SESSENTA ANOS DEPOIS!!!
Começou por ser uma tentativa utópica para corrigir os disparates que se ouvem, vêem e lêem na comunicação social neste mundo louco onde reinam a estupidez e a ignorância. Finalmente, decidi-me a escrever sobre tudo o que me ocorrer e achar relevante ou divertido partilhar!
09/08/2021
28/04/2021
HORROR! HERESIA!
O sagrado “Politicamente Correcto” foi vilipendiado, insultado, esmagado, no telejornal da SIC por um preto, calcule-se.
O caso deu-se na desgraçada antiga Província Ultramarina Portuguesa de Moçambique. O comandante da tropa que anda por lá em Cabo Delgado a fazer não sei o quê, mostrava à jornalista da SIC a tragédia humanitária que se abateu naquela região (abateu-se e não vai ficar por ali; lembrem-se do que estou a dizer).
Mas, deixemos estes trágicos acontecimentos para a África Negra cujos países estão em “vias de desenvolvimento” (oiço isto desde as primeiras independências nos anos cinquenta do século passado, o que me leva a concluir que por lá a única coisa que vai para a frente é o atraso) e citemos Fernando Pessoa: “que me importa os homens que sofrem ou que dizem que sofrem. Sejam como eu; não sofrerão”).
Depois deste breve momento de poesia, vamos ao verdadeiramente horripilante caso que deu origem a este artigo. Não é que, ao ser instado pela jornalista sobre se os fugitivos do massacre eram estrangeiros, o senhor comandante disparou com esta: “sim senhora; eram todos de RAÇA BRANCA!!! Calculem a desfaçatez do bom homem, por certo ignorante da nova censura que reina em Portugal e não só. Se fosse cá, e pondo as coisas ao contrário, ai de quem se atrevesse a referir-se em público ou na TV a qualquer ser humano distinguindo-o dos outros pela raça (perdão, etnia). Mas, etnia também não. Como raio poderemos identificar uma pessoa, no caso de um crime por, por exemplo, se não podemos dizer a cor, se tem os olhos em bico, se é loiro, se tem o cabelo preto ou castanho, se é careca, se é gordo ou magro, se é fabricante de panelas (leia-se paneleiro), se tem algum sinal particular, como constava nos bilhetes de identidade do antigamente, se...basta! Estou farto. Voltemos à hipótese de alguém dizer “eram todos pretos”!
Que falta fazem os campos de trabalhos forçados da Sibéria, berrariam os mais acérrimos defensores do igualitarismo como os meninos e meninas do Bloco de Esquerda que se riem quando o “bombo da festa” (leia-se André Ventura) fala na Assembleia da República, mais a velharia que resta do Partido Comunista. E viria logo a repreensão do Ex.mo Presidente da Assembleia lembrando que aquele local é sagrado e, portanto, merece respeito. Oxalá nunca lhe saia da boca (pode acontecer a qualquer um quando perde as estribeiras), citar frases populares como “isso é uma ciganice” ou “não façam judiarias”. É que a imitação de um par de cornos feita com os dedos, já por lá passou. Mentira?
Nota final: porque será que quando olho para a cara daquele senhor lembro-me sempre de um testículo?
27/03/2021
CONFINAMENTO MUSCULADO!
No meu tempo (todas as gerações dizem o mesmo), apareciam sempre uns neologismos que se tornavam moda, mas acabavam por caír no esquecimento.
Quem não se lembra do adjectivo “baril” e das frases “já vais aí”, “até choras para andar de Lambretta”, “lá mais para o Verão”, “ainda lá chegas hoje”,
“ó sorte malvada” e, ainda a designação de “flausinas” e baubaus” como referência aos meninos e meninas “bem”, palavra que também os qualificava socialmente.
É claro que tudo isto tinha algo de gíria, o que não impedia que – e agora falando mais a sério – os neologismos fossem surgindo para ficar; isto aconteceu desde sempre porque, como é óbvio, as línguas não são estáticas quer na fonética, na morfologia e na sintaxe.
Porém, uma das grandes riquezas da Língua Portuguesa é a enorme quantidade de sinónimos, frases idiomáticas e maneiras diferentes de dizer a mesma coisa.
Mas, não vou alongar-me mais. Esta matéria pertence aos linguistas, mesmo aos traidores que elaboraram o famigerado acordo ortográfico e introduziram a pretice “bué” no nosso idioma, como se não existisse a palavra “muito”.
O que me irrita é ouvir continuamente repetir a mesma palavra ou frase ao longo do texto; sobre este assunto já escrevi alguns artigos, nos quais me referi às pessoas que não são capazes de arranjar sinónimos chamando-lhes papagaios porque, uma vez ouvida uma “nova” palavra, passam a repeti-la como se não houvesse sinónimos.
