o que escrevi neste blogue em 23 de Maio de 2011, sob o título “O Disparatado Planeta das Falsas Celebridades”.




06/07/2017

A ENTRGA DOS FACÕES!
(TAMBÉM HÁ QUEM LHES CHAME ESPADAS)

Os oficiais do glorioso Exército Português ficaram muito zangados por lhes terem roubado brinquedos muito caros que o Zé Povinho paga sem regatear.
E veio logo a justificação, que só a típica passividade dos Portugueses aceita: a redução das verbas para a chamada defesa!
Confesso que tenho pena daquela gente. Os cortes no orçamento (que só os preocupa por causa das promoções no “tacho” a que resolveram dedicar as suas vidas) é que são os culpados pela falta de vídeo vigilância (e não só) pelo roubo dos seus brinquedos.
Por isso, resolveram entregar os facões, perdão, espadas, ao seu Comandante Supremo. (Entretanto mudaram de ideias.)

Que pena não ser eu a ocupar esse cargo. Mandava-os para o circo como engolidores de espadas, mas na versão inversa do trajecto digestivo.


20/06/2017

ONDE ESTÁ A TROPA?
(Também há quem lhe chame exército)

Nos quartéis, claro! Em 1966 morreram 25 militares no combate a um incêndio na serra de Sintra. Por outro lado, suportava-se uma guerra em três frentes africanas. Nesse fatídico dia de Setembro, estava eu numa delas.
Porém, os incêndios florestais no tempo da “antiga senhora” eram raros, e a tropa era chamada para ajudar os bombeiros.
Depois da implantação da chamada democracia, os fogos florestais tornaram-se tão normais, que até se tornou oficial a implantação da “época de incêndios”!
Portugal arde todos os anos e são só os Bombeiros, a GNR e as populações que ajudam como podem para salvar vidas e haveres.
Esses tipos que juraram defender a Pátria até à última gota de sangue, o que fazem: nada! Ou será que a defesa da Pátria é só em caso de guerra ou ir para outros países nas chamadas “missões de paz” e ganhar mais dinheiro?
Chiça! Quando haverá um Presidente da República que, como Comandante Supremo das Forças Armadas (e com tomates) use o seu poder para obrigar essa gente a cumprir o juramento que fizeram?


Nota: Sabem que o quartel de Comandos da Amadora acciona um semáforo vermelho para interromper o trânsito, a fim de que as altas patentes, "encharcadas de suor" pelo trabalho diário, possam sair sem impedimentos? 


10/06/2017

VERGONHA (3)

…A religião católica diz-se monoteísta mas, para baralhar os crentes e justificar um tal Espírito Santo e um revolucionário judeu chamado Jesus (depois chamado Cristo, do grego “ungido”) resolveu atribuir a todos a mesma categoria divina com o mistério da Santíssima Trindade: um só Deus em três entidades distintas. É obra!
E isto, porquê? Porque o tal revolucionário contra a dominação de Roma, intitulava-se “Filho de Deus”. Quanto ao chamado “Espírito Santo”, como Deus não tem pénis, órgão apenas presente nos seres materiais, mandou aquele seu comparsa, esquecendo-se que este padecia do mesmo tipo de impotência, engravidar uma tal virgem chamada Maria que, como é óbvio, ficou com o hímen intacto. Isto não impediu, porém, que por artes mágicas, a boa senhora (concebida sem pecado?!) parisse Jesus e seus irmãos; estes são referidas na Bíblia no número 14 do 1º capítulo dos “Actos dos Apóstolos”.
Depois temos os anjos, os arcanjos, os querubins, os serafins, os santos e santas, sendo estas e Maria as únicas representantes femininas para aliviar o machismo.
Mas, e como em qualquer religião pagã, temos também os anjos maus, representados pelo Diabo. Este malandrote foi o chefe de uma revolta contra Deus que, apesar de ser omnisciente e omnipotente, não previu a insurreição nem se opôs a ela. Criou como represália o Inferno, que o papa João Paulo II encerrou!
Toda aquela mescla de divindades vive no “céu”, estando o Filho sentado à direita do Pai e o Espírito Santo a voar pelas vastidões celestiais, numa monotonia eterna. Mas, em que galáxia?
Como em todas as épocas, surgem sempre os espertalhões e oportunistas que exploram a crendice humana; e nada melhor do que arranjar “cá em baixo” representantes devido à falta de naves espaciais para trazerem os deuses à Terra e provarem, de uma vez por todas, que existem.
Assim, temos o papa e toda uma corte de cardeais, bispos, arcebispos, priores, padres, etc., cuja maioria (há sempre excepções) engana e rouba milhões de pessoas. A sua capital, o Vaticano, situa-se no centro de Roma e não paga qualquer imposto sendo ela, em quaisquer assuntos, polícia de si própria (o papa João Paulo I foi imediatamente embalsamado depois de descoberto o corpo, para impedir a autópsia. “E esta, hem?” como dizia Fernando Pessa).
Além disto é proprietária do Banco Ambrosiano que…
Mas, para quê continuar com este assunto? Quem quiser aprofundar as suas crenças sem medo da verdade, leia o livro de José Rodrigues dos Santos intitulado “Vaticanum”: ou então, leiam os do padre Mário Oliveira que além daqueles, se mostra um autêntico apóstolo da verdade nos seus discursos publicados no youtube.
Sr. Presidente da República: o actual papa pode ser um “gajo porreiro”, mas é o chefe da maior máfia do mundo e, se não a pode dominar, faça como o Ratzinger: demita-se. Seja como for, é possível que o Senhor Presidente se tenha ajoelhado e beijado a mão de tal personagem para vergonha dos Portugueses?
Ah! Analisando bem as coisas, a maioria deve estar consigo nesta triste acção que praticou. Eu é que sou estúpido e ignorante mas, e voltando a citar Fernando Pessoa, afirmo: “MERDA, SOU LÚCIDO!”