Começou por ser uma tentativa utópica para corrigir os disparates que se ouvem, vêem e lêem na comunicação social neste mundo louco onde reinam a estupidez e a ignorância. Finalmente, decidi-me a escrever sobre tudo o que me ocorrer e achar relevante ou divertido partilhar!
01/01/2021
21/12/2020
JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS E O SEU “BITÔVEN”!
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É fantástico como um jornalista que considero culto pronuncie de uma forma ridícula o nome de Beethoven. Será por piada, já que tem a mania de se fazer engraçado quando apresenta o telejornal da RTP-1, ou é mesmo ignorante no que respeita a um dos maiores compositores de todos os tempos? Prefiro acreditar que com a mania que todos os portugueses têm de falar inglês, o citado jornalista confunda os dois “e” com o som “i”; basta ouvir como pronuncia “Trump”, que mais parece uma vaca espanhola com uma batata quente na boca! Pronuncie à portuguesa, homem! Ou, se quiser, aspire ligeiramente o “h” e ficará praticamente igual ao alemão, gaita. (a interjeição até fica bem, já que se trata de música).
E, já que falei desta endémica faceta lusitana de papaguear todas as línguas do mundo, vou relatar um caso que presenciei in loco (ou no terreno). Vinha com a minha mulher da encantadora ilha do Porto Santo, sobrevoando mares há seiscentos anos navegados por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, eis quando uma passageira se sentiu mal. Como havia duas médicas a bordo, uma portuguesa e uma italiana, passaram o resto da viagem ao pé dela, tendo uma ambulância vindo buscar a senhora após a aterragem.
Estávamos à espera das bagagens quando surpreendi a médica portuguesa a dizer para o presumível marido, com a voz impregnada da mais intrigante admiração: “a minha colega italiana não falava inglês”!!!
Ainda estive para intervir, mas como seria um acto de falta de educação, abstive-me.
07/10/2020
Adeus, Quino!
Em Dezembro de 2014 escrevi um artigo intitulado Parabéns, Mafalda”, associando-me às comemorações dos cinquenta anos do nascimento da tua “filha”. Agora, ao saber da tua morte, não podia ficar calado e prestar-te uma homenagem póstuma.
Viste a realidade do mundo como ninguém; nunca tiveste a ilusão de um “mundo melhor”; não quiseste ter filhos para não seres responsável por pôr mais seres humanos neste mundo cruel!
Mas, em compensação deste vida à Mafalda e ao seu irmãozito Gui. Tiveste a genialidade de acrescentar à “contestatária” os seus amigos, cada qual com as suas diferentes personalidades tão bem vincadas.
A Susaninha, apenas preocupada em vir a casar com um homem rico e ter muitos bebés; o Manelito, apostado em ser dono de uma grande cadeia de supermercados; o Filipinho, o eterno depressivo e angustiado com o começo das aulas, e incapaz de se declarar a uma miúda de quem gostava; o Miguelito, o tipo de pessoa prática que, apesar de algumas dúvidas, deixa-as para outro dia; os progenitores da Mafalda, o pai apaixonado por plantas e pelo “dois cavalos” que comprou a prestações, e a mãe, a clássica dona de casa da época, e que continua a existir na maior parte do mundo. Finalmente, a minúscula Liberdade, expedita até mais não, filha de um casal de extrema-esquerda, a tal facção de idealistas que quer endireitar o mundo, mesmo que para isso tenham de cometer as maiores atrocidades, como aconteceu (e ainda acontece) nos países comunistas. São os paradoxos da triste condição humana.
Partiste, Quino, é um modo mais suave de dizer que morreste, porque o ser humano gosta de “dourar” as coisas, mesmo que a situação seja a mesma. Sei que não levaste boas recordações deste mundo onde a vida, para sobreviver, se devora a si mesma! O mundo, aquele que conhecemos e que tão bem caracterizaste nas tuas quase duas mil “tiras”, continuará afogando-se na loucura das novas tecnologias e no aumento exponencial de seres humanos, até que estes se devorem a si próprios ou sejam esmagados pelos seus próprios inventos.
Partiste, repito; e, como escreveu Fernando Pessoa, cuja obra não tenho a menor dúvida que leste, “sem ti correrá tudo sem ti”. Fica a tua monumental obra plena de sabor agridoce porque “a miséria do mundo deve provocar o riso nas nossas almas”. (Li-Tai-Pó, poeta chinês do século VIII dC). E já que estamos em momento de poesia, lembrei-me de transcrever este excerto do poema de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) intitulado “Tabacaria”.
...
Mas o dono da tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua em que esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo debaixo de coisas como tabuletas.
Sempre uma coisa defronte da outra.
Sempre uma coisa tão inútil como a outra.
Sempre o impossível tão estúpido como o real.
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície.
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
...
06/09/2020
19/07/2020
06/07/2020
O jornalista José Alberto Carvalho (está na berlinda) disse que o presidente Bolsonaro mandou tocar a “Ave-Maria” de Schubert a respeito já não sei de quê. Ora o que ouvimos foi a “Ave-Maria” de Gounod, ou melhor, de Bach/Gounod. Parece estranho, não é? Mas eu explico. O primeiro prelúdio da monumental obra de Bach “Das Wohltemperierte klavier" (O cravo bem temperado) serviu de base (vulgo acompanhamento) à célebre melodia que Charles Gounod compôs cerca de dois séculos depois. O efeito, como se sabe, é excelente e quase toda a gente a conhece, tal como a outra “Ave-Maria”, a de Franz Schubert.
Ou, então, foi o Bolsonaro que baralhou tudo; dele e do Brasil tudo é de esperar.
21/06/2020
13/05/2020
07/05/2020
11/04/2020
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