Alguns exemplos:
MUSCULADO, como perguntou um jornalista a António Costa referindo-se ao grau de confinamento (mais outra palavra que já cansa ouvir). Até o Presidente da República já utilizou a musculatura a respeito já não se de quê; deve ter sido, também, sobre o recolhimento, encerramento, isolamento, privação de poder dar umas passeatas para a alegria dos cães que passaram a ir dez vezes à rua para regar as árvores...numa palavra: CONFINAMENTO!.
SUSTENTÁVEL e a sua derivada SUSTENTABILIDADE!.
VIRAL! Esta julgo que tem origem o Brasil, donde vêm os mais incríveis neologismos, para não falar dos nomes próprios que, por si só, constituem um incomparável manancial de boa disposição; valha-nos isso.
RESILIÊNCIA! No que respeita a esta “novidade” (que é tão “nova” que até provém do latim) sou capaz de apostar que a maioria dos portugueses desconhece o seu significado.
ASSERTIVO! Mais outro palavrão desenterrado do latim.
LINHA DA FRENTE! Faz-me recordar a minha ida “aos guerra no N’Gola” e onde tive a sorte de ter tido quase sempre “bué” de garrafas de cerveja à minha frente.
WASHINGTON D(i) C(i)! Que bem que soa o nome da capital dos Estados Unidos da América pronunciado assim. É que como somos todos ignorantes, evita-se a confusão entre aquela cidade e o estado do mesmo nome situado na costa ocidental daquele país. Até que temos de convir que soa muito melhor, quanto mais não seja por ser um nome inglês. Pena é que não contenha nenhum “r” para ouvirmos uma vaca espanhola a mungir com uma batata quente na boca. (peço desculpa por abordar outra vez esta comparação).
POPULISMO! Esta começou a estar na moda após André Ventura ter entrado na política. E bem falta fazia para sacudir o marasmo de compadrio e corrupção que reinam em Portugal. Como disse Marques Mendes, foi ele o grande vencedor das eleições presidenciais. Pela minha parte, porém, receio que seja mais um Sócrates (o português) a juntar às quadrilhas que nos têm governado para orientar as suas vidinhas.
AERONAVE! Embora não esteja errada, trata-se de mais uma brasileirice que está a matar a palavra avião. De facto, balões, helicópteros, aviões, foguetes e agora os “drones” são tudo máquinas voadoras. Mas, em Portugal, desde o início da aviação, e como o francês estava na moda, instalou-se rapidamente a palavra avião, derivada de “avion”. Esta designação foi dada por um dos “Gloriosos Malucos das Máquinas Voadoras” (quem não viu este filme?), o francês Clement Ader que a foi buscar ao latim “ave”. A título de curiosidade, acrescento que aquele “maluco” morreu velho, talvez por o seu “avion”, movido a vapor, só ter conseguido dar uns pequenos saltos nos “voos “ de demonstração.
EXPECTÁVEL! Como era de esperar, ou “expectável”, é mais uma imitação vinda do Brasil.
TER CERTEZA! (idem). Falta o artigo definido.
ARRASTO! (idem). Em Portugal diz-se atrito.
CRUCIAL! (idem). Seria interessante usar, uma vez por outra, a palavrafundamental, só para variar.
LETAL. (idem). O abuso deste adjectivo matou os termos mortal e mortífero.
PROGENITOR(A). Quem trabalha na empresa de traduções audio-visuais“Moviola”, parece desconhecer as palavras pai e mãe. É comum assistirmos a um desses maravilhosos documentários sobre a Natureza, e termos de ler o progenitor ou a progenitora (até por duas vezes na mesma frase) durante todo o documentário.
E fico por aqui para não tornar esta lenga-lenga musculada. Por isso, e já que palavras como debate, discussão, em análise, etc. resolveram saltar para “cima da mesa”, deixo esta questão a quem me lê também EM CIMA DA MESA.
PS. Uma curiosidade: há dias ouvi na TV uma senhora francesa referir-se ao trabalho em casa como sendo on ligne. Engraçado, não é?
E, já agora, mais outra: já repararam no pleonasmo inventado pela jornalista Clara de Sousa? Trata-se, simplesmente, de “TOTAL GLOBAL”. E esta, hem? como dizia Fernando Pessa.
01/01/2021
21/12/2020
JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS E O SEU “BITÔVEN”!
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É fantástico como um jornalista que considero culto pronuncie de uma forma ridícula o nome de Beethoven. Será por piada, já que tem a mania de se fazer engraçado quando apresenta o telejornal da RTP-1, ou é mesmo ignorante no que respeita a um dos maiores compositores de todos os tempos? Prefiro acreditar que com a mania que todos os portugueses têm de falar inglês, o citado jornalista confunda os dois “e” com o som “i”; basta ouvir como pronuncia “Trump”, que mais parece uma vaca espanhola com uma batata quente na boca! Pronuncie à portuguesa, homem! Ou, se quiser, aspire ligeiramente o “h” e ficará praticamente igual ao alemão, gaita. (a interjeição até fica bem, já que se trata de música).
E, já que falei desta endémica faceta lusitana de papaguear todas as línguas do mundo, vou relatar um caso que presenciei in loco (ou no terreno). Vinha com a minha mulher da encantadora ilha do Porto Santo, sobrevoando mares há seiscentos anos navegados por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, eis quando uma passageira se sentiu mal. Como havia duas médicas a bordo, uma portuguesa e uma italiana, passaram o resto da viagem ao pé dela, tendo uma ambulância vindo buscar a senhora após a aterragem.
Estávamos à espera das bagagens quando surpreendi a médica portuguesa a dizer para o presumível marido, com a voz impregnada da mais intrigante admiração: “a minha colega italiana não falava inglês”!!!
Ainda estive para intervir, mas como seria um acto de falta de educação, abstive-me.
07/10/2020
Adeus, Quino!
Em Dezembro de 2014 escrevi um artigo intitulado Parabéns, Mafalda”, associando-me às comemorações dos cinquenta anos do nascimento da tua “filha”. Agora, ao saber da tua morte, não podia ficar calado e prestar-te uma homenagem póstuma.
Viste a realidade do mundo como ninguém; nunca tiveste a ilusão de um “mundo melhor”; não quiseste ter filhos para não seres responsável por pôr mais seres humanos neste mundo cruel!
Mas, em compensação deste vida à Mafalda e ao seu irmãozito Gui. Tiveste a genialidade de acrescentar à “contestatária” os seus amigos, cada qual com as suas diferentes personalidades tão bem vincadas.
A Susaninha, apenas preocupada em vir a casar com um homem rico e ter muitos bebés; o Manelito, apostado em ser dono de uma grande cadeia de supermercados; o Filipinho, o eterno depressivo e angustiado com o começo das aulas, e incapaz de se declarar a uma miúda de quem gostava; o Miguelito, o tipo de pessoa prática que, apesar de algumas dúvidas, deixa-as para outro dia; os progenitores da Mafalda, o pai apaixonado por plantas e pelo “dois cavalos” que comprou a prestações, e a mãe, a clássica dona de casa da época, e que continua a existir na maior parte do mundo. Finalmente, a minúscula Liberdade, expedita até mais não, filha de um casal de extrema-esquerda, a tal facção de idealistas que quer endireitar o mundo, mesmo que para isso tenham de cometer as maiores atrocidades, como aconteceu (e ainda acontece) nos países comunistas. São os paradoxos da triste condição humana.
Partiste, Quino, é um modo mais suave de dizer que morreste, porque o ser humano gosta de “dourar” as coisas, mesmo que a situação seja a mesma. Sei que não levaste boas recordações deste mundo onde a vida, para sobreviver, se devora a si mesma! O mundo, aquele que conhecemos e que tão bem caracterizaste nas tuas quase duas mil “tiras”, continuará afogando-se na loucura das novas tecnologias e no aumento exponencial de seres humanos, até que estes se devorem a si próprios ou sejam esmagados pelos seus próprios inventos.
Partiste, repito; e, como escreveu Fernando Pessoa, cuja obra não tenho a menor dúvida que leste, “sem ti correrá tudo sem ti”. Fica a tua monumental obra plena de sabor agridoce porque “a miséria do mundo deve provocar o riso nas nossas almas”. (Li-Tai-Pó, poeta chinês do século VIII dC). E já que estamos em momento de poesia, lembrei-me de transcrever este excerto do poema de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) intitulado “Tabacaria”.
...
Mas o dono da tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua em que esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo debaixo de coisas como tabuletas.
Sempre uma coisa defronte da outra.
Sempre uma coisa tão inútil como a outra.
Sempre o impossível tão estúpido como o real.
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície.
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
...
06/09/2020
19/07/2020
06/07/2020
O jornalista José Alberto Carvalho (está na berlinda) disse que o presidente Bolsonaro mandou tocar a “Ave-Maria” de Schubert a respeito já não sei de quê. Ora o que ouvimos foi a “Ave-Maria” de Gounod, ou melhor, de Bach/Gounod. Parece estranho, não é? Mas eu explico. O primeiro prelúdio da monumental obra de Bach “Das Wohltemperierte klavier" (O cravo bem temperado) serviu de base (vulgo acompanhamento) à célebre melodia que Charles Gounod compôs cerca de dois séculos depois. O efeito, como se sabe, é excelente e quase toda a gente a conhece, tal como a outra “Ave-Maria”, a de Franz Schubert.
Ou, então, foi o Bolsonaro que baralhou tudo; dele e do Brasil tudo é de esperar